Dois anos após transplante de rim da mãe, menino de 11 anos tem vida normal em SP

Marcos nasceu com doença renal crônica grave que comprometia sua sobrevivência e qualidade de vida, limitando suas atividades infantis até o transplante.
Ele voltou a viver bem, poder brincar, poder construir a história dele
Fratiane descreve a mudança na vida do filho dois anos após receber o rim da mãe.
Mark

Como é que uma mãe chega ao ponto de oferecer um órgão do próprio corpo? Parece uma decisão instantânea, mas imagino que não tenha sido assim.

Mimi

Não foi. Fratiane passou anos vendo o filho piorar, fazendo tudo que podia dentro dos limites do que a medicina oferecia naquele momento. Quando perguntou ao médico se havia mais algo a fazer, a resposta veio dela mesma. Mas entre a pergunta e a cirurgia passaram anos — exames, avaliação de compatibilidade, depois a pandemia paralisou tudo.

Luke

E quanto aos riscos? O texto diz que ela passou por avaliações psicológicas, mas não detalha o que os médicos avaliaram ou quais eram as preocupações. Uma doadora viva perde metade da função renal. Como isso foi explicado a ela?

Mimi

Esses são detalhes que o texto não aprofunda. Sabemos que ela foi considerada apta, que os exames mostraram compatibilidade quase perfeita, mas o processo de consentimento informado não está descrito.

Mark

E o resultado? Dois anos depois, como está a saúde dela?

Mimi

Ela relata que sua vida é "normal, igual era antes, ou até melhor". Começou a se exercitar, a se cuidar mais. Diz não sentir falta do rim.

Luke

Mas isso é o relato dela dois anos depois. Não há informação de como os médicos avaliam a função renal dela agora, ou se há qualquer restrição que ela precise seguir a longo prazo. É possível que esteja tudo bem, mas o texto não oferece essa verificação independente.

Mark

E Marcos? Ele entende o que a mãe fez por ele?

Mimi

Ele sabe que sua vida mudou. Fratiane diz que ele a chama de supermãe. Mas ela também reconhece que, como criança, ele ainda não compreende a profundidade do gesto. Ele sabe que pode brincar agora, que tem cor, que pode construir um futuro.

Luke

O texto menciona que ele segue em acompanhamento médico regular, faz exames de rotina, toma medicamentos. Mas não diz quanto tempo esse acompanhamento vai durar, ou quais são as perspectivas de longo prazo para um rim transplantado em uma criança. Isso é importante.

Mimi

É verdade. O que temos é um retrato de dois anos depois, não uma projeção do que vem adiante.

Mark

Fratiane diz que Marcos a ensinou a viver. Isso parece ser o coração da história para ela.

Mimi

Sim. Ela tem quatro filhos, mas diz que Marcos foi quem a transformou. Não é que o ame mais, mas que ele mudou sua forma de ver a própria vida. Isso é tão importante quanto o transplante em si.

  • Marcos nasceu com doença renal crônica diagnosticada aos 13 semanas de gestação
  • Fratiane doou um dos próprios rins em abril de 2024, primeiro transplante entre vivos no HC após retomada pós-pandemia
  • A mãe deixou Minas Gerais e mudou-se para Pontal para acompanhamento médico quando o filho tinha alguns anos
  • Dois anos após o transplante, Marcos tem 11 anos e vive rotina normal de criança

Marcos nasceu com doença renal crônica diagnosticada ainda na gestação e vivia com limitações severas até o transplante em abril de 2024. A mãe, enfermeira, deixou Minas Gerais e mudou-se para Pontal para acompanhamento médico, depois ofereceu-se como doadora quando filho tinha 6 anos.

Dois anos após receber rim da mãe, menino de 11 anos em Pontal, SP vive rotina normal. Fratiane Ferreira Dias doou um dos próprios rins ao filho Marcos em primeiro transplante entre vivos realizado no HC após retomada pós-pandemia.

Dois anos atrás, uma enfermeira entrou no centro cirúrgico do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto com uma decisão que mudaria para sempre a vida de seu filho. Fratiane Ferreira Dias doaria um dos próprios rins a Marcos Taylor, então com 9 anos, em um transplante que seria o primeiro entre pessoas vivas realizado naquele hospital após a retomada desse tipo de procedimento, suspenso durante a pandemia de Covid-19. Hoje, no Dia Nacional da Doação de Órgãos, a história da família aponta para uma transformação que vai muito além dos números médicos: um menino que antes era descrito pela mãe como "esverdeado", sem cor, agora brinca, estuda e constrói planos para o futuro como qualquer criança de 11 anos.

