Na segunda-feira, a Colômbia foi sacudida por um terremoto de magnitude 7,4 que ceifou 254 vidas e transformou bairros inteiros de Cali e outras cidades em campos de ruínas. O tremor, cujo epicentro ficou próximo a Pereira, alcançou 14 dos 32 estados do país, lembrando que a terra guarda forças que nenhuma arquitetura humana pode ignorar por completo. Em meio ao desespero, resgatistas, jornalistas e cidadãos comuns tecem juntos uma resposta coletiva ao caos, movidos por cada sinal de vida que ainda emerge dos escombros.
Equipe do JN acompanha resgates desesperados após terremoto de 7,4 na Colômbia
Cada escombro, uma história de quem quase não sobreviveu
Por que o solo mole do Rio Cauca fez tanta diferença na destruição?
Prédios antigos não têm as fundações preparadas para absorver ondas sísmicas em terreno instável. O solo firme distribui a energia do tremor; o mole a amplifica. Aqueles edifícios de três décadas nunca foram testados assim.
Como é possível encontrar alguém vivo 30 horas depois?
Bolsas de ar se formam entre os escombros. Se a pessoa não foi esmagada nos primeiros segundos, pode sobreviver respirando naqueles espaços. A bebê de 6 meses provou isso.
O presidente estava em Cali por acaso?
Não. Ele quebrou tradição ao fazer sua posse lá em vez de Bogotá. Três dias depois, o desastre o força a lidar com a crise em seu próprio território de posse. É uma ironia pesada.
Por que o repórter chorava?
Porque conhecia a vítima que estava entrevistando. Depois de cobrir quedas de avião e atentados, isso era diferente — era pessoal. E ele ainda usava a roupa de academia.
Os tremores secundários continuam a ser um problema?
Sim. Centenas deles. Estruturas já comprometidas desabam novamente. Os resgatistas trabalham sabendo que o chão pode se mover a qualquer momento.
El Pulso
- Com 254 mortos confirmados e centenas de tremores secundários desestabilizando estruturas já comprometidas, cada hora que passa reduz as chances de encontrar sobreviventes.
- Dois edifícios de cinco andares desabaram em Cali, 5 mil imóveis foram danificados e 24 unidades de saúde foram afetadas, deixando cidades sem luz, água e atendimento médico adequado.
- Resgatistas pedem silêncio absoluto a cada sinal detectado, trabalham com mãos e baldes entre vigas retorcidas, e aplausos espontâneos irrompem cada vez que um sobrevivente é retirado dos destroços.
- Uma mãe e sua filha de 6 meses foram encontradas praticamente ilesas, e quase 30 horas após o terremoto uma mulher saiu consciente e falando dos escombros — histórias que renovam a energia das equipes.
- A comunidade internacional já anunciou assistência, e o presidente colombiano, empossado em Cali apenas três dias antes do desastre, retornou à cidade para liderar a resposta ao seu primeiro grande teste como mandatário.
Na segunda-feira, a Colômbia foi sacudida por um terremoto de magnitude 7,4 que ceifou 254 vidas e transformou bairros inteiros de Cali e outras cidades em campos de ruínas. O tremor, cujo epicentro ficou próximo a Pereira, alcançou 14 dos 32 estados do país, lembrando que a terra guarda forças que nenhuma arquitetura humana pode ignorar por completo. Em meio ao desespero, resgatistas, jornalistas e cidadãos comuns tecem juntos uma resposta coletiva ao caos, movidos por cada sinal de vida que ainda emerge dos escombros.
Um terremoto de magnitude 7,4 sacudiu a Colômbia na segunda-feira, matando 254 pessoas e convertendo partes de Cali, Pereira e outras cidades em campos de ruínas. O epicentro ficou próximo a Pereira, mas foi Cali — a terceira maior cidade do país — que concentrou os danos mais graves. Ao todo, 14 dos 32 estados colombianos foram atingidos, e centenas de tremores secundários continuam a ameaçar estruturas já fragilizadas.
Os repórteres Tiago Eltz e Rogério Rocha chegaram a Cali para documentar as buscas. Encontraram um caos organizado: resgatistas exigindo silêncio a cada sinal de vida, famílias vasculhando escombros à procura de parentes, e dois edifícios de cinco andares completamente colapsados sobre 32 apartamentos. O solo mole do leito do Rio Cauca agravou a destruição, e prédios com mais de três décadas simplesmente não resistiram.
As histórias humanas atravessam o horror em ambas as direções. Uma mãe procura a filha de 11 anos ouvindo batidas cada vez mais fracas nas ruínas. Um homem escapou com a mãe 30 segundos antes de o prédio vizinho desabar, levando consigo outras oito pessoas. O jornalista colombiano Raul chorava enquanto entrevistava vítimas no centro de identificação — porque conhecia pessoalmente quem estava sendo resgatado. Um colega repórter esportivo retirou o corpo da própria esposa dos escombros e, na manhã seguinte, ainda usava a roupa de academia que vestia quando o terremoto começou.
