É falso que MST destruiu estação de energia no Amapá

Apagão deixou 13 municípios do Amapá sem luz por mais de 20 dias, afetando acesso a serviços bancários, compras e cuidados essenciais durante pandemia.
Trata-se de uma fake news, respondeu o governo do Amapá
O governo do estado negou qualquer envolvimento do MST no apagão e confirmou que o vídeo não foi filmado no Amapá.
Mark

Por que um vídeo de 2017 da Bahia reaparece agora, em novembro de 2020, acusando o MST de derrubar postes no Amapá?

Mimi

Porque o apagão no Amapá foi um evento real que deixou 13 municípios sem luz por mais de vinte dias. Alguém pegou um vídeo antigo de um protesto agrário local e o recontextualizou completamente para culpar o MST, uma organização que é alvo político frequente.

Luke

Mas quem fez isso? O texto diz que tentaram contato com os perfis que compartilharam, mas não obtiveram resposta. Sabemos se foi coordenado ou apenas pessoas compartilhando algo que virou viral?

Mimi

Boa pergunta. O que sabemos é que 110 postagens apareceram no Facebook até 30 de novembro, principalmente em grupos de apoio a Bolsonaro e à Aliança pelo Brasil. Mas o texto não identifica os autores originais — apenas que tentaram contato sem sucesso.

Mark

E o governo do Amapá e o MST — eles responderam rápido?

Mimi

Sim. O governo foi categórico: o vídeo não é do Amapá, não há evidência de envolvimento do MST, é fake news. O MST disse que as acusações são infundadas.

Luke

Mas qual era a causa real do apagão? Porque se foi realmente uma tempestade, a narrativa de sabotagem política fica ainda mais absurda.

Mimi

Inicialmente apontava-se uma tempestade de raios. Mas um laudo posterior da Polícia Civil mostrou que o incêndio começou internamente, em uma bucha da subestação. A Isolux, empresa privada responsável, está enfrentando intimações da justiça federal.

Mark

Então não foi sabotagem política, foi falha técnica ou negligência?

Mimi

Segundo o laudo, foi falha interna. A investigação ainda está em andamento, mas o que está claro é que não teve nada a ver com o MST ou qualquer ato de vandalismo político.

Luke

O vídeo chegou a quantas pessoas? Porque 1,7 mil reações no Facebook pode parecer pouco.

Mimi

110 postagens com 1,7 mil reações no Facebook, mais 47 no Twitter. Mas há também 80 publicações em perfis pessoais, e as duas com maior alcance tiveram 3 mil e 2,7 mil visualizações. Não é viral em escala massiva, mas é o suficiente para confundir a opinião pública sobre as causas reais do apagão.

Mark

E por que isso importa tanto? Por que vários veículos de checagem verificaram a mesma coisa?

Mimi

Porque a desinformação sobre as causas do apagão pode desviar atenção das fragilidades reais do sistema de abastecimento de energia do Amapá. Se as pessoas acreditam que foi sabotagem política, deixam de questionar por que a infraestrutura falhou e por que a empresa privada responsável não conseguiu evitar o problema.

  • Um vídeo de três anos atrás foi reaproveitado com nova legenda para acusar o MST de causar o apagão que deixou o Amapá no escuro por mais de vinte dias durante a pandemia.
  • A mentira se espalhou com força: 110 postagens no Facebook, 1,7 mil reações e 47 publicações no Twitter em apenas uma semana, concentradas em grupos bolsonaristas.
  • O vídeo mostrava, na verdade, agricultores da Bahia derrubando postes em protesto contra obras de irrigação em 2017 — sem qualquer ligação com o MST ou com o Amapá.
  • O governo do Amapá e o próprio MST negaram categoricamente qualquer envolvimento, enquanto investigações apontavam falha técnica interna na subestação como causa real do incêndio.
  • Oito veículos de checagem confirmaram a falsidade da acusação, mas o padrão se repete: não era a primeira vez que o MST era alvo de desinformação fabricada sobre desastres ambientais ou infraestrutura.

Em novembro de 2020, enquanto treze municípios do Amapá viviam mais de vinte dias sem eletricidade após um incêndio em subestação, um vídeo de 2017 filmado na Bahia ressurgiu nas redes sociais com uma nova e falsa acusação: a de que o MST havia destruído a infraestrutura de energia do estado. A desinformação encontrou terreno fértil em grupos políticos polarizados, mas verificadores de múltiplos veículos confirmaram o que o próprio governo do Amapá declarou — tratava-se de uma mentira. O episódio revela como imagens descontextualizadas podem ser armadas como projéteis políticos, desviando a atenção do sofrimento real das pessoas e das causas verdadeiras dos problemas.

No final de novembro de 2020, um vídeo antigo ganhou nova vida nas redes sociais com uma acusação grave: militantes do MST teriam destruído uma estação de energia no Amapá, causando o apagão que havia deixado treze municípios sem luz por mais de vinte dias. A legenda dizia que "a mídia podre" escondia a verdade. A afirmação era completamente falsa.

As imagens eram de novembro de 2017 e haviam sido filmadas em Correntina, na Bahia, onde agricultores locais invadiram uma fazenda para protestar contra obras de irrigação que reduziram o nível do rio Arrojado. O delegado responsável pelo caso na época confirmou que os envolvidos eram moradores da região, sem vínculo com o MST. Nada no vídeo tinha relação com o Amapá ou com o apagão de 2020.

A desinformação circulou com alcance considerável — 110 postagens no Facebook, 1,7 mil reações e dezenas de publicações no Twitter, predominantemente em grupos de apoio ao governo federal. O governo do Amapá respondeu em nota: "Trata-se de uma fake news". O MST também negou qualquer envolvimento, classificando as acusações como infundadas.

