Na tarde de quinta-feira, Buenos Aires assistiu ao dólar paralelo — o chamado 'blue' — alcançar 1.460 pesos, seu maior valor nominal da história, enquanto a diferença em relação ao câmbio oficial chegou a 58,5% sob o governo Milei. O episódio revela a tensão permanente entre a realidade das 'cuevas' e a arquitetura formal de um sistema cambial ainda controlado. O ministro Caputo responde com serenidade calculada, prometendo uma saída gradual do cepo e apostando que o tempo e a disciplina fiscal farão o que nenhum choque cambial conseguiria sem custo.
Dólar blue argentino atinge máxima histórica de 1.460 pesos
Mais importante do que sair rapidamente é sair bem
Por que o dólar blue está tão alto agora? O que mudou nas últimas semanas?
A pressão vem de meses. Abril teve 11,4% de alta, maio teve 17,8%. É uma aceleração depois de um período mais calmo. A diferença entre o paralelo e o oficial nunca foi tão grande nessa gestão.
Mas qual é a causa real? É especulação pura, ou há escassez real de dólares na economia?
O ministro diz que é natural — que a Argentina fica mais cara em dólares quando faz as coisas bem. Mas a brecha de 58,5% sugere algo mais profundo.
E o cepo? Quando sai?
Caputo diz que não dá para marcar data porque isso gera especulação. Vai ser gradual, em etapas, até dezembro talvez.
Gradual é vago. Ele está dizendo que não sabe quando, ou que está esperando as condições certas?
Provavelmente os dois. Ele fala que o câmbio livre vai convergir para o oficial por escassez, e aí sim sai do cepo.
Isso faz sentido economicamente?
Em teoria, sim. Mas depende de muita coisa dar certo simultaneamente — impostos, competitividade, entrada de dólares. Se uma coisa falhar, o blue sobe mais.
E é exatamente o que está acontecendo. O blue continua subindo enquanto o governo fala em convergência.
Então o mercado não acredita no plano?
O mercado está apostando que a convergência vai demorar mais do que o governo espera.
Il Polso
- O dólar blue bateu 1.460 pesos em Buenos Aires, a maior cotação nominal já registrada para a moeda paralela argentina.
- A brecha de 58,5% entre o câmbio paralelo e o oficial é a maior desde a posse de Milei, acumulando altas de 11,4% em abril e 17,8% em maio.
- Nas 'cuevas' da capital, a pressão dos vendedores não dá sinais de recuo, enquanto o MEP e o CCL também se aproximam dos 1.400 pesos.
- O ministro Caputo descarta desvalorização acelerada e defende que o país ficará mais caro em dólares como consequência natural de uma gestão bem-feita.
- A estratégia oficial aposta em liberalização cambial progressiva até dezembro, quando a convergência de taxas tornaria o cepo dispensável por escassez de especuladores.
Na tarde de quinta-feira, Buenos Aires assistiu ao dólar paralelo — o chamado 'blue' — alcançar 1.460 pesos, seu maior valor nominal da história, enquanto a diferença em relação ao câmbio oficial chegou a 58,5% sob o governo Milei. O episódio revela a tensão permanente entre a realidade das 'cuevas' e a arquitetura formal de um sistema cambial ainda controlado. O ministro Caputo responde com serenidade calculada, prometendo uma saída gradual do cepo e apostando que o tempo e a disciplina fiscal farão o que nenhum choque cambial conseguiria sem custo.
Na tarde de quinta-feira, o dólar blue argentino chegou a 1.460 pesos nas casas de câmbio informais de Buenos Aires — as chamadas 'cuevas' —, estabelecendo um novo recorde nominal histórico. A diferença em relação ao câmbio oficial atingiu 58,5%, a maior brecha desde que Javier Milei assumiu a presidência. O movimento não surgiu do nada: nos dois meses anteriores, a moeda paralela já havia subido 11,4% em abril e 17,8% em maio, após um período de relativa calmaria.
