O que colocamos no prato e a atenção que dedicamos ao próprio corpo são, segundo uma pesquisa inédita da Socesp realizada em diversas regiões de São Paulo, gestos cotidianos com consequências profundas para o coração. O estudo revela que mulheres tendem a fazer escolhas alimentares mais próximas do que a cardiologia recomenda e monitoram o peso com maior frequência do que os homens — uma diferença que não é trivial, pois o excesso de peso e os ultraprocessados figuram entre os principais fatores de risco para hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Cuidar do coração, afinal, começa m
Escolhas no prato determinam a saúde do coração, aponta pesquisa Socesp
Cuidar do coração é cuidar das escolhas que fazemos todos os dias
A pesquisa mostra que homens e mulheres comem de formas muito diferentes. Por que essa diferença existe?
A pesquisa documenta o padrão, mas não explora as razões por trás dele. Pode haver fatores culturais, de tempo disponível, de acesso a alimentos frescos, ou até de como cada grupo recebe informações sobre saúde. Isso fica em aberto.
Exato. E precisamos ser cuidadosos: a pesquisa foi feita em cidades do interior, litoral e capital de São Paulo. Não sabemos se esses números representam o Brasil inteiro ou apenas essa região.
Os ultraprocessados parecem ser o vilão da história. Mas quanto deles as pessoas realmente comem?
A pesquisa mostra o que predomina na alimentação — 27% dos homens dizem que industrializados predominam — mas não quantifica quanto ultraprocessado entra no prato de quem come equilibrado ou in natura. É uma medida de percepção e preferência, não de consumo real em gramas ou calorias.
Isso é importante notar. Alguém que come "principalmente" in natura pode ainda estar consumindo quantidades significativas de ultraprocessados. A pesquisa não nos diz isso.
E o monitoramento de peso — por que as mulheres se pesam mais?
A pesquisa registra que elas fazem isso, mas não pergunta por quê. Pode ser maior preocupação com saúde, pressão social, acesso diferente a balanças, ou hábitos de autocuidado mais frequentes. Não sabemos.
E há um detalhe: 7% das mulheres e 10% dos homens nunca se pesaram ou não lembram. Isso sugere que para uma parcela da população, o monitoramento de peso simplesmente não faz parte da rotina — talvez nem seja acessível.
El Pulso
- Homens consomem alimentos industrializados em proporção quase duas vezes maior do que as mulheres, sinalizando uma vulnerabilidade silenciosa e cotidiana.
- Ultraprocessados carregados de açúcar, sódio e aditivos abrem caminho para hipertensão, diabetes tipo 2 e inflamações metabólicas que sobrecarregam o coração.
- Mulheres lideram o monitoramento de peso — 72% se pesaram recentemente, contra 64% dos homens — mas ainda há uma parcela significativa de ambos os sexos que perdeu o contato com esse indicador básico de saúde.
- A pesquisa da Socesp aponta que a mudança possível está ao alcance de escolhas diárias: preferir alimentos in natura, ler rótulos e manter o peso sob observação são atitudes concretas e acessíveis.
O que colocamos no prato e a atenção que dedicamos ao próprio corpo são, segundo uma pesquisa inédita da Socesp realizada em diversas regiões de São Paulo, gestos cotidianos com consequências profundas para o coração. O estudo revela que mulheres tendem a fazer escolhas alimentares mais próximas do que a cardiologia recomenda e monitoram o peso com maior frequência do que os homens — uma diferença que não é trivial, pois o excesso de peso e os ultraprocessados figuram entre os principais fatores de risco para hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Cuidar do coração, afinal, começa muito antes do consultório médico: começa na cozinha e na balança.
Uma pesquisa inédita da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), conduzida no interior, no litoral e na capital, mapeou os hábitos alimentares de brasileiros e encontrou diferenças marcantes entre homens e mulheres. Entre os homens, 27% relataram que sua alimentação é dominada por industrializados, enquanto apenas 16% das mulheres disseram o mesmo. No lado oposto, 46% das mulheres afirmaram preferir alimentos in natura — frutas, verduras, legumes, feijões e cereais —, contra 39% dos homens.
