Dólar blue argentino atinge máxima histórica de 1.460 pesos

Mais importante do que sair rapidamente é sair bem
O ministro da Economia explica a estratégia gradual para encerrar o controle cambial argentino.
Mark

Por que o dólar blue está tão alto agora? O que mudou nas últimas semanas?

Mimi

A pressão vem de meses. Abril teve 11,4% de alta, maio teve 17,8%. É uma aceleração depois de um período mais calmo. A diferença entre o paralelo e o oficial nunca foi tão grande nessa gestão.

Luke

Mas qual é a causa real? É especulação pura, ou há escassez real de dólares na economia?

Mimi

O ministro diz que é natural — que a Argentina fica mais cara em dólares quando faz as coisas bem. Mas a brecha de 58,5% sugere algo mais profundo.

Mark

E o cepo? Quando sai?

Mimi

Caputo diz que não dá para marcar data porque isso gera especulação. Vai ser gradual, em etapas, até dezembro talvez.

Luke

Gradual é vago. Ele está dizendo que não sabe quando, ou que está esperando as condições certas?

Mimi

Provavelmente os dois. Ele fala que o câmbio livre vai convergir para o oficial por escassez, e aí sim sai do cepo.

Mark

Isso faz sentido economicamente?

Luke

Em teoria, sim. Mas depende de muita coisa dar certo simultaneamente — impostos, competitividade, entrada de dólares. Se uma coisa falhar, o blue sobe mais.

Mimi

E é exatamente o que está acontecendo. O blue continua subindo enquanto o governo fala em convergência.

Mark

Então o mercado não acredita no plano?

Luke

O mercado está apostando que a convergência vai demorar mais do que o governo espera.

  • O dólar blue bateu 1.460 pesos em Buenos Aires, a maior cotação nominal já registrada para a moeda paralela argentina.
  • A brecha de 58,5% entre o câmbio paralelo e o oficial é a maior desde a posse de Milei, acumulando altas de 11,4% em abril e 17,8% em maio.
  • Nas 'cuevas' da capital, a pressão dos vendedores não dá sinais de recuo, enquanto o MEP e o CCL também se aproximam dos 1.400 pesos.
  • O ministro Caputo descarta desvalorização acelerada e defende que o país ficará mais caro em dólares como consequência natural de uma gestão bem-feita.
  • A estratégia oficial aposta em liberalização cambial progressiva até dezembro, quando a convergência de taxas tornaria o cepo dispensável por escassez de especuladores.

Na tarde de quinta-feira, Buenos Aires assistiu ao dólar paralelo — o chamado 'blue' — alcançar 1.460 pesos, seu maior valor nominal da história, enquanto a diferença em relação ao câmbio oficial chegou a 58,5% sob o governo Milei. O episódio revela a tensão permanente entre a realidade das 'cuevas' e a arquitetura formal de um sistema cambial ainda controlado. O ministro Caputo responde com serenidade calculada, prometendo uma saída gradual do cepo e apostando que o tempo e a disciplina fiscal farão o que nenhum choque cambial conseguiria sem custo.

Na tarde de quinta-feira, o dólar blue argentino chegou a 1.460 pesos nas casas de câmbio informais de Buenos Aires — as chamadas 'cuevas' —, estabelecendo um novo recorde nominal histórico. A diferença em relação ao câmbio oficial atingiu 58,5%, a maior brecha desde que Javier Milei assumiu a presidência. O movimento não surgiu do nada: nos dois meses anteriores, a moeda paralela já havia subido 11,4% em abril e 17,8% em maio, após um período de relativa calmaria.

No mercado formal, o dólar no atacado avançou levemente para 921 pesos, enquanto o MEP e o CCL — cotações usadas por empresas e exportadores — ficaram próximos dos 1.400 pesos, com diferenças de cerca de 50% em relação ao oficial.

O ministro da Economia, Luis Caputo, concedeu entrevistas nesta quinta e manteve o tom sereno. Descartou qualquer desvalorização brusca e afirmou que o encarecimento do país em dólares é consequência natural de uma política econômica bem conduzida, compensada por ganhos de eficiência e redução de impostos para os exportadores.

Sobre o 'cepo' — o controle que limita a compra de dólares —, Caputo foi cauteloso: disse que sair bem é mais importante do que sair rápido, e que anunciar uma data específica apenas alimentaria a especulação. A aposta do governo é que, até dezembro, a convergência gradual entre o câmbio livre e o oficial tornará o controle cambial naturalmente dispensável — desde que as condições macroeconômicas se alinhem conforme o planejado.

O dólar blue argentino tocou 1.460 pesos na tarde de quinta-feira em Buenos Aires, marcando o maior valor nominal que a moeda paralela já alcançou. Nas "cuevas" — as casas de câmbio informais espalhadas pela capital — vendedores ofereciam a divisa americana nesse patamar, refletindo uma pressão cambial que não dá sinais de arrefecimento. A diferença entre essa cotação paralela e o preço oficial do dólar chegou a 58,5%, a maior brecha registrada desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina.

Esse movimento não é isolado. Nos últimos dois meses, o dólar blue acumulou ganhos expressivos: subiu 11,4% em abril e depois 17,8% em maio, depois de um período de três meses com volatilidade reduzida. A tendência de alta persiste, testando limites que pareciam intransponíveis semanas atrás. No mercado oficial de câmbio, o dólar no atacado subiu ligeiramente nesta quinta para 921 pesos por unidade. Outras cotações usadas por empresas e exportadores — o MEP e o CCL — ficaram um pouco abaixo dos 1.400 pesos, com diferenças de 49,7% e 51,2% em relação ao câmbio oficial, respectivamente.

O governo, porém, mantém o tom contido. Luis Caputo, ministro da Economia, concedeu entrevistas a rádios locais nesta quinta-feira e descartou novamente uma desvalorização mais acelerada. Segundo ele, a Argentina inevitavelmente ficará mais cara em dólares nos próximos doze meses — um resultado natural quando um país "faz as coisas bem", na sua avaliação. Caputo argumenta que isso não prejudicará a competitividade das exportações porque o governo está buscando ganhos de eficiência simultâneos, com redução de impostos.

A questão do "cepo" — o controle cambial que limita a compra de dólares — permanece no centro do debate. Caputo afirmou que "mais importante do que sair rapidamente é sair bem" e que a saída será gradual, em etapas. Ele explicou que não é possível marcar uma data específica para o fim do controle porque os agentes econômicos especulariam e isso prejudicaria o país. Por isso, a estratégia é elevar as camadas de liberalização de forma progressiva.

O ministro ofereceu uma perspectiva sobre os próximos meses. Até dezembro, disse ele, quem quiser especular comprando dólares provavelmente terá que vendê-los para pagar impostos. O câmbio livre, na sua visão, convergirá para o oficial por questão de escassez, e esse será o momento mais adequado para sair do cepo. A declaração sugere que o governo acredita que a pressão sobre o dólar paralelo pode se aliviar naturalmente se as condições macroeconômicas se alinharem conforme planejado.

A Argentina inevitavelmente vai ficar mais cara em dólares nos próximos doze meses. Isso acontece quando um país faz as coisas bem.
— Luis Caputo, ministro da Economia
Não dá para marcar uma data para a saída do cepo porque os atores vão especular e isso vai jogar contra o país.
— Luis Caputo, ministro da Economia
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