O dia a dia de uma presidenta resistindo ao que o filme chama de golpe
Há momentos na história em que a câmera se torna testemunha antes que o arquivo se feche. O documentário 'Alvorada', dirigido por Anna Muylaert e Lô Politi, estreia no festival É tudo verdade com imagens captadas entre julho e setembro de 2016, quando Dilma Rousseff resistia ao processo de impeachment que a afastaria da presidência. É o terceiro filme dirigido por mulheres a revisitar aquele período, sugerindo que certas feridas políticas só se deixam ver por determinados olhares.
- O documentário mergulha no cotidiano íntimo de Dilma Rousseff durante os meses em que o impeachment avançava, transformando a crise institucional em experiência humana visível.
- A escolha do título 'Alvorada' carrega peso simbólico: o palácio que representa o poder presidencial torna-se cenário de uma resistência que o próprio filme caracteriza como resposta a um golpe.
- O debate sobre a legitimidade do impeachment de 2016 permanece aberto na sociedade brasileira, e o filme entra nessa disputa de narrativas com posicionamento explícito ao lado da interpretação de ruptura democrática.
- Anna Muylaert aponta que não é coincidência que os três documentários sobre o tema sejam todos dirigidos por mulheres, sinalizando uma convergência entre perspectiva de gênero e leitura crítica daquele momento político.
- O acesso ao filme é gratuito pela plataforma Looke, com sessões na terça às 21h e na quarta às 15h, abrindo o debate a um público amplo durante o festival É tudo verdade.
Na terça-feira, 13 de abril, o documentário 'Alvorada' estreia no festival É tudo verdade trazendo de volta um dos capítulos mais disputados da história política recente do Brasil. Dirigido por Anna Muylaert — conhecida por 'Que horas ela volta?' — e por Lô Politi, o filme foi rodado entre julho e setembro de 2016, acompanhando dia a dia a resistência de Dilma Rousseff ao processo de impeachment que a removeria da presidência.
O título escolhido não é neutro. O Palácio da Alvorada, residência oficial dos presidentes brasileiros, funciona no filme como símbolo de um poder que escorregava das mãos da presidenta enquanto o processo avançava na Câmara. A câmera oferece ao espectador uma visão íntima daquele momento de crise institucional, posicionando-se claramente na interpretação do impeachment como golpe.
'Alvorada' é o terceiro documentário a se debruçar sobre o tema — depois de 'O processo' (2018), de Maria Augusta Ramos, e 'Democracia em vertigem' (2019), de Petra Costa, indicado ao Oscar. Os três foram dirigidos por mulheres, padrão que Anna Muylaert não atribui ao acaso. A perspectiva feminina parece ter encontrado no cinema documentário um espaço privilegiado para narrar aquele conflito.
O filme pode ser assistido gratuitamente pela plataforma Looke, com sessões na terça às 21h e na quarta às 15h. Para acessar, basta criar uma conta no site e navegar até a programação do festival em etudoverdade.com.br. Para quem quer revisitar — ou conhecer pela primeira vez — esse capítulo turbulento da democracia brasileira, 'Alvorada' promete uma imersão no coração daquele conflito ainda não encerrado.
Nesta terça-feira, 13 de abril, o documentário Alvorada chega ao festival É tudo verdade para contar uma história que ainda reverbera na política brasileira: os meses em que Dilma Rousseff enfrentou o processo de impeachment que a removeria da presidência em 2016. O filme é dirigido por Anna Muylaert, conhecida pelo longa Que horas ela volta?, e por Lô Politi, e foi rodado entre julho e setembro daquele ano, capturando o cotidiano da então presidenta enquanto ela resistia ao que o documentário caracteriza como um golpe.
A escolha do título não é casual. Alvorada refere-se ao palácio que funciona como residência oficial dos presidentes brasileiros, um símbolo do poder que Dilma via escapar enquanto o processo avançava na Câmara dos Deputados. O documentário acompanha dia após dia dessa resistência, oferecendo ao espectador uma visão íntima de como a presidenta vivia aquele momento de crise institucional.
Este não é o primeiro filme a abordar o tema. Antes dele, O processo, dirigido por Maria Augusta Ramos, chegou aos cinemas em 2018. Depois veio Democracia em vertigem, de Petra Costa, lançado em 2019 e indicado ao Oscar. Alvorada é o terceiro documentário a se debruçar sobre o golpe de 2016, e também o terceiro a ser dirigido por mulheres — um padrão que Anna Muylaert não acredita ser coincidência. A perspectiva feminina sobre esse momento crítico da história política brasileira parece ter encontrado espaço no cinema documentário.
Para quem quiser assistir, a exibição acontece nesta terça-feira às 21 horas, com uma segunda sessão na quarta-feira, 14 de abril, às 15 horas. O acesso é feito pela plataforma Looke, que exige cadastro prévio. O processo é simples: basta acessar o site www.looke.com.br, criar uma conta usando um código SMS que será enviado ao celular, depois entrar em www.etudoverdade.com.br, clicar em Programação, selecionar o filme e apertar play.
O documentário chega em um momento em que o debate sobre aquele período continua vivo na sociedade brasileira. Enquanto alguns veem o impeachment como um processo legítimo, outros o caracterizam como um golpe institucional. Alvorada posiciona-se claramente nesta última interpretação, oferecendo uma narrativa que privilegia a perspectiva de resistência de Dilma durante aqueles meses turbulentos. Para quem quer entender melhor esse capítulo recente da história política do país, o filme promete ser uma experiência de imersão no coração daquele conflito.
Notable Quotes
Anna Muylaert avalia que não é acaso que todos os três documentários sobre o tema tenham sido dirigidos por mulheres— Anna Muylaert, diretora de Alvorada
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que agora, cinco anos depois, um novo documentário sobre o impeachment de Dilma?
Porque o tempo permite uma certa distância. Em 2016, as emoções eram muito cruas. Agora é possível contar a história com mais profundidade, mostrando o que Dilma vivia naqueles dias específicos.
O que torna este filme diferente dos outros dois que já existem?
A perspectiva. Anna Muylaert e Lô Politi estavam lá durante aqueles meses, acompanhando Dilma de perto. Não é uma análise de fora, é um retrato do dia a dia, da resistência vivida em tempo real.
É significativo que todos os três documentários tenham sido dirigidos por mulheres?
Muito. Não é acaso. Mulheres cineastas tiveram interesse em contar essa história de uma mulher presidenta enfrentando uma crise institucional. Há uma conexão ali que vai além do tema político.
Como alguém acessa o filme?
É simples. Você se cadastra na Looke, entra no site do festival É tudo verdade, encontra o filme na programação e assiste. Duas sessões: terça à noite e quarta à tarde.
O documentário chama o processo de golpe, não de impeachment. Isso importa?
Importa muito. É a interpretação central do filme. Não é apenas um relato dos fatos, é uma posição sobre o que aconteceu naquele momento.