Num fim de julho de 2022, o dólar encerrou a semana em queda acentuada frente ao real, a mais forte desde o fim de 2020, mesmo tendo subido levemente no último pregão. A trégua veio do alívio sobre o receio de juros americanos cada vez mais agressivos e da esperança de estímulos na China, forças que desmontaram apostas contra a moeda brasileira. Ainda assim, o recuo recente não apaga o susto de junho, quando o dólar disparou e a percepção de risco no país se deteriorou, e o horizonte segue sob a sombra das eleições e das decisões do Federal Reserve.
Dólar tem maior queda semanal desde 2020, mas mantém prêmio de risco no Brasil
A queda é real, mas o prêmio de risco de junho ainda não desapareceu
A queda de quase 6% em uma semana é grande. O dólar fechou em alta na sexta, então como isso se encaixa?
A alta de 0,21% foi só o desfecho do dia. O número que importa é o da semana: 5,91%, a maior queda desde novembro de 2020.
O que mudou para o real ganhar força?
Diminuíram os temores de juros americanos subindo com muita força, depois do sinal do Fed na quarta-feira, e houve expectativa de estímulos na China. Investidores desfizeram apostas contra o real.
Vale separar: o texto atribui a queda a esse alívio, mas é uma leitura de mercado, não algo medido diretamente. Também não diz o que exatamente o Fed sinalizou, só que o receio de aumentos maiores diminuiu.
E por que se fala que ainda há prêmio de risco?
Em junho o dólar subiu 10%, por causa do cenário externo e da percepção fiscal no Brasil. No fim de maio estava perto de 4,75 reais. Hoje está em 5,17.
Aqui há um limite: a reportagem não separa quanto da alta de junho veio do exterior e quanto veio do fiscal. Dizer que há prêmio embutido é uma interpretação.
O que se espera daqui para frente?
O Bank of America prevê dólar forte no mundo até o fim do ano, com 5,30 reais em setembro e 5,25 no fim de 2022.
Essa é a projeção de um banco, não um consenso. E a própria matéria lembra que julho não tem padrão histórico, então o passado não garante o rumo.
El Pulso
- O dólar subiu 0,21% na sexta e fechou a R$ 5,1727, mas ainda acumulou queda de 5,91% na semana.
- A moeda americana recuou no maior ritmo desde novembro de 2020, arrastando de volta a confiança no real.
- Investidores desfizeram apostas contra o real após sinais de alívio sobre o aperto monetário nos EUA e expectativas de estímulos chineses.
- Depois de disparar 10% em junho, o câmbio ainda carrega prêmio de risco fiscal e eleitoral.
- O BofA projeta R$ 5,30 em setembro e R$ 5,25 no fim do ano, o que mantém a tensão sobre o próximo movimento.
Num fim de julho de 2022, o dólar encerrou a semana em queda acentuada frente ao real, a mais forte desde o fim de 2020, mesmo tendo subido levemente no último pregão. A trégua veio do alívio sobre o receio de juros americanos cada vez mais agressivos e da esperança de estímulos na China, forças que desmontaram apostas contra a moeda brasileira. Ainda assim, o recuo recente não apaga o susto de junho, quando o dólar disparou e a percepção de risco no país se deteriorou, e o horizonte segue sob a sombra das eleições e das decisões do Federal Reserve.
O dólar encerrou a sexta-feira, 29 de julho de 2022, com leve alta de 0,21%, cotado a R$ 5,1727 na venda. Mesmo assim, a semana terminou com a maior queda desde novembro de 2020, de 5,91%, e o real apareceu entre os destaques positivos das moedas emergentes.
Dois movimentos explicam a virada, segundo a Reuters. O primeiro foi o alívio sobre o temor de um aperto monetário agressivo nos Estados Unidos, após a sinalização do Federal Reserve na quarta-feira. O segundo foi a expectativa de estímulos na China. Com isso, investidores desmontaram posições vendidas no real, aposta contra a moeda brasileira que havia sido construída quando os juros americanos ganharam força.
A melhora, porém, não apagou o estrago de junho, quando o dólar disparou 10% sob pressão externa e com a piora da percepção fiscal no Brasil. Julho, aliás, terminou com baixa acumulada de 1,12%, e no ano a moeda americana ainda perde 7,19% frente ao real.
O Bank of America, por sua vez, vê o dólar forte por mais tempo, sustentado pelo superaquecimento da economia americana e por um Fed preocupado com a inflação. Para o banco, a virada necessária ainda não chegou. Suas projeções são de R$ 5,30 em setembro, antes das eleições, e R$ 5,25 no fim do ano, ambas acima do patamar atual. O próximo teste será a combinação entre a decisão do Fed e o clima eleitoral brasileiro.
O dólar encerrou a sexta-feira, 29 de julho de 2022, em leve alta, mas isso não apagou o dado principal da semana: a moeda americana registrou a maior queda semanal desde novembro de 2020. A cotação à vista subiu 0,21% no dia e fechou a 5,1727 reais na venda. Durante o pregão, oscilou entre a mínima de 5,1455 reais, em baixa de 0,32%, e a máxima de 5,2140 reais, em alta de 1,01%.
Na semana, o recuo foi de 5,91%. É a maior queda desde a semana encerrada em 6 de novembro de 2020, quando a moeda havia caído 6,07%. Julho terminou com baixa acumulada de 1,12%, embora a parcial até a sexta-feira anterior mostrasse alta de 5,09%. No ano, o dólar perde 7,19% frente ao real.
Dois fatores explicam o movimento, segundo a Reuters. O primeiro foi o alívio nos temores de um aperto monetário agressivo nos Estados Unidos, depois da sinalização do Federal Reserve na quarta-feira. O segundo foi a expectativa de estímulos na China. Com o humor dos investidores mais leve, houve um desmonte de posições de venda do real, a aposta contra a moeda brasileira.
O real foi o maior destaque positivo da semana entre os pares emergentes mais próximos. Havia sido também uma das moedas mais golpeadas quando operadores aumentaram as apostas em altas de 1 ponto percentual nos juros americanos. O mecanismo é conhecido: juros mais altos nos EUA tornam a renda fixa do país mais atraente, o que estimula a conversão de moedas estrangeiras em dólar e o valoriza.
A melhora, porém, não eliminou o chamado prêmio de risco. Em junho, o dólar disparou 10%, pressionado tanto pela escalada de preocupações externas quanto pela deterioração da percepção fiscal no Brasil. No fim de maio, a moeda estava na casa de 4,75 reais, patamar ainda distante do atual.
O calendário não ajuda a dar previsibilidade. Segundo a reportagem, julho não tem padrão de desempenho para o dólar: nas últimas duas décadas, o mês alternou altas e quedas. A cautela em relação às eleições brasileiras deve aumentar, enquanto nos EUA o Fed avaliará os rumos de sua política monetária.
O Bank of America, em relatório, afirmou esperar que o dólar permaneça forte no mundo pelo restante do ano. Para o banco, o superaquecimento da economia americana e um Fed duro com a inflação têm muito a ver com isso. Para a moeda enfraquecer, o Fed teria de se preocupar mais com crescimento do que com inflação, e, na avaliação do banco, essa virada ainda não chegou.
O BofA calcula que o dólar feche setembro, mês que antecede as eleições, a 5,30 reais, e termine o ano a 5,25 reais. Ambos os valores ficam acima da cotação desta sexta-feira. O próximo teste será a combinação entre a decisão do Fed e o ambiente eleitoral no Brasil.
Citas Notables
Esperamos que o dólar (no mundo) permaneça forte pelo restante deste ano.— Bank of America, em relatório