'Dois de Nós' estreia em São Miguel com digressão por Portugal

O encontro entre passado e presente num quarto de hotel
A estrutura central da peça que permite explorar como o tempo muda os casais.
Mark

Por que é que uma peça sobre um casal que celebra bodas de ouro consegue preencher salas inteiras? Não parece um tema muito urgente para os dias de hoje.

Mimi

Porque não é realmente sobre bodas de ouro. É sobre o que fica depois de cinquenta anos juntos — as coisas que se disseram e as que nunca se disseram, o que se esperava e o que se tornou realidade. E depois há os miúdos, as versões jovens, que estão ali a viver os mesmos dilemas mas ainda acreditam que vão ser diferentes.

Mark

Então é um espelho?

Mimi

Exatamente. Mas um espelho que fala. Os velhos veem-se nos jovens e reconhecem os erros que ainda vão cometer. Os jovens veem nos velhos o que podem vir a ser. E o público vê-se em ambos.

Mark

A peça foi um sucesso no Brasil. Isso significa que estas questões sobre casamento e tempo são universais?

Mimi

Parecem ser. Porque o que muda é a velocidade do mundo lá fora, mas dentro de um quarto de hotel, entre duas pessoas, as coisas são sempre iguais. Dinheiro, filhos, desejo, frustração — isso não é brasileiro nem português. É humano.

Mark

E o humor? Como é que se consegue fazer humor com temas tão pesados?

Mimi

Com ironia. Quando reconhecemos a verdade em algo que nos dói, rimos. É a forma que temos de lidar com o que é demasiado real para ser apenas trágico.

  • As sessões de sexta e sábado no Coliseu Micaelense esgotaram antes mesmo de a peça pisar o palco português pela primeira vez.
  • A produção carrega o peso de um sucesso já consolidado no Brasil, onde a temporada foi prolongada de dezembro até abril devido à procura inesperada.
  • No centro da tensão dramática estão dois casais — um nas bodas de ouro, outro a regressar do Carnaval — que se confrontam com as mesmas feridas em momentos diferentes da vida.
  • A digressão portuguesa estende-se por onze cidades, de São Miguel a Faro, tornando a produção acessível a públicos de norte a sul do país até dezembro.
  • O texto foi publicado em livro pela Editora Cobogó, sinalizando que a obra ultrapassou o palco e ganhou vida própria como literatura.

Há histórias que atravessam oceanos porque falam de algo que não tem fronteiras: o tempo que passa dentro de um casamento, os sonhos que ficam por cumprir, o amor que se transforma sem aviso. A comédia dramática brasileira 'Dois de Nós', com António Fagundes e Christiane Torloni, chega a Portugal com sessões já esgotadas em São Miguel, iniciando uma digressão por onze cidades que vai de setembro a dezembro. O que o palco propõe é um espelho duplo — dois casais, duas gerações, um único quarto de hotel onde o passado e o presente se sentam à mesma mesa.

O Coliseu Micaelense recebe este fim de semana 'Dois de Nós', a comédia dramática brasileira escrita por Gustavo Pinheiro e dirigida por José Possi Neto, com António Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins. As sessões de sexta e sábado, às 21 horas, já estão esgotadas, restando ainda uma apresentação no domingo à tarde.

A peça constrói-se sobre um encontro improvável: num quarto de hotel, um casal nas bodas de ouro — Pedro Paulo e Maria Helena — cruza-se com as suas versões mais jovens, Pepê e Leninha, que regressam de uma festa de Carnaval. O confronto entre gerações serve de mote para explorar tudo o que habita a vida a dois: a rotina, os filhos, o dinheiro, o desejo que muda, as mágoas que ficam. O humor e a ironia evitam o melodrama, tornando os temas universais sem os tornar pesados.

Nascida em São Paulo em setembro de 2024, a peça conquistou rapidamente crítica e público. O sucesso levou à extensão da temporada original e ao lançamento do texto em livro pela Editora Cobogó. Agora chega a Portugal numa digressão por onze cidades: de São Miguel parte para Lisboa, Porto, Póvoa de Varzim, Vila Nova de Famalicão, Coimbra, Aveiro, Oliveira de Azeméis, Figueira da Foz, Leiria e Faro, onde termina em dezembro. Uma rota que leva o espetáculo do arquipélago ao Algarve, oferecendo a públicos de todo o país a oportunidade de se reconhecerem no palco.

O Coliseu Micaelense recebe este fim de semana um espetáculo que já conquistou plateias inteiras no Brasil e agora chega a Portugal com as malas cheias de sucesso. "Dois de Nós", a comédia dramática escrita por Gustavo Pinheiro e dirigida por José Possi Neto, traz para o palco micaelense António Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins. As sessões de hoje e amanhã, ambas às 21 horas, já estão com bilhetes esgotados. Há ainda uma apresentação no domingo à tarde, às 15h30, para quem não conseguiu lugar nos primeiros dois dias.

A peça funciona como um espelho duplo. Num quarto de hotel, dois casais se encontram: Pedro Paulo e Maria Helena, interpretados por Fagundes e Torloni, e as suas versões mais jovens, Pepê e Leninha, vividas por Fragoso e Martins. Este confronto entre passado e presente estrutura toda a narrativa. Enquanto o casal mais velho celebra as bodas de ouro e revisita memórias e ressentimentos acumulados ao longo de décadas, o casal jovem regressa de uma festa de Carnaval carregando as suas próprias tensões e expectativas. O encontro entre as duas gerações não é casual — é o ponto de partida para reflexões profundas sobre o que significa estar casado.

Os temas que a peça aborda são aqueles que habitam a vida real de qualquer casal: a rotina que desgasta, as decisões sobre filhos, as contas que não fecham, o tempo que passa depressa demais, a realização profissional que fica para trás, o desejo que muda, as frustrações que se acumulam, as mágoas que não cicatrizam. Tudo isto é explorado com humor e ironia, sem cair no melodrama fácil. A obra nasceu em São Paulo em setembro de 2024 e rapidamente conquistou crítica e público. O sucesso foi tão evidente que a Editora Cobogó lançou o texto em livro em novembro, ampliando o alcance da história para além do palco. Os organizadores brasileiros, vendo as sessões esgotarem-se, decidiram estender a temporada original — que terminaria em dezembro — até abril deste ano.

Agora é a vez de Portugal. São Miguel é apenas o ponto de partida de uma digressão que vai levar a peça por onze cidades diferentes. Depois do Coliseu Micaelense, o espetáculo segue para o Teatro Tivoli BBVA em Lisboa, onde fica em cena de 1 de outubro a 2 de novembro. Depois vem o Coliseu AGEAS no Porto, entre 6 e 8 de novembro. A peça passa ainda pelo Cine Teatro Garrett da Póvoa de Varzim, pela Casa das Artes em Vila Nova de Famalicão, pelo Convento São Francisco em Coimbra, pelo Teatro Aveirense em Aveiro, pelo Teatro Municipal em Oliveira de Azeméis, pelo CAE na Figueira da Foz, pelo Teatro José Lúcio da Silva em Leiria, e termina no Teatro das Figuras em Faro, entre 11 e 14 de dezembro. É uma rota ambiciosa que torna a produção acessível a públicos em todo o país, do arquipélago ao sotavento algarvio.

A peça explora as complexidades das relações amorosas ao longo do tempo, abordando temas comuns entre os casais
— Sinopse do espetáculo
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