Mas há também vida emergindo dos destroços. Durante a noite, resgatistas encontraram uma mãe e sua filha de 6 meses praticamente ilesas. Quase 30 horas após o tremor, bombeiros retiraram uma mulher consciente e falando de sob os escombros de 32 apartamentos — e os socorristas choraram e se abraçaram antes de voltar ao trabalho.
Segundo a ONU, mais de 5 mil imóveis foram danificados e 24 unidades de saúde afetadas. Apagões e falta de água atingem várias cidades. O presidente colombiano, empossado em Cali apenas três dias antes — quebrando a tradição de cerimônia em Bogotá —, retornou à cidade para enfrentar seu primeiro grande desafio. A comunidade internacional já anunciou assistência, e as operações de resgate seguem ininterruptas, alimentadas por cada sobrevivente encontrado.
Um terremoto de magnitude 7,4 sacudiu a Colômbia na segunda-feira, deixando 254 mortos confirmados e transformando cidades inteiras em campos de ruínas. A onda de choque atingiu 14 dos 32 estados do país, com o epicentro próximo a Pereira e o maior estrago concentrado em Cali, a terceira maior cidade colombiana. Desde então, centenas de tremores secundários continuam a desestabilizar estruturas já comprometidas, enquanto equipes de resgate trabalham contra o tempo em um cenário de desespero controlado.
Os repórteres Tiago Eltz e Rogério Rocha chegaram a Cali para documentar as operações de busca por sobreviventes. O que encontraram foi um caos organizado: resgatistas gritando pedidos de silêncio a cada sinal de vida detectado, pessoas correndo entre os escombros em busca de familiares, e uma tensão que permeia cada movimento. Dois edifícios de cinco andares desabaram, esmagando 32 apartamentos sob toneladas de concreto e aço. Os socorristas experientes, acostumados com tragédias, veem seus nervos à flor da pele diante da magnitude do desastre.
O solo mole criado pelo leito do Rio Cauca, que passa pela região sul de Cali, agravou a destruição. Prédios com mais de três décadas não resistiram ao tremor mais forte que a Colômbia enfrentou neste século. Mulheres e homens caminham sobre os escombros procurando seus entes queridos. Uma mãe procura a filha de 11 anos e os pais, ouvindo batidas cada vez mais fracas vindas das ruínas. Um homem relata ter saído de casa com a mãe apenas 30 segundos antes do prédio vizinho desabar, levando consigo duas famílias — oito pessoas que também conseguiram escapar. Cada história é um fio de esperança em meio ao horror.
Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 5 mil casas e apartamentos foram danificados. Vinte e quatro unidades de saúde foram afetadas, complicando ainda mais o atendimento às vítimas. Várias cidades enfrentam apagões generalizados e problemas críticos no abastecimento de água. O presidente colombiano, que havia tomado posse em Cali apenas três dias antes — quebrando a tradição de cerimônia na capital Bogotá — retornou à cidade para enfrentar seu primeiro grande desafio como mandatário. Depois visitou Pereira, uma das localidades mais atingidas.
Os jornalistas colombianos que cobrem o desastre carregam o peso de histórias anteriores. Um deles, Raul, chorava enquanto entrevistava vítimas no centro de identificação montado pelo governo — não por falta de profissionalismo, mas porque conhecia pessoalmente quem estava sendo resgatado. Um repórter esportivo que trabalhava com ele estava na academia com a esposa quando o terremoto começou. Ela saiu 30 minutos antes dele. Naquela terça-feira, o repórter ainda usava a mesma roupa de academia, a mesma que vestia quando retirou o corpo da mulher dos escombros.
Mas há também histórias de vida. Durante a noite, resgatistas encontraram uma mãe e sua filha de apenas 6 meses praticamente ilesas sob os destroços. A notícia se espalhou e motivou as buscas com renovada energia. Quase 30 horas após o terremoto, em uma tarde escaldante de Cali, os bombeiros conseguiram retirar uma mulher viva de sob os escombros de 32 apartamentos. Ela saiu consciente, falando, viva. Os socorristas choraram de alegria, abraçaram-se em comemoração breve antes de retornar ao trabalho nos entulhos. Com mãos e baldes, todos continuam abrindo caminho entre vigas contorcidas, e cada vez que alguém é resgatado, aplausos ecoam antes mesmo que um rosto seja visto sendo retirado dos destroços.
A comunidade internacional já anunciou assistência e doações. A Colômbia, país acostumado a tragédias ao longo dos séculos, enfrenta agora uma das piores crises naturais de sua história recente. As operações de resgate continuam ininterruptas, alimentadas por cada sobrevivente encontrado e pela determinação de quem segue procurando.
Citas Notables
É muito tenso, é frenético, às vezes parece desorganizado. É que duas torres de cinco andares, 32 apartamentos se amontoam, esmagando os nervos de socorristas experientes— Repórter Tiago Eltz, do Jornal Nacional
Quase 30 horas depois do terremoto, debaixo do escombro de 32 apartamentos, os bombeiros nessa tarde escaldante de Cali conseguem retirar uma mulher com vida— Repórter Tiago Eltz, descrevendo resgate bem-sucedido