Comunicação pública sem dependência de audiência ou anúncio
Em cidades do interior do Espírito Santo que ainda não contavam com estações públicas de televisão, a Universidade Federal do Espírito Santo começa a erguer torres transmissoras como parte de um esforço nacional de democratização da informação. Com equipamentos financiados pelo Governo Federal e operação inteiramente assumida pela universidade, os novos canais de TV aberta em Alegre e São Mateus representam uma aposta de que o conhecimento produzido nas instituições públicas pode — e deve — chegar às casas sem custo para o cidadão. É a tecnologia a serviço da cidadania, num país que ainda busca equilibrar o acesso à informação entre capitais e municípios do interior.
- Duas cidades capixabas vivem sem estações públicas de TV licenciadas — uma lacuna que a Ufes agora se propõe a preencher antes do fim do ano.
- As obras já começaram em São Mateus em junho e chegam a Alegre em julho, com prazo apertado para que o sinal alcance os lares até agosto.
- O Governo Federal entrou com R$ 700 mil por unidade nos equipamentos transmissores, mas deixou para a universidade o peso da operação, manutenção e produção de conteúdo.
- A programação prometida foge do entretenimento comercial: cidadania, transparência pública, pesquisa universitária e identidade regional são os pilares editoriais.
- A iniciativa se apoia em experiência prévia — a Ufes já gerencia a rádio FM 87.1 desde 2025 — e integra o Programa Brasil Digital, que mira municípios desassistidos em todo o país.
A Universidade Federal do Espírito Santo está prestes a inaugurar dois canais de televisão aberta e gratuita nos municípios de Alegre e São Mateus, com previsão de que o sinal chegue às residências até agosto de 2026. As torres transmissoras — cada uma com equipamentos avaliados em cerca de R$ 700 mil, financiados pelo Governo Federal — começaram a ser instaladas em junho, como parte da Rede Nacional de Comunicação Pública, programa lançado pelo Ministério das Comunicações em 2024 para levar TV digital em alta definição a regiões ainda sem estações públicas licenciadas.
Em São Mateus, as obras tiveram início em 16 de junho, próximo à entrada do campus, e prometem cobertura de 100% da área urbana. Em Alegre, a construção começa no início de julho, entre os prédios do Reuni e da Pós-Graduação, com alcance de 99,5% dos moradores urbanos. Ambos os projetos seguem o mesmo cronograma: conclusão até agosto.
A Ufes assume integralmente a operação, a manutenção e a produção de conteúdo dos novos canais. A programação terá foco em cidadania, transparência pública, projetos e pesquisas da universidade, além de conteúdos regionais voltados ao combate à desinformação. O modelo divide responsabilidades: o governo fornece a tecnologia, e a instituição garante que ela funcione e seja preenchida com programação de relevância social.
A universidade havia submetido propostas para três municípios — incluindo Vitória —, mas apenas Alegre e São Mateus foram aprovadas após avaliações técnicas de viabilidade de sinal. A experiência acumulada com a rádio Ufes FM 87.1, inaugurada em maio de 2025, serve de base para essa nova etapa. Para os moradores das duas cidades, a chegada dos canais significa acesso a uma alternativa de televisão que não depende de assinatura nem de publicidade comercial.
A Universidade Federal do Espírito Santo está colocando em funcionamento dois canais de televisão aberta nos municípios de Alegre e São Mateus ainda este ano. As torres transmissoras, cujos equipamentos custaram cerca de R$ 700 mil cada — financiados pelo Governo Federal — começaram a ser instaladas em junho, com previsão de que o sinal chegue às casas até agosto. Trata-se de um desdobramento da Rede Nacional de Comunicação Pública, o programa de expansão de TV digital que o Ministério das Comunicações lançou em 2024 para levar televisão gratuita em alta definição a regiões do país que ainda não possuem estações públicas licenciadas.
Em São Mateus, as obras iniciaram em 16 de junho próximo à entrada do campus. A infraestrutura — torre e abrigo para os equipamentos de transmissão — será capaz de cobrir 100% da área urbana do município. Em Alegre, a construção acontecerá entre os prédios do Reuni e da Pós-Graduação, com início previsto para o começo de julho, e alcançará 99,5% dos moradores em zonas urbanas. Ambos os cronogramas seguem a mesma linha de tempo: conclusão até agosto.
A responsabilidade pela operação, manutenção e produção de conteúdo fica inteiramente com a Ufes. Os canais transmitirão programação focada em cidadania, democratização da informação e transparência pública, além de documentar ações, projetos e pesquisas desenvolvidas pela universidade. Há também espaço para conteúdos regionais que fortaleçam a identidade local e combatam a desinformação. Trata-se de uma aposta em comunicação educativa e cultural, comprometida com entretenimento de qualidade e relevância social.
O Programa Brasil Digital, que coordena essa expansão, foi instituído pelo Ministério das Comunicações em julho de 2024. A Ufes havia submetido propostas para três municípios — Vitória, Alegre e São Mateus — mas apenas as duas últimas foram aprovadas após avaliações técnicas de viabilidade de sinal. A universidade já integrava a rede de comunicação pública desde 2023, tendo inaugurado a rádio Ufes FM 87.1 em maio de 2025, um precedente que demonstra sua capacidade de gerenciar mídia pública.
O investimento federal cobre apenas os equipamentos transmissores. Todos os demais custos — infraestrutura, manutenção, operação diária e criação de conteúdo — são arcados pela universidade. É um modelo de parceria em que o governo fornece a tecnologia e a instituição assume a responsabilidade de mantê-la funcionando e preenchê-la com programação relevante. Para os moradores de Alegre e São Mateus, a chegada desses canais representa acesso gratuito a uma alternativa de programação que não depende de assinatura ou publicidade comercial.
Notable Quotes
Os novos canais são uma alternativa de programação regida pela comunicação pública, educativa e cultural, comprometida com a informação e o entretenimento de qualidade e de relevância social— Descrição do projeto pela Ufes
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a universidade aceitou essa