No mercado formal, o dólar no atacado avançou levemente para 921 pesos, enquanto o MEP e o CCL — cotações usadas por empresas e exportadores — ficaram próximos dos 1.400 pesos, com diferenças de cerca de 50% em relação ao oficial.
O ministro da Economia, Luis Caputo, concedeu entrevistas nesta quinta e manteve o tom sereno. Descartou qualquer desvalorização brusca e afirmou que o encarecimento do país em dólares é consequência natural de uma política econômica bem conduzida, compensada por ganhos de eficiência e redução de impostos para os exportadores.
Sobre o 'cepo' — o controle que limita a compra de dólares —, Caputo foi cauteloso: disse que sair bem é mais importante do que sair rápido, e que anunciar uma data específica apenas alimentaria a especulação. A aposta do governo é que, até dezembro, a convergência gradual entre o câmbio livre e o oficial tornará o controle cambial naturalmente dispensável — desde que as condições macroeconômicas se alinhem conforme o planejado.
O dólar blue argentino tocou 1.460 pesos na tarde de quinta-feira em Buenos Aires, marcando o maior valor nominal que a moeda paralela já alcançou. Nas "cuevas" — as casas de câmbio informais espalhadas pela capital — vendedores ofereciam a divisa americana nesse patamar, refletindo uma pressão cambial que não dá sinais de arrefecimento. A diferença entre essa cotação paralela e o preço oficial do dólar chegou a 58,5%, a maior brecha registrada desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina.
Esse movimento não é isolado. Nos últimos dois meses, o dólar blue acumulou ganhos expressivos: subiu 11,4% em abril e depois 17,8% em maio, depois de um período de três meses com volatilidade reduzida. A tendência de alta persiste, testando limites que pareciam intransponíveis semanas atrás. No mercado oficial de câmbio, o dólar no atacado subiu ligeiramente nesta quinta para 921 pesos por unidade. Outras cotações usadas por empresas e exportadores — o MEP e o CCL — ficaram um pouco abaixo dos 1.400 pesos, com diferenças de 49,7% e 51,2% em relação ao câmbio oficial, respectivamente.
O governo, porém, mantém o tom contido. Luis Caputo, ministro da Economia, concedeu entrevistas a rádios locais nesta quinta-feira e descartou novamente uma desvalorização mais acelerada. Segundo ele, a Argentina inevitavelmente ficará mais cara em dólares nos próximos doze meses — um resultado natural quando um país "faz as coisas bem", na sua avaliação. Caputo argumenta que isso não prejudicará a competitividade das exportações porque o governo está buscando ganhos de eficiência simultâneos, com redução de impostos.
A questão do "cepo" — o controle cambial que limita a compra de dólares — permanece no centro do debate. Caputo afirmou que "mais importante do que sair rapidamente é sair bem" e que a saída será gradual, em etapas. Ele explicou que não é possível marcar uma data específica para o fim do controle porque os agentes econômicos especulariam e isso prejudicaria o país. Por isso, a estratégia é elevar as camadas de liberalização de forma progressiva.
O ministro ofereceu uma perspectiva sobre os próximos meses. Até dezembro, disse ele, quem quiser especular comprando dólares provavelmente terá que vendê-los para pagar impostos. O câmbio livre, na sua visão, convergirá para o oficial por questão de escassez, e esse será o momento mais adequado para sair do cepo. A declaração sugere que o governo acredita que a pressão sobre o dólar paralelo pode se aliviar naturalmente se as condições macroeconômicas se alinharem conforme planejado.
Citazioni salienti
A Argentina inevitavelmente vai ficar mais cara em dólares nos próximos doze meses. Isso acontece quando um país faz as coisas bem.— Luis Caputo, ministro da Economia
Não dá para marcar uma data para a saída do cepo porque os atores vão especular e isso vai jogar contra o país.— Luis Caputo, ministro da Economia