O apagão real havia começado quando um incêndio atingiu uma subestação em Macapá. Sem luz, bancos pararam de funcionar, pagamentos com cartão se tornaram impossíveis e os cuidados essenciais durante a pandemia foram comprometidos. Investigações posteriores revelaram que o incêndio teve origem interna, em um componente elétrico da subestação — sem qualquer indício de sabotagem.

Oito veículos de checagem confirmaram a falsidade do vídeo, que já havia sido verificado anteriormente por outras agências. Não era a primeira vez que o MST era falsamente responsabilizado por desastres no país. O episódio expõe um padrão: imagens reais, descontextualizadas e rearmadas, usadas para desviar atenção das causas verdadeiras e direcionar culpa política enquanto pessoas reais sofrem as consequências.

No final de novembro de 2020, um vídeo começou a circular pelas redes sociais com uma acusação grave: militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, teriam destruído uma estação de transmissão de energia no Amapá, causando o apagão que havia deixado o estado sem luz semanas antes. A gravação mostrava um grupo de pessoas derrubando postes de energia e trazia a legenda: "Militantes do MST destruindo uma estação de transmissão no Amapá. Isso a mídia podre não mostra". A acusação era clara, a insinuação era política, e a afirmação era completamente falsa.

O vídeo não era novo. Usando ferramentas de busca reversa de imagem, verificadores encontraram a mesma gravação em reportagens da Globo de 2017. As cenas haviam sido filmadas em novembro daquele ano em Correntina, na Bahia, quando agricultores locais invadiram uma fazenda da empresa Lavoura e Pecuária Igarashi para protestar contra obras de irrigação que haviam reduzido drasticamente o nível do rio Arrojado. Segundo o delegado ouvido na época, os invasores eram ligados a pequenas associações de moradores da região — não ao MST. A derrubada de postes que aparecia no vídeo não tinha qualquer conexão com a organização de trabalhadores rurais nem com o apagão que ocorria no Amapá três anos depois.

O alcance da mentira foi considerável. Até o final de 30 de novembro, a plataforma de monitoramento CrowdTangle registrou 110 postagens do vídeo em páginas e grupos do Facebook, gerando 1,7 mil reações. No Twitter, foram 47 publicações apenas na última semana de novembro. As postagens apareciam predominantemente em grupos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e a figuras ligadas ao governo federal, como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. De acordo com a plataforma, 45 das 110 postagens no Facebook ocorreram em grupos que mencionavam Bolsonaro ou a Aliança pelo Brasil em seus nomes. Havia ainda 80 publicações em perfis pessoais, com as duas de maior alcance atingindo 3 mil e 2,7 mil visualizações respectivamente.

Quando contatado, o governo do Amapá foi direto: o vídeo não havia sido filmado no estado e não havia qualquer evidência de envolvimento do MST no apagão. "Trata-se de uma fake news", respondeu a assessoria do governo em nota. O MST, por sua vez, negou qualquer relação com as acusações. "Mais uma vez são acusações infundadas. Essas pessoas e esse tipo de ataque não têm nenhuma relação com o Movimento", afirmou a assessoria de imprensa da organização.

O apagão do Amapá havia começado no início de novembro, quando um incêndio atingiu uma subestação de energia em Macapá, a capital do estado. Treze municípios ficaram sem luz. O racionamento de energia durou mais de vinte dias, afetando profundamente a vida dos moradores. Sem eletricidade, os bancos não funcionavam para saques, a maioria dos estabelecimentos não conseguia processar pagamentos com cartão, e as compras de itens básicos se tornaram um desafio. Durante a pandemia de covid-19, a falta de luz também comprometeu os cuidados essenciais. Na primeira semana após o incêndio, um dos transformadores danificados foi recuperado, permitindo o restabelecimento parcial do serviço.

As investigações sobre a causa real do incêndio levaram tempo. Inicialmente, suspeitava-se que uma tempestade de raios teria provocado o fogo. Porém, um laudo posterior da Polícia Civil revelou que o incêndio havia começado internamente, em uma bucha — um componente elétrico — da subestação. A Isolux, empresa privada responsável pela unidade, enfrentou intimações da justiça federal para resolver efetivamente o problema. Moradores do Amapá, revoltados com a situação, começaram a compartilhar nas redes sociais os valores que pagavam em suas contas de luz, gerando indignação pública sobre o que muitos consideravam preços abusivos.

O vídeo falso reapareceu nas redes sociais no dia 26 de novembro, três anos após ter sido filmado, desta vez com uma narrativa completamente diferente e uma intenção clara: desviar a atenção das causas reais do apagão e atribuir responsabilidade política a um movimento social. A verificação foi conduzida por múltiplos veículos de checagem — Folha de S.Paulo, NSC, Favela em Pauta, O POVO, Correio da Bahia, Gaúcha ZH, Estadão e UOL — que confirmaram a falsidade da acusação. O vídeo já havia sido verificado anteriormente por agências como Lupa, Estadão Verifica, Fato ou Fake e E-Farsas. Não era a primeira vez que o MST era alvo de acusações infundadas: o movimento já havia sido falsamente associado a queimadas na Amazônia e no Pantanal, e a supostos apreensões de madeira ilegal pelo Exército.

Mais uma vez são acusações infundadas. Essas pessoas e esse tipo de ataque não têm nenhuma relação com o Movimento
— Assessoria de imprensa do MST
O vídeo não é no Amapá. Também não se tem nenhuma evidência de envolvimento do MST no apagão. Trata-se de uma fake news
— Governo do Amapá
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