Ebola ultrapassa 5 mil mortes no Congo e se torna o segundo surto mais letal da história

Mais de 5 mil pessoas morreram e um terço dos mortos sequer chegou a receber atendimento médico.
Um terço dos mortos nunca chegou a um centro de tratamento
Segundo a OMS, muitas vítimas morreram antes mesmo de ser testadas no surto de ebola no Congo.
Mark

Os números são enormes: 5.026 mortes entre 10.351 infectados. O que mais chama a atenção?

Mimi

Que um terço dos mortos nem chegou a um centro de tratamento. Segundo Patrick Otim, da OMS, muitos morreram antes de ser testados. Ninguém teve chance de tentar salvá-los.

Luke

Vale notar de onde vêm os dados. Os totais são do Ministério da Saúde congolês. A estimativa de 80% dos novos casos fora das cadeias de contato é do Africa CDC, não uma contagem independente.

Mark

Por que a falta de vacina pesa tanto?

Mimi

O vírus é o Bundibugyo, e as vacinas e tratamentos feitos para a espécie Zaire não têm eficácia comprovada contra ele. Só há cuidados de suporte.

Luke

Exato, e isso é ausência de eficácia comprovada, não prova de que não funcionem. O texto não detalha testes em andamento.

Mark

E a questão dos salários?

Mimi

Em Tchomia, em Ituri, a equipe parou na sexta-feira por quatro meses de atraso. O centro tem cinco confirmados e dez suspeitos.

Luke

É um caso, e o texto não diz quantas unidades estão em greve. Também não sabemos se a letalidade de quase 50% muda com mais testes, já que tantos morreram sem diagnóstico.

  • Mais de 5 mil mortes já foram registradas, e a letalidade beira 50%, colocando o surto entre os mais devastadores da história.
  • Um terço dos mortos morreu sem nunca chegar a um centro de tratamento, muitas vezes antes mesmo de ser testado.
  • Cerca de 80% dos novos casos surgem fora das cadeias de contato monitoradas, deixando as autoridades correndo atrás da doença.
  • Greves de profissionais sem salário, como a paralisação em Tchomia, e conflitos armados no leste travam a resposta justamente onde a doença é mais intensa.
  • Com casos confirmados no Quênia, na Nigéria e em Uganda, o surto avança por três regiões africanas sem tratamento específico disponível.

Num sábado de fim de outubro, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo anunciou que o surto de ebola causado pela variante Bundibugyo já soma 5.026 mortes entre 10.351 infectados, uma letalidade que se aproxima da metade dos casos. Trata-se, agora, do segundo surto mais mortal da história, atrás apenas da epidemia da África Ocidental de 2014 a 2016. A tragédia se espalha pelo leste congolês, onde a doença avança sem vacina nem terapia aprovadas, e revela, mais uma vez, que a distância entre um doente e o socorro pode ser a diferença entre a vida e a morte.

O Ministério da Saúde da República Democrática do Congo divulgou neste sábado, 31, um balanço doloroso: 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas pelo vírus Bundibugyo. Desde que foi declarado, em meados de maio, o surto chegou a 67 das 178 zonas de saúde do país, com maior concentração no leste, sobretudo em Ituri e Kivu do Norte. Outras 2.788 pessoas conseguiram se recuperar.

Para a Organização Mundial da Saúde, a marca de 5 mil mortes não é apenas uma cifra. São famílias e comunidades devastadas. O maior desafio, segundo o médico Patrick Otim, é chegar a quem ainda não procurou ajuda. Um terço das vítimas nunca chegou a um centro de tratamento, e cerca de 80% dos novos casos escapam das cadeias de contato monitoradas pelas autoridades.

A resposta enfrenta ainda conflitos armados, resistência de parte da população e greves de profissionais sem salário. Em Tchomia, em Ituri, funcionários de um centro de tratamento cruzaram os braços para cobrar quatro meses de atraso, enquanto a unidade seguia atendendo cinco pacientes confirmados e dez suspeitos.

O vírus também cruzou fronteiras. Quênia e Nigéria confirmaram casos em outubro, somando-se a Uganda. Sem vacina nem terapia específica para a Bundibugyo, os médicos contam com cuidados de suporte e com a aposta de que encontrar os doentes mais cedo possa salvar vidas.

O Ministério da Saúde da República Democrática do Congo divulgou neste sábado, 31, os números mais recentes do surto de ebola no país: 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas. A taxa de letalidade chega perto de 50%. Outras 2.788 pessoas se recuperaram da doença.

O surto é causado pelo vírus Bundibugyo e foi declarado em meados de maio. Com os números atuais, tornou-se o segundo mais mortal da história. Fica atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, quando 11 mil pessoas morreram em diferentes países.

Desde maio, a doença chegou a 67 das 178 zonas de saúde do Congo, espalhadas por oito das 26 províncias. A maior concentração está no leste, sobretudo em Ituri e Kivu do Norte, que juntas somam 9.782 casos confirmados e 4.792 mortes.

Para o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a marca de 5 mil mortes é um momento especialmente trágico porque não se resume a uma cifra: são famílias e comunidades devastadas pelo surto.

Um dos principais obstáculos é rastrear quem teve contato com os infectados. Segundo os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), cerca de 80% dos novos casos estão fora das cadeias de contatos monitoradas pelas autoridades. Além disso, um terço das pessoas que morreram nunca chegou a um centro de tratamento; segundo Otim, muitas morreram antes mesmo de ser testadas. Ele classificou isso como uma das maiores preocupações da resposta e perguntou como chegar mais cedo a essas pessoas e fazê-las procurar unidades de saúde, para ter uma chance real de sobreviver.

A resposta também esbarra em conflitos armados no leste do país, na resistência de parte da população às medidas de saúde e em greves de profissionais que estão sem receber salário. Na sexta-feira, 30, funcionários de um centro de tratamento em Tchomia, na província de Ituri, pararam as atividades para cobrar quatro meses de pagamentos atrasados. A unidade atende cinco pacientes com diagnóstico confirmado e dez casos suspeitos.

O surto cruzou fronteiras. Em outubro, Quênia e Nigéria confirmaram casos. O Quênia registrou oito infecções e duas mortes. Na Nigéria, o único paciente com diagnóstico confirmado foi transferido para a Suíça. Uganda também já havia registrado casos. Com ocorrências em três regiões africanas, este é considerado o surto de maior alcance geográfico já observado no continente.

A espécie Bundibugyo foi identificada pela primeira vez em 2007, no distrito de mesmo nome, em Uganda. Difere da espécie Zaire, responsável por alguns dos maiores surtos, incluindo o da África Ocidental. Vacinas e tratamentos desenvolvidos contra a Zaire não têm eficácia comprovada contra a Bundibugyo, e por isso não há vacina nem terapia específica aprovada. Os pacientes recebem cuidados de suporte, para aliviar sintomas e tratar complicações. Sem esses instrumentos, a contenção depende de chegar mais cedo aos doentes e de reforçar o rastreamento de contatos.

Não se trata apenas de um número: são famílias e comunidades devastadas por esse surto.
— Patrick Otim, gerente de área de programas da OMS
Quieres la nota completa? Lee el original en UOL Notícias ↗
Contáctanos FAQ