Em um tempo em que muitas mulheres convivem com dores que parecem comuns demais para merecer atenção, a endometriose, doença inflamatória que afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, revela suas conexões com outras condições do corpo. Um conteúdo patrocinado do Estadão Blue Studio reúne a visão de especialistas de diferentes áreas sobre quatro dessas companheiras silenciosas: infertilidade, enxaqueca, alterações da pele e lipedema. O recado que atravessa as falas é que a doença ginecológica não deve ser vista isoladamente, pois ela pode esconder outras necessidades de cuid
Endometriose pode vir acompanhada de infertilidade, enxaqueca, alterações de pele e lipedema
Não basta operar o lipedema: é preciso tratar a endometriose junto.
Qual é a ideia central do texto?
Que ter endometriose não encerra a investigação. Dor de cabeça, alterações de pele ou inchaço nas pernas podem ser outras doenças, com tratamento próprio.
A enxaqueca é o exemplo mais claro?
Sim. O neurologista Tiago de Paula diz que atribuir tudo à endometriose pode atrasar o diagnóstico da enxaqueca.
Vale notar que o texto é conteúdo patrocinado, e o cirurgião do lipedema é fundador de uma clínica que trata lipedema.
Verdade. Ele é fonte e tem atividade ligada ao tema, e isso merece ser lembrado ao ler.
E sobre a pele?
A dermatologista Glauce Eiko é cautelosa: as evidências são iniciais e não provam causa e efeito, exceto na endometriose cutânea, que é rara.
Outro ponto: os 50% de chance de gravidez após laparoscopia vêm de um único médico, sem estudo citado.
Exato, é uma afirmação atribuída, não verificada aqui.
E a prevenção?
A causa não é definida, então os médicos falam em diagnóstico precoce, não em prevenção.
O Pulso
- A endometriose, que atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, segue sem causa definida e frequentemente é confundida com cólica menstrual comum.
- Muitas pacientes só descobrem a doença quando tentam engravidar, e mesmo após o tratamento a chance de gestação futura é de apenas cerca de 50% após laparoscopia.
- Médicos alertam que a enxaqueca e o lipedema são doenças independentes, e que tratar apenas o ciclo ginecológico pode deixar essas dores sem atenção adequada.
- O caminho apontado é o diagnóstico precoce e o acompanhamento ginecológico regular, especialmente para quem usa contraceptivos, com tratamento que combina estilo de vida, ajuste hormonal, analgésicos, anti-inflamatórios e cirurgia nos casos graves.
Em um tempo em que muitas mulheres convivem com dores que parecem comuns demais para merecer atenção, a endometriose, doença inflamatória que afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, revela suas conexões com outras condições do corpo. Um conteúdo patrocinado do Estadão Blue Studio reúne a visão de especialistas de diferentes áreas sobre quatro dessas companheiras silenciosas: infertilidade, enxaqueca, alterações da pele e lipedema. O recado que atravessa as falas é que a doença ginecológica não deve ser vista isoladamente, pois ela pode esconder outras necessidades de cuidado que pedem investigação própria.
A endometriose atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Trata-se de uma doença inflamatória crônica em que células da mucosa do útero passam a crescer fora dele, podendo causar cólicas incapacitantes, dor pélvica, dor na relação sexual e alterações intestinais e urinárias. Diante disso, o Estadão Blue Studio reuniu médicos de cinco áreas para falar de quatro condições que costumam aparecer junto com ela e que pedem cuidado próprio.
A primeira é a infertilidade. Segundo o médico Rodrigo Rosa, a endometriose é a principal causa de infertilidade feminina, pois as células espalhadas atrapalham a implantação do embrião. Como a dor intensa é frequentemente tomada por cólica, muitas mulheres só descobrem a doença ao tentar engravidar. Mesmo após o tratamento, a chance de gravidez pode ser de apenas 50% após laparoscopia, e a fertilização in vitro pode ser indicada.
A segunda é a enxaqueca. O neurologista Tiago de Paula explica que as duas doenças compartilham mecanismos ligados às oscilações do estrogênio e a substâncias inflamatórias, além de possível sobreposição genética. Ele alerta que tratar a dor de cabeça apenas como sintoma ginecológico pode atrasar o diagnóstico de uma doença neurológica independente.
A terceira é a pele. A dermatologista Glauce Eiko cita estudos que relatam mais acne, psoríase e alopecia areata em mulheres com endometriose, ligados a mecanismos hormonais e imunológicos compartilhados, ainda sem comprovação de causa e efeito. Já a endometriose cutânea, rara, forma nódulos dolorosos em cicatrizes ou no umbigo, e lesões que se alteram ciclicamente merecem avaliação.
A quarta é o lipedema, doença do tecido adiposo com acúmulo desproporcional de gordura, sobretudo em pernas e quadris. O cirurgião Rafael Erthal considera que as duas doenças podem coexistir e que a inflamação da endometriose pode desencadear os sintomas do lipedema, por isso ambas devem ser tratadas juntas.
