Em São Paulo, um vídeo gravado pelo próprio entregador revelou uma fraude que cresce nas sombras da economia de delivery: enquanto distrai o cliente, o homem filma os dados do cartão e parte da senha digitada. O Procon-SP registrou um aumento de 186% nesse tipo de golpe em 2021, sinalizando que a conveniência das entregas por aplicativo carrega um risco invisível — o de perder dados bancários sem sequer perceber que o cartão ainda está nas próprias mãos.
Entregador filma dados de cartão em golpe que cresce 186% em São Paulo
Enquanto fala, a atenção dela está dividida; ele filma.
Por que esse golpe específico — o entregador filmando o cartão — se tornou tão comum agora? O que mudou?
A combinação de três coisas. Primeiro, o delivery explodiu durante a pandemia, então há muito mais transações acontecendo na porta das casas. Segundo, a maioria das pessoas ainda paga na entrega porque é mais fácil, mais familiar. E terceiro, um smartphone na mão de qualquer pessoa é uma câmera de alta definição — não precisa de equipamento sofisticado para capturar os dados.
Mas a vítima vê o entregador com o celular. Como ele consegue fazer isso sem ser notado?
Ele cria uma distração. Diz que a máquina não está pegando sinal, que precisa esperar, que está com problema. Enquanto fala, enquanto a atenção dela está dividida entre ouvir a explicação e procurar o cartão, ele filma. É rápido. E depois ele oferece ajuda — ilumina a máquina — o que parece gentil, mas na verdade o coloca na posição perfeita para ver a senha sendo digitada.
Se a pessoa ainda tem o cartão depois, como o fraudador consegue usar os dados?
Porque para compras online você não precisa do cartão físico. Só precisa dos números, da data de validade e do código de segurança. Com isso, você faz compras em qualquer site. A vítima não descobre até receber a fatura ou o banco a avisar.
O Procon recomenda pagar no aplicativo. Mas nem todo mundo tem acesso fácil a isso — alguns idosos, por exemplo, podem não se sentir confortáveis.
É verdade. Por isso as outras recomendações importam: recusar máquinas com visor quebrado, manter o cartão em suas próprias mãos, não deixar ninguém se aproximar enquanto digita a senha. Se a pessoa vai pagar na entrega, precisa estar atenta o tempo todo. Não é paranoia — é necessário agora.
El Pulso
- Um vídeo viral expôs um entregador filmando frente, verso e parte da senha do cartão de uma cliente em São Paulo, sem que ela percebesse.
- O golpe é especialmente perigoso porque a vítima permanece com o cartão físico — a fraude só é descoberta na fatura ou por alerta do banco.
- Os registros desse tipo de crime em entregas por aplicativo saltaram 186% entre janeiro e maio de 2021 em comparação ao mesmo período de 2020.
- A polícia abriu inquérito, apreendeu o celular do entregador e aguarda autorização judicial para analisar o conteúdo do aparelho.
- O Procon-SP recomenda pagar pelo aplicativo antes da entrega, recusar maquininhas com visor danificado e nunca permitir que ninguém se aproxime durante a digitação da senha.
Em São Paulo, um vídeo gravado pelo próprio entregador revelou uma fraude que cresce nas sombras da economia de delivery: enquanto distrai o cliente, o homem filma os dados do cartão e parte da senha digitada. O Procon-SP registrou um aumento de 186% nesse tipo de golpe em 2021, sinalizando que a conveniência das entregas por aplicativo carrega um risco invisível — o de perder dados bancários sem sequer perceber que o cartão ainda está nas próprias mãos.
Um vídeo gravado pelo próprio celular de um entregador de aplicativo circulou pelas redes sociais e expôs uma tática de fraude que vinha crescendo silenciosamente em São Paulo. Na gravação, o homem filma deliberadamente os números da frente e do verso do cartão de débito de uma cliente enquanto inventa uma desculpa sobre o sinal da maquininha. O rosto dele aparece claramente; o dela, não.
O golpe vai além da captura dos dados do cartão. Em seguida, o entregador se oferece para iluminar a maquininha enquanto a cliente digita a senha — e consegue registrar parte dos dígitos. Com essas informações combinadas, é possível realizar compras online sem precisar do cartão físico. A vítima só percebe o problema quando recebe a fatura ou é contactada pelo banco.
O caso não é isolado. O Procon de São Paulo registrou um aumento de 186% nesse tipo de golpe comparando janeiro a maio de 2021 com o mesmo período de 2020. A polícia abriu inquérito e apreendeu o celular do entregador, cujo conteúdo será analisado mediante autorização judicial.
