Dólar fecha em alta de 2,27% e volta a R$ 5 após reportagem sobre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

A maior alta do dólar em um único dia desde dezembro
O dólar à vista fechou a R$ 5,0059, alta de 2,27%, após reportagem sobre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
Mark

Por que uma reportagem sobre um filme mexeu tanto com o câmbio?

Mimi

Porque o mercado leu o caso como um golpe na candidatura de Flávio, o principal opositor de Lula. O dólar subiu 2,27%, a maior alta diária desde dezembro.

Luke

Vale separar as coisas: a reportagem diz que Flávio "teria negociado" R$ 134 milhões. É o relato do Intercept, não um fato comprovado em outra instância.

Mark

E a reação do mercado, é só isso?

Mimi

Também o Ibovespa caiu forte e os DIs renovaram máximas. Mas o dólar já vinha de uma queda de 8,80% no ano, então ainda não reverteu a tendência.

Luke

Exato. E a ligação causal vem da leitura de operadores, como Felipe Izac, da Nexgen. É uma interpretação, não uma medição.

Mark

A pesquisa Quaest entra nessa conta?

Mimi

Entra como pano de fundo. Lula tem 42% contra 41%, mas a margem é de 2 pontos, então é empate técnico.

Luke

E a pesquisa saiu antes da reportagem, então não mostra o efeito dela sobre o eleitor. Isso segue desconhecido.

Mark

O que observar agora?

Mimi

A delação de Vorcaro, que pode atingir parlamentares e outras autoridades.

Luke

Ainda não se sabe o que ela conterá nem se será aceita.

  • O dólar disparou 2,27% e fechou em R$ 5,0059, a maior alta diária percentual desde dezembro do ano passado.
  • Uma reportagem do Intercept ligou Flávio Bolsonaro a uma negociação de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, e o mercado reagiu na mesma tarde.
  • Os juros futuros renovaram máximas, o Ibovespa despencou e o dólar futuro de junho chegou a subir mais de 2%, sinal de nervosismo generalizado.
  • A delação de Vorcaro ainda em negociação ameaça atingir outros parlamentares, e a próxima pesquisa Quaest, com Lula e Flávio em empate técnico, deve dizer se o estrago político será duradouro.

Num fim de tarde de quarta-feira, o real voltou a perder terreno diante do dólar, que fechou acima dos R$ 5,00 em alta de 2,27%. A origem do movimento não está apenas nos números do câmbio, mas numa reportagem que aproximou o nome de Flávio Bolsonaro de Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master, preso no centro de um escândalo financeiro de grandes proporções. Para o mercado, a história ganhou peso porque mexe com a corrida presidencial: ao fragilizar o principal adversário de Lula, a notícia reacende o temor de uma continuidade do PT no poder. É mais um capítulo em que a política e as finanças se encontram, e em que a confiança dos investidores responde tanto a fatos quanto às expectativas sobre o futuro.

O dólar passou a tarde de quarta-feira em escalada e terminou acima dos R$ 5,00, fechando em alta de 2,27%, a R$ 5,0059. Foi a maior subida percentual em um único dia desde dezembro, embora a moeda ainda acumule queda de quase 9% no ano frente ao real.

O estopim foi uma reportagem do Intercept Brasil que associou o senador Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e preso no escândalo de liquidação da instituição. Segundo o texto, Flávio teria negociado R$ 134 milhões para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro.

Depois da publicação, o dólar e os juros futuros bateram novas máximas e o Ibovespa caiu forte. Para operadores, a história fragiliza a candidatura de Flávio, que aparece como principal rival de Lula, e isso alimenta a percepção de que o PT pode se manter no poder, cenário que o mercado vê com desconfiança.

O pano de fundo eleitoral também pesa. A pesquisa Quaest mostra Lula e Flávio empatados tecnicamente no segundo turno, com 42% contra 41%. O que vem a seguir depende da delação de Vorcaro, que pode atingir outras autoridades, e do efeito da reportagem nas próximas pesquisas.

O dólar passou a tarde de quarta-feira em escalada e terminou o dia de novo acima dos R$ 5,00. A moeda americana à vista fechou em alta de 2,27%, cotada a R$ 5,0059. É a maior alta percentual em um único dia desde 5 de dezembro do ano passado, quando o dólar havia subido 2,34%. Mesmo com o tranco, a divisa acumula queda de 8,80% frente ao real no ano.

O gatilho foi uma reportagem do Intercept Brasil sobre as ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master. Segundo o texto, Flávio teria negociado com Vorcaro R$ 134 milhões para financiar um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Vorcaro, que também está preso, está no centro do escândalo da liquidação do Master, associada a fraudes bilionárias. Ele negocia hoje uma proposta de delação premiada que pode atingir parlamentares e outras autoridades, o que mantém o caso sob atenção do mercado e da política.

Depois da publicação, o dólar e as taxas dos DIs renovaram máximas em sequência, e o Ibovespa despencou. Às 16h35, o dólar à vista chegou à cotação máxima do dia, R$ 5,0154, alta de 2,46%. Às 17h05, o dólar futuro para junho, hoje o contrato mais líquido do mercado brasileiro, subia 2,33% na B3, a R$ 5,0280.

A leitura de operadores e analistas é que o relato enfraquece a candidatura de Flávio, visto atualmente como o principal adversário de Lula na eleição de outubro. Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, disse que a notícia, ao ligar o principal candidato de oposição a um dos escândalos de Vorcaro, faz crescer de novo a chance de o PT se perpetuar no poder, cenário que o mercado considera negativo. Segundo ele, isso provocou uma desvalorização muito forte do real.

O movimento veio num dia em que a pesquisa Genial/Quaest já mostrava Lula numericamente à frente. No segundo turno, ele tem 42% contra 41% de Flávio, um empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 40% e Flávio, 42%. No primeiro turno simulado, Lula aparece com 39% e Flávio com 33%; Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) estão empatados com 4%.

O noticiário doméstico deixou em segundo plano o cenário externo. O dólar também sustentou ganhos frente às divisas fortes, com investidores atentos à visita de Donald Trump à China para negociar com Xi Jinping. Às 17h18, o índice do dólar, que mede a moeda americana contra uma cesta de seis divisas, subia 0,16%, a 98,484.

O que vem a seguir depende em boa parte de dois fatores: os desdobramentos da delação de Vorcaro e o efeito da reportagem nas próximas pesquisas eleitorais.

Cresce novamente a chance de o PT se perpetuar no poder; isso trouxe uma desvalorização muito forte do real.
— Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital
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