Marcos nasceu com uma doença renal crônica grave, diagnosticada quando Fratiane estava com apenas 13 semanas de gestação. Um médico indicou que ela procurasse o HC de Ribeirão Preto, e durante a gravidez ela viajava regularmente de Porteirinha, em Minas Gerais, para acompanhar a evolução do quadro. Perto das 35 semanas, os médicos comunicaram que a situação era incompatível com a vida. O filho tinha o ureter dilatado, a bexiga aumentada comprimindo outros órgãos, e os rins já estavam comprometidos. Mesmo assim, a gestação prosseguiu até o fim. Quando nasceu, Marcos apresentava alterações severas no sistema urinário e enfrentaria uma infância marcada por infecções recorrentes, dificuldade em controlar a micção e um desenvolvimento físico prejudicado.

Nos primeiros anos, Fratiane fazia o trajeto entre Minas Gerais e São Paulo repetidas vezes para manter o acompanhamento médico do filho. Com o agravamento progressivo do quadro, os médicos orientaram que seria fundamental morar mais perto do hospital. Ela pediu demissão, deixou tudo para trás e se mudou para Pontal, começando do zero em uma cidade desconhecida. Quando Marcos tinha 6 anos, durante uma consulta de rotina, ela perguntou ao médico Ivan se havia algo mais que pudesse fazer. A resposta veio dela mesma: "E se eu doar um rim para ele?" A equipe médica investigou a possibilidade, e os exames de compatibilidade mostraram uma taxa de compatibilidade próxima a 100%. Mas então veio a pandemia, e tudo parou. Fratiane e Marcos ficaram em casa, vendo o quadro do menino piorar enquanto esperavam.

Quando os transplantes entre pessoas vivas foram retomados, o processo acelerou. Fratiane passou por nova bateria de exames, avaliações psicológicas e testes de compatibilidade. Em abril de 2024, ela entrou no centro cirúrgico e doou um dos rins ao filho. O transplante foi bem-sucedido. Hoje, Marcos segue acompanhado de perto pelos médicos, faz exames de rotina e toma medicamentos regularmente. Fratiane descreve a mudança com uma clareza que revela o peso do que viveram: "Se você conhecesse ele antes, ia ver que hoje ele tem cor. Ele não tinha cor, era um menino esverdeado. Eu vejo essa doação nele como a vida. Ele voltou a viver."

A vida de Marcos agora se aproxima da de qualquer criança de sua idade. Ele brinca, constrói histórias, faz planos. Fratiane o chama de supermãe porque, segundo ela, ele compreende, ainda que de forma infantil, que sua vida mudou radicalmente. "Antes, eu não tinha essa esperança. Hoje ele é uma criança que não tem tantas preocupações", diz a mãe. Ela mesma também foi transformada pela experiência. Sua vida, segundo relata, é "normal, igual era antes, ou até melhor". Começou a se exercitar, a praticar atividade física regular, e diz não sentir falta do rim doado. Ao relembrar a trajetória, Fratiane se emociona. Mãe de quatro filhos, ela afirma que Marcos a ensinou a viver. "Acho que fui escolhida para ser a mãe do Marcos. Eu tenho quatro filhos, amo todos, e não amo o Marcos mais do que os outros. Mas o Marcos me ensinou a viver."

Fratiane sempre teve inclinação para a doação: já havia doado sangue e se cadastrado como doadora de medula óssea. Mas quando descobriu que era compatível com o filho, algo mudou em sua percepção do ato. "Não foi nem como mãe só. Foi como pessoa. Eu me iluminei." Ela descreve o transplante não como algo que fez, mas como "o topo de tudo que eu poderia fazer como mãe e como pessoa também". Dois anos depois, ambos seguem em acompanhamento médico regular, e a história deles marca um ponto de virada não apenas para a família, mas para o hospital que realizou o primeiro transplante entre vivos após a retomada pós-pandemia.

Se você conhecesse ele antes, ia ver que hoje ele tem cor. Ele não tinha cor, era um menino esverdeado. Ele voltou a viver.
— Fratiane Ferreira Dias, mãe doadora
Acho que fui escolhida para ser a mãe do Marcos. Mas o Marcos me ensinou a viver. Ele é meu ensinamento.
— Fratiane Ferreira Dias
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