A distinção importa porque os ultraprocessados — refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos e similares — são formulações industriais ricas em açúcar, sódio, gorduras e aditivos que raramente aparecem em uma cozinha doméstica. Seu consumo frequente está associado a hipertensão, diabetes tipo 2, alterações do colesterol e maior risco cardiovascular. Uma dica prática para identificá-los no supermercado: quanto mais extensa e estranha for a lista de ingredientes, maior a chance de se tratar de um ultraprocessado.
O estudo também revelou que as mulheres monitoram o peso com mais frequência: 72% disseram ter se pesado recentemente, ante 64% dos homens. Ainda assim, cerca de um quarto dos homens e um quinto das mulheres afirmaram ter se pesado há mais de um ano. Acompanhar o peso vai além da estética — o excesso de gordura corporal alimenta processos inflamatórios e metabólicos que favorecem doenças do coração.
A conclusão da pesquisa é direta: alimentação equilibrada, atividade física regular e atenção aos próprios indicadores de saúde formam um conjunto de hábitos muito mais poderoso do que qualquer número isolado na balança. As escolhas ainda estão em aberto para muita gente — e é exatamente aí que reside a oportunidade.
O que você come importa para o coração. Uma pesquisa inédita da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), realizada em cidades do interior, litoral e na capital, mapeou os hábitos alimentares de brasileiros e descobriu que ainda há muito espaço para escolhas mais saudáveis — e que homens e mulheres fazem essas escolhas de formas bem diferentes.
Entre os homens entrevistados, 27% disseram que sua alimentação diária é dominada por industrializados. Outros 39% afirmaram consumir principalmente alimentos in natura, e 34% relataram manter um equilíbrio entre os dois grupos. As mulheres apresentaram um padrão distinto: apenas 16% apontaram predominância de industrializados em seu prato, enquanto 46% disseram preferir alimentos in natura e 38% mantêm um equilíbrio. A diferença é significativa — as mulheres estão fazendo escolhas mais próximas do que os cardiologistas recomendam.
Por que essa distinção importa? Alimentos in natura ou minimamente processados — frutas, verduras, legumes, feijões, cereais — oferecem fibras, vitaminas, minerais e nutrientes que o corpo precisa para funcionar bem. Os ultraprocessados, por outro lado, são formulações industriais feitas predominantemente com substâncias extraídas ou derivadas de alimentos, frequentemente acrescidas de açúcar, sódio, gorduras, aromatizantes, corantes e aditivos diversos. Refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo, embutidos e produtos prontos para consumo são exemplos cotidianos. No supermercado, uma boa pista para identificá-los está na lista de ingredientes: quanto mais extensa e composta por nomes pouco familiares e aditivos que dificilmente apareceriam em uma cozinha doméstica, maior a chance de se tratar de um ultraprocessado.
A pesquisa também revelou um padrão importante no monitoramento de peso. As mulheres demonstraram maior frequência: 72% disseram ter se pesado recentemente, contra 64% dos homens. Por outro lado, 21% das mulheres e 26% dos homens afirmaram ter se pesado há mais de um ano; 7% das mulheres e 10% dos homens não lembravam ou nunca haviam se pesado. Acompanhar o peso não é apenas uma questão estética — é uma forma de cuidar da saúde. O excesso de peso e, principalmente, a obesidade estão associados a maior risco de hipertensão, diabetes tipo 2, alterações do colesterol e doença cardiovascular. O tecido adiposo em excesso também participa de processos inflamatórios e metabólicos que podem favorecer o desenvolvimento dessas doenças.
O objetivo, portanto, não deve ser perseguir um padrão de beleza, mas conhecer e cuidar do próprio corpo. Alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento de indicadores de saúde formam um conjunto de atitudes muito mais importante do que qualquer número isolado na balança. Cuidar do coração é, em grande medida, cuidar das escolhas que fazemos todos os dias — e a pesquisa da Socesp mostra que essas escolhas ainda estão em aberto para muita gente.
Citas Notables
Quanto mais extensa e composta por nomes pouco familiares a lista de ingredientes, maior a chance de se tratar de um ultraprocessado— Orientação da pesquisa Socesp para identificar alimentos ultraprocessados
Alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento de indicadores de saúde formam um conjunto de atitudes muito mais importante do que qualquer número isolado na balança— Conclusão da pesquisa Socesp sobre cuidados cardiovasculares