Dólar sobe e tem maior alta semanal em três meses com real usado como hedge

O real foi usado para recompor hedge por ser uma moeda muito líquida
Explicação de um profissional de banco estrangeiro para a virada do dólar, que fechou a R$ 5,2002.
Mark

O dólar abriu em queda e fechou em alta. O que mudou no meio do dia?

Mimi

O real passou a ser usado para proteção. Investidores montaram posições na moeda brasileira para cobrir aplicações em outros mercados, e isso descolou o real do restante do câmbio, que mostrava o dólar em queda.

Mark

Por que justamente o real?

Mimi

Segundo a fonte do banco estrangeiro, por ser uma moeda muito líquida. E a Selic em mínimas históricas já a tornava um ativo barato para esse tipo de proteção.

Luke

Vale notar de onde vem essa explicação: é a leitura de um profissional de um banco, não identificado. A reportagem não traz dados de fluxo que a confirmem.

Mark

E o gatilho seria a mutação do vírus no Reino Unido?

Mimi

É o que ele aponta: o risco voltou e afetou as posições de proteção. Mas, de novo, é a interpretação dele.

Luke

Também há o volume baixo. Os contratos futuros estavam 16% abaixo da média de 30 pregões. Em fim de ano, o mercado fica mais sujeito a movimentos técnicos, então não dá para atribuir tudo ao hedge.

Mark

E o que dizem os analistas sobre o rumo daqui para frente?

Mimi

O DailyForex vê a tendência de baixa intacta e cita a possível cruz da morte, com a média de 50 dias em 5,3832 e a de 200 dias em 5,3619. O Morgan Stanley mantém o real entre os favoritos emergentes.

Luke

Mas o cruzamento ainda não aconteceu; é uma expectativa. E são projeções de análise técnica, não fatos consumados.

  • O dólar chegou a cair para R$ 5,1295 pela manhã, mas virou e subiu até R$ 5,2223 no meio da tarde.
  • É a quarta alta seguida, acumulando 2,40%, e a maior valorização semanal em três meses, em uma semana encurtada pelo Natal.
  • Investidores reconstruíram posições de hedge com o real, que é uma moeda muito líquida, depois do susto com a mutação do vírus no Reino Unido.
  • Com o volume de negócios 16% abaixo da média, o mercado fica mais nervoso e sujeito a oscilações bruscas por fatores técnicos.
  • Analistas ainda apostam na tendência de queda, e a média móvel de 50 dias se aproxima de cruzar abaixo da de 200 dias, a chamada cruz da morte.

Numa quarta-feira de véspera de Natal de 2020, o dólar virou o sentido de um pregão que começara em queda e fechou em alta de 0,70%, a R$ 5,2002. O movimento reflete menos uma mudança na economia brasileira do que o velho reflexo dos investidores: diante de um novo receio com o vírus no Reino Unido, voltaram a usar o real como escudo para outras aplicações. Num ano em que a moeda brasileira já se desvalorizou quase um terço frente ao dólar, a alta mostra como uma divisa pode ser ao mesmo tempo símbolo de fragilidade e instrumento de proteção.

O pregão desta quarta-feira, 23 de dezembro de 2020, começou com o dólar em queda no Brasil, acompanhando o exterior, onde a moeda americana recuava com as esperanças de um acordo do Brexit e com dados melhores nos Estados Unidos. Mas a tendência virou ao longo da sessão. O dólar chegou a R$ 5,2223 depois das 14h30 e fechou a R$ 5,2002, com alta de 0,70%. Foi a quarta valorização seguida, somando 2,40%.

Na semana encurtada pelo Natal, a moeda subiu 2,28%, o maior avanço semanal desde setembro. Segundo um profissional de um grande banco estrangeiro, o motor da alta é o uso do real como instrumento de proteção. Com a notícia da mutação do vírus no Reino Unido, investidores voltaram a montar posições na moeda brasileira para proteger aplicações em outros mercados, descolando o real do que acontecia lá fora.

