Eletricista diz que apenas 'emprestou dados' para ONG de Karina da Gama há 12 anos

Forneceu dados para ajudar, mas nunca tocou nas contas
A defesa de Natividade nega qualquer envolvimento ativo na administração do instituto, apesar de sua assinatura constar em documentos de movimentações milionárias.
Mark

Por que um eletricista aparece como tesoureiro de uma organização que movimenta R$ 83 milhões em um ano?

Mimi

A defesa dele diz que foi apenas um empréstimo de dados pessoais há 12 anos, a pedido da prima. Ele nunca teria tocado nas contas.

Luke

Mas ele assinou os documentos. A Polícia Federal o apontou especificamente pelas assinaturas. Isso é fato confirmado?

Mimi

Sim, a PF diz que sua assinatura aparece nesses documentos. A defesa não nega isso — apenas nega que ele tenha realmente movimentado o dinheiro.

Mark

Então alguém está usando a assinatura dele sem autorização?

Luke

Ou ele está sendo usado como fachada. Mas a defesa não oferece uma explicação para como a assinatura chegou lá se ele nunca acessou as contas.

Mimi

A proximidade familiar é o argumento. Ele morava ao lado da família dela. Confiança, segundo os advogados.

Mark

E Karina da Gama? Ela está respondendo?

Mimi

Ela apresentou uma reclamação constitucional ao STF e diz que entregou mais de 20 mil páginas de documentos à Polícia Federal voluntariamente.

Luke

Voluntariamente depois de uma operação. Isso é colaboração ou resposta a pressão?

Mimi

A defesa dela chama de colaboração espontânea. Mas o timing importa — a operação foi em 10 de setembro, e ela entregou documentos na sexta anterior.

Mark

Então o que ainda não sabemos?

Luke

Por que um eletricista que trabalha na região Norte de São Paulo teria assinatura em documentos de uma ONG que contrata com a Prefeitura. E se ele realmente não movimentou nada, quem movimentou?

  • A Polícia Federal aponta o nome de um eletricista em documentos de transferências milionárias de uma ONG com contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, criando uma contradição difícil de ignorar.
  • A casa de Vanderlei Natividade na Vila Brasilândia foi alvo de operação autorizada pelo ministro Flávio Dino do STF, elevando a pressão institucional sobre um homem que se descreve como simples prestador de serviços elétricos.
  • A defesa tenta desfazer o nó argumentando que o nome de Natividade foi emprestado há 12 anos por laços de parentesco com Karina da Gama, sem que ele jamais tenha exercido qualquer função real ou movimentado contas.
  • Karina da Gama, por sua vez, reagiu à operação com uma reclamação constitucional ao STF e apresentou mais de 20 mil páginas de documentos à PF, sinalizando uma estratégia de colaboração ativa para conter os danos.
  • A investigação permanece aberta e a pergunta sem resposta é a mais simples — e a mais grave: por que a assinatura de um eletricista aparece em movimentações de dezenas de milhões de reais?

No coração de São Paulo, um eletricista da Vila Brasilândia se vê formalmente ligado a dezenas de milhões de reais em movimentações de uma ONG — não por ambição, segundo sua defesa, mas por um gesto de confiança familiar feito há mais de uma década. O caso de Vanderlei Magalhães Natividade levanta uma questão que atravessa muitas investigações sobre corrupção: onde termina a ingenuidade e começa a cumplicidade? Enquanto a Polícia Federal apura assinaturas que somam R$ 83 milhões em um único ano, a distância entre um nome no papel e uma responsabilidade real permanece, por ora, o nó central do inquérito.

Vanderlei Magalhães Natividade é eletricista, mora na Zona Norte de São Paulo e, segundo os registros da Polícia Federal, figura como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil — a ONG de Karina da Gama que mantém um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. A PF o identifica como a pessoa cuja assinatura aparece em documentos de transferências que somaram cerca de R$ 83 milhões em apenas um ano. Na última quinta-feira, sua casa na Vila Brasilândia foi alvo de operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

Seus advogados, Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro, apresentaram uma versão radicalmente diferente. Segundo eles, Natividade forneceu seus dados pessoais há 12 anos, a pedido da prima Karina da Gama, para ajudar na constituição formal da instituição. Seu nome foi registrado como tesoureiro estatutário, mas a defesa é categórica: ele nunca exerceu qualquer atividade real, nunca movimentou contas da entidade e nunca recebeu valores em razão do cargo que ostentava apenas no papel. A proximidade familiar — ele chegou a morar em imóvel vizinho ao da família de Karina — explicaria por que seu nome foi escolhido.