O que torna a fraude particularmente insidiosa é a falsa sensação de segurança: o consumidor mantém o cartão nas mãos durante toda a transação e não percebe que seus dados foram capturados. O diretor do Procon-SP, Fernando Capez, recomenda pagar pelo aplicativo no momento do pedido, evitando o pagamento na entrega. Se isso não for possível, o consumidor deve recusar maquininhas com visor danificado, conferir o valor cobrado e nunca permitir que alguém se aproxime durante a digitação da senha. Casos suspeitos devem ser comunicados à empresa de delivery e registrados em boletim de ocorrência.
Um vídeo que circulou pelas redes sociais e grupos de WhatsApp nos últimos dias expôs uma tática de fraude que vinha crescendo silenciosamente entre entregadores de aplicativos de comida. A gravação, feita pelo celular do próprio entregador, mostra o momento em que uma mulher recebe seu pedido à porta de casa em São Paulo. O homem, com a câmera ligada sem que ela perceba, filma deliberadamente os números da frente e do verso do cartão de débito dela enquanto inventa uma desculpa — diz que está aguardando o sinal de satélite da máquina de pagamento funcionar direito, que às vezes as máquinas "ficam doidinhas" quando há muitos pedidos na rua. Seu rosto fica claro na gravação; o dela, não.
Mas o golpe não termina ali. Depois de capturar os dados do cartão, o entregador se oferece para iluminar a maquininha enquanto a cliente digita sua senha. Ela aceita a ajuda. Nesse momento, ele consegue registrar também parte dos dígitos que ela pressiona — informação que, combinada com os números já fotografados, é tudo o que um fraudador precisa para fazer compras online em nome da vítima.
O caso não é um incidente isolado. De acordo com o Procon de São Paulo, o número de registros de golpes desse tipo durante entregas por aplicativo cresceu 186% quando se compara o período acumulado de janeiro a maio de 2021 com os mesmos meses de 2020. A polícia de São Paulo confirmou que registrou o caso em boletim de ocorrência e abriu inquérito policial. O celular do entregador foi apreendido, e seu conteúdo será analisado caso haja autorização judicial.
O que torna essa fraude particularmente insidiosa é a falsa sensação de segurança que as vítimas carregam. Diferentemente de um roubo de cartão físico, a pessoa continua com seu cartão nas mãos durante toda a transação. Ela não percebe que seus dados foram capturados. Basta ter acesso aos números da frente, verso, data de validade e código de segurança para fazer compras online sem que o cartão físico seja necessário — a vítima só descobre o problema quando recebe a fatura ou quando o banco a contacta sobre atividades suspeitas.
O Procon-SP divulgou uma série de recomendações para se proteger. A mais direta é pagar pelo aplicativo no momento do pedido, evitando completamente o pagamento na entrega — o momento exato em que o golpe acontece. Se for necessário pagar na hora, o consumidor deve recusar máquinas com o visor quebrado ou que não permitam ler os dados com clareza. Deve conferir o valor da compra e desconfiar se o entregador mencionar qualquer taxa extra. Acima de tudo, deve manter o cartão em suas próprias mãos e prestar atenção redobrada ao digitar a senha, sem permitir que ninguém se aproxime ou ilumine a máquina durante esse momento crítico.
Fernando Capez, diretor do Procon-SP, reforçou em nota que o consumidor deve fazer o pagamento online no momento do pedido, lembrando que não existem taxas de entrega ou outras cobranças extras legítimas. Qualquer situação diferente deve ser comunicada imediatamente à empresa de delivery. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo também ressaltou a importância de registrar ocorrências criminais, seja em delegacia física ou pela Delegacia Eletrônica, para que os crimes sejam investigados e os autores presos. No caso de estelionato, a representação criminal da vítima é necessária conforme a lei.
O vídeo viral serviu como um alerta sobre um problema que vinha crescendo nos bastidores do comércio de delivery. Enquanto a polícia investiga o caso específico, consumidores em todo o Brasil estão sendo orientados a mudar seus hábitos de pagamento — uma mudança que, para muitos, significa abandonar a conveniência de pagar na porta de casa em favor da segurança de transações já concluídas no aplicativo.
Citas Notables
Vou pegar o sinalzinho da máquina, tá? Quando tem muito pedido na rua, elas ficam doidinhas— O entregador, enquanto filmava os dados do cartão
O consumidor deve procurar fazer o pagamento no momento do pedido, de forma online, evitando pagar na hora da entrega, que é o momento em que o golpe é aplicado— Fernando Capez, diretor do Procon-SP