O fim do ano também pesa. O volume de negócios ficou abaixo da média, e um mercado mais enxuto tende a reagir de forma mais brusca a qualquer fator técnico. Mesmo assim, parte dos analistas ainda enxerga a tendência de baixa do dólar como intacta. Para o DailyForex, a volatilidade deve continuar, mas a média móvel de 50 dias está prestes a cruzar abaixo da de 200 dias, sinal que poderia levar a moeda para baixo no longo prazo.

O pregão desta quarta-feira, 23 de dezembro de 2020, começou com o dólar em baixa no Brasil. A moeda americana chegou a cair para 5,1295 reais, queda de 0,67%, acompanhando o movimento do exterior, onde o dólar recuava de modo generalizado diante das esperanças de um acordo do Brexit e de dados melhores nos Estados Unidos. Depois disso, o dia virou.

Ao longo da sessão, o dólar ganhou força até inverter o sinal e tocar a máxima de 5,2223 reais, alta de 1,13%, logo após as 14h30. No fechamento, subiu 0,70%, a 5,2002 reais na venda, o maior valor desde 2 de dezembro, quando valia 5,2422 reais. Foi a quarta alta consecutiva, período em que acumulou ganho de 2,40%, a série mais longa desde as quatro valorizações seguidas entre 13 e 16 de outubro.

Na semana, encurtada pelo Natal, a cotação saltou 2,28%, o maior avanço semanal em três meses, desde a semana encerrada em 25 de setembro, quando subira 3,29%. Com isso, a queda do dólar em dezembro diminuiu para 2,74%. No ano, a divisa ainda acumula alta de 29,59% e o real segue na vice-lanterna entre 33 pares do dólar, à frente apenas do peso argentino, que perde 28,1%.

A explicação, segundo um profissional de um grande banco estrangeiro ouvido pela Reuters, está no uso do real como instrumento de proteção. Investidores voltaram a montar posições na moeda brasileira para proteger aplicações em outros mercados, o que descolou o real do comportamento do câmbio lá fora. Para esse profissional, o mercado parece retomar o trade de compra de dólar e venda de juros e bolsa, sobretudo depois da recente valorização do real, impulsionada pelo otimismo global com as vacinas.

O gatilho, disse ele, foi a notícia da mutação do vírus no Reino Unido: o risco voltou a afetar as posições de proteção, e o real vem sendo usado para recompor o hedge por ser uma moeda muito líquida. A dinâmica havia sido interrompida recentemente, com real e Ibovespa em alta, favorecidos pela farta liquidez global, pela eleição americana e pelo avanço das vacinas contra a Covid-19. Já vinha, porém, se mostrando antes, quando a Selic foi levada a mínimas históricas e tornou a moeda doméstica um ativo barato para proteger investimentos tanto em outros mercados brasileiros quanto no exterior.

Na bolsa, o Ibovespa subia 1% no fim da tarde, perto dos 118 mil pontos. Em 2020, o índice avança 1,85%, o que mais do que apaga as perdas da crise do coronavírus, enquanto o real acumula queda de 22,83%.

O fim de ano pesa no fluxo. Até as 17h17, haviam sido negociados 225.995 contratos de dólar futuro, volume 16% abaixo da média dos últimos 30 pregões e 20% inferior à das últimas 90 sessões. Com menos negócios, o mercado fica mais suscetível a variações bruscas e a fatores técnicos.

Apesar da alta recente, alguns analistas ainda enxergam espaço para queda do dólar. O DailyForex avaliou que o mercado continuará volátil, mas que a tendência de baixa está bastante intacta. A consultoria também aponta que a média móvel de 50 dias, em 5,3832 reais, se prepara para cruzar abaixo da de 200 dias, em 5,3619 reais, a chamada cruz da morte, que poderia levar o dólar para baixo no longo prazo. O Morgan Stanley, por sua vez, mantém o real entre as moedas favoritas do mundo emergente, em contraste com o won sul-coreano, o dólar de Taiwan e o shekel israelense.

Com a notícia da mutação do vírus no Reino Unido, o risco voltou a afetar essas posições e o real está sendo usado para essa recomposição de hedge por ser uma moeda muito líquida.
— Profissional de um grande banco estrangeiro, à Reuters
A tendência de baixa do dólar parece bastante intacta.
— DailyForex, em nota
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