Os advogados descrevem Natividade como um pequeno empresário sem qualquer ligação com política, cultura ou com o filme 'Dark Horse', produção de Karina da Gama sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, também investigada. Natividade já havia sido alvo de buscas da Polícia Civil em junho e da PF em setembro.

Do lado de Karina da Gama, o advogado Ricardo Sayeg afirma que ela colaborava espontaneamente com a investigação e, na véspera da operação, entregou à PF mais de 20 mil páginas de documentos. Após as buscas, sua defesa apresentou reclamação constitucional ao STF — não para questionar o mérito da investigação, mas para assegurar o cumprimento de decisões da Presidência da corte e a competência do juiz natural. O Instituto Conhecer Brasil não respondeu por que Natividade ainda consta como tesoureiro em seus registros. A investigação segue aberta.

Um eletricista que mora na Zona Norte de São Paulo está no centro de uma investigação que envolve dezenas de milhões de reais em movimentações financeiras. Vanderlei Magalhães Natividade aparece formalmente como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, a organização não governamental de Karina da Gama que mantém um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. A Polícia Federal o apontou como a pessoa cuja assinatura consta em documentos relacionados a transferências que totalizaram aproximadamente R$ 83 milhões em apenas um ano. Sua casa, na Vila Brasilândia, foi alvo de uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal na última quinta-feira.

Os advogados de Natividade, Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro, apresentaram uma defesa que reduz drasticamente o escopo de seu envolvimento. Segundo eles, o eletricista forneceu seus dados pessoais há 12 anos, a pedido de sua prima Karina da Gama, para ajudar na criação formal da instituição. Naquele momento, seu nome foi registrado como tesoureiro estatutário. Mas a defesa é categórica: ele nunca exerceu qualquer atividade real no instituto, nunca movimentou contas bancárias da entidade e nunca recebeu qualquer valor em razão dessa posição executiva que ostentava apenas no papel.

A proximidade familiar oferece, segundo os advogados, a explicação para essa situação. Natividade chegou a morar em um imóvel vizinho ao da família de Karina da Gama, e essa relação de confiança teria motivado o uso de seu nome na constituição do instituto. Os advogados descrevem Natividade como um pequeno empresário que trabalha como eletricista nas regiões Norte e Oeste de São Paulo, sem qualquer envolvimento com política, produção cultural, eventos ou com a produção do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro e é produzido por Karina da Gama.

A investigação da Polícia Federal está apurando suspeitas envolvendo recursos públicos e movimentações financeiras relacionadas ao instituto e ao filme. Natividade foi alvo de buscas da Polícia Civil de São Paulo em 1º de junho e da Polícia Federal em 10 de setembro. A defesa de Karina da Gama, por sua vez, apresentou uma reclamação constitucional ao STF após a operação mais recente, uma medida que busca garantir o cumprimento de decisões da Presidência da corte e a competência do juiz natural, sem questionar o mérito da investigação em si.

Segundo o advogado Ricardo Sayeg, que representa Karina da Gama, a empresária vinha colaborando espontaneamente com a investigação. Na sexta-feira anterior à operação, ela entregou à Polícia Federal mais de 20 mil páginas de documentos. A defesa argumenta que essa entrega voluntária de material prova sua boa-fé e lealdade processual. O Instituto Conhecer Brasil não respondeu aos questionamentos sobre o motivo de Natividade ainda constar como tesoureiro da entidade segundo os registros da Polícia Federal. A investigação segue em andamento, com a questão central ainda em aberto: como explicar a assinatura de um eletricista em movimentações de dezenas de milhões de reais.

Vanderlei forneceu seus dados para auxiliá-la na constituição do Instituto Conhecer Brasil há 12 anos, ocasião em que foi registrado formalmente como tesoureiro estatutário, mas nunca exerceu qualquer atividade de fato no instituto
— Advogados Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro, defesa de Vanderlei Magalhães Natividade
A proximidade familiar e a relação de confiança com Karina explicam por que seu nome foi utilizado na constituição do instituto, mas isso não se confunde com qualquer papel ativo na administração ou movimentação de recursos
— Advogados de Vanderlei Magalhães Natividade
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