Dólar passa de R$ 5,20 e fecha julho com maior alta mensal desde janeiro

Disparou durante a tarde, até encerrar perto da máxima do dia
O dólar operava abaixo de R$ 5,10 de manhã e fechou a R$ 5,21 nesta sexta-feira (30).
Mark

Por que um dia de alta do dólar merece tanta atenção?

Mimi

Porque ele fechou um mês inteiro de pressão. Subiu 4,76% em julho, a maior alta mensal desde janeiro, e passou de R$ 5,20.

Mark

O dólar chegou a operar abaixo de R$ 5,10 de manhã, não é?

Mimi

Sim, e disparou à tarde até fechar perto da máxima, em R$ 5,21. A virada foi forte.

Luke

Vale separar o que está nos números do que é explicação. Os números do fechamento são concretos. Já a relação entre cada fator e o movimento do dia é a leitura do mercado, não algo medido.

Mark

E quais foram os fatores apontados?

Mimi

Lá fora, a inflação americana acima da meta de 2%, a variante delta e a desaceleração chinesa. Aqui, a expectativa pelo Copom e a discussão sobre o Bolsa Família fora do teto de gastos.

Luke

Detalhe importante: a alta de 1 ponto na Selic é uma pressão, não uma decisão. O Copom ainda não se reuniu.

Mark

E a bolsa?

Mimi

O Ibovespa caiu 3,08% e fechou em 121.801 pontos. No mês, perdeu 3,94%, o pior desempenho desde fevereiro.

Luke

E o Bolsa Família fora do teto é apenas uma possibilidade, segundo o texto. Ainda não é fato consumado.

  • O dólar disparou no fechamento e terminou a R$ 5,21, subindo 2,57% no dia e 4,76% no mês, a maior alta mensal desde janeiro.
  • O Ibovespa caiu mais de 3% e fechou aos 121.801 pontos, com perda de 3,94% em julho, o pior resultado desde fevereiro.
  • A inflação americana acima da meta e os gastos de consumo mais fortes que o esperado abalaram a confiança de que os estímulos do Federal Reserve seriam mantidos.
  • Investidores aguardam o Copom da próxima semana, dividido entre uma alta da Selic de 0,75 e de 1 ponto percentual, enquanto a dúvida sobre o financiamento do Bolsa Família aumenta a tensão.

Numa sexta-feira de fim de julho de 2021, o dólar voltou a ultrapassar os R$ 5,20 e a bolsa brasileira recuou com força, como se o mercado sentisse o peso de um mundo ainda marcado pela pandemia e de contas públicas ainda incertas. Pressões vindas de fora, como a inflação americana acima da meta e a desaceleração chinesa, somaram-se a dúvidas internas sobre juros e gastos sociais. Tudo isso aponta para a reunião do Copom da semana seguinte, quando o país decidirá o tamanho de mais um passo na alta da Selic.

Na manhã desta sexta-feira (30), o dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 5,10, mas durante a tarde a moeda disparou e fechou perto da máxima, a R$ 5,21. Foi uma alta de 2,57% no dia, que interrompeu duas quedas seguidas e levou a divisa a encerrar julho com valorização de 4,76%, a maior desde janeiro.

Na bolsa, o clima foi igualmente pesado. O Ibovespa operou em queda durante toda a sessão e fechou aos 121.801 pontos, com recuo de 3,08%. No mês, a perda chegou a 3,94%, o pior desempenho desde fevereiro.

O noticiário externo pesou sobre os mercados. A inflação americana em 12 meses superou a meta de 2% do Federal Reserve, e os gastos dos consumidores dos Estados Unidos em junho vieram acima do esperado, enfraquecendo a expectativa de que os estímulos da pandemia seriam mantidos por mais tempo. A isso somaram-se o avanço da variante delta, a desaceleração da economia chinesa e a queda de commodities como o minério de ferro, que prejudica emergentes como o Brasil.

No cenário doméstico, todos os olhares se voltam para o Copom da próxima semana. Desde março, o Banco Central eleva a Selic em 0,75 ponto a cada reunião, e a inflação e o dólar em alta aumentam a pressão por um ajuste de 1 ponto. Há ainda a dúvida fiscal sobre o Bolsa Família, cujo financiamento fora do teto de gastos inquieta os investidores. A decisão será o próximo teste para o mercado.

Na manhã desta sexta-feira (30), o dólar comercial chegou a ser negociado abaixo de R$ 5,10. Durante a tarde, a moeda disparou e terminou o dia perto da máxima, vendida a R$ 5,21, com alta de R$ 0,131, ou 2,57%. Foi o fecho de um mês em que a divisa já vinha pressionada.

O movimento do dia interrompeu uma sequência de duas quedas seguidas. Com ele, o dólar encerrou julho com valorização de 4,76%, a maior em um mês desde janeiro, quando havia subido 5,51%. A moeda norte-americana voltou, assim, a ultrapassar a barreira de R$ 5,20.

Na bolsa, o clima foi igualmente ruim. O Ibovespa, índice da B3, operou em queda durante toda a sessão e fechou aos 121.801 pontos, com recuo de 3,08%. No acumulado de julho, a perda foi de 3,94%, o pior desempenho mensal em cinco meses, desde fevereiro, quando o índice havia caído 4,37%.

O noticiário externo pesou. A divulgação de que a inflação americana em 12 meses superou a meta de 2% do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, espalhou pessimismo pelos mercados do mundo. Na quarta-feira (28), o Fed havia assegurado que os estímulos concedidos durante a pandemia não seriam retirados tão cedo. Mas os gastos dos consumidores americanos em junho subiram mais que o esperado, o que enfraqueceu essa expectativa.

Outras preocupações somaram-se a esse quadro: o avanço dos casos de covid-19 provocados pela variante delta e a desaceleração da economia chinesa. O preço de várias commodities, sobretudo o do minério de ferro, prejudicou países emergentes como o Brasil.

No cenário doméstico, as atenções se voltam para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na próxima semana. Desde março, o BC eleva a taxa Selic em 0,75 ponto percentual a cada encontro. Com o dólar e a inflação brasileira em alta, cresce a pressão para que o ajuste chegue a um ponto percentual.

Há ainda a questão fiscal. A possibilidade de que o novo programa Bolsa Família seja financiado com recursos fora do teto de gastos gerou tensão entre os investidores. A decisão do Copom, na semana que vem, será o próximo teste para o mercado: o debate é se o aumento da Selic será de 0,75 ou de 1 ponto percentual.

O Fed assegurou que os estímulos da pandemia não serão retirados tão cedo.
— Federal Reserve, reunião de 28 de julho (paráfrase)
Quer a matéria completa? Leia o original em O Tempo ↗
Fale Conosco FAQ