Por fim, o ginecologista Nélio Veiga Junior defende o acompanhamento regular para detectar a doença cedo. Como a causa envolve fatores genéticos e imunológicos, a prevenção é difícil, mas o tratamento existe e varia conforme a gravidade, indo de mudanças de estilo de vida à cirurgia nos casos mais graves.
A endometriose atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma doença inflamatória crônica: células do endométrio, a mucosa que reveste a parede do útero, passam a crescer fora da cavidade uterina. Segundo a ginecologista Ana Paula Fabricio, a doença pode causar cólicas incapacitantes, dor pélvica, dor durante a relação sexual e alterações intestinais e urinárias. Um conteúdo patrocinado do Estadão Blue Studio reúne a opinião de médicos de cinco áreas sobre quatro condições que podem aparecer junto com ela e que, segundo eles, pedem investigação e tratamento próprios.
A primeira é a infertilidade. O reprodutor humano Rodrigo Rosa, diretor clínico da Clínica Mater Prime, em São Paulo, afirma que a endometriose é a principal causa de infertilidade feminina, porque as células do endométrio espalhadas pelo aparelho reprodutivo atrapalham a implantação do embrião. Como a dor pélvica intensa costuma ser confundida com cólica menstrual, muitas mulheres só descobrem a doença quando têm dificuldade para engravidar. Mesmo com tratamento, a gravidez pode não acontecer: os sintomas e a dificuldade podem voltar depois de um tempo e, segundo o médico, só 50% das pacientes tratadas por laparoscopia têm chance de engravidar no futuro. Nesses casos pode ser indicada a fertilização in vitro, que, nas palavras dele, segue o mesmo processo de qualquer outra paciente e tem as mesmas taxas de sucesso.
A segunda é a enxaqueca. O neurologista Tiago de Paula, especialista em cefaleia pela EPM/Unifesp, explica que as duas doenças são distintas, mas compartilham mecanismos: a sensibilidade às oscilações do estrogênio e a ação de substâncias inflamatórias, como prostaglandinas e citocinas, que aumentam a sensibilidade à dor. Ele acrescenta que provavelmente há também uma sobreposição genética. Segundo ele, muitas pacientes e até médicos tratam a dor de cabeça como simples sintoma da endometriose e se limitam ao cuidado ginecológico. Isso, alerta, pode atrasar o reconhecimento da enxaqueca, doença neurológica independente, e deixar a paciente sem cuidado adequado, com prejuízo progressivo à qualidade de vida.
A terceira é a pele. A dermatologista Glauce Eiko, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cita estudos observacionais que relatam maior frequência de acne, oleosidade, psoríase, alopecia areata e outras dermatoses inflamatórias ou autoimunes em mulheres com endometriose. Com exceção da forma cutânea, diz ela, essas alterações não são causadas diretamente pela doença e parecem ligadas a mecanismos hormonais e imunológicos compartilhados, como estrogênio, progesterona, andrógenos e inflamação crônica. As evidências são iniciais e não permitem afirmar causa e efeito. A endometriose cutânea, rara, é manifestação direta: o tecido endometrial se implanta na pele, em geral formando nódulos dolorosos em cicatrizes abdominais ou no umbigo. Lesões que crescem, doem, sangram ou mudam de cor de modo cíclico, acompanhando a menstruação, merecem avaliação dermatológica.
A quarta é o lipedema, doença crônica do tecido adiposo com acúmulo desproporcional de gordura, principalmente em pernas e quadris e, às vezes, nos braços. O cirurgião plástico Rafael Erthal, fundador da clínica Blue, diz que não é raro que as duas doenças coexistam. Ele aponta semelhanças como forte componente hormonal, inflamação, dor crônica e diagnóstico demorado. O lipedema vem com dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso, inchaço e hematomas frequentes. Para Erthal, a inflamação da endometriose pode funcionar como gatilho dos sintomas do lipedema, e por isso não basta operar o lipedema: é preciso tratar a endometriose ao mesmo tempo.
O ginecologista Nélio Veiga Junior, pós-doutorando em menopausa, defende o acompanhamento ginecológico regular, sobretudo para quem usa pílula ou outros contraceptivos, como forma de detectar a doença cedo. A causa não está definida e envolve fatores genéticos e imunológicos, o que torna difícil falar em prevenção. O tratamento, porém, existe e varia conforme a gravidade e as características da paciente. Segundo Ana Paula Fabricio, inclui mudanças de estilo de vida, ajuste hormonal, analgésicos e anti-inflamatórios, e cirurgia nos casos mais graves.
Citações Notáveis
A enxaqueca é uma doença neurológica independente e precisa de acompanhamento e tratamento próprios, mesmo quando a paciente também tem endometriose.— Dr. Tiago de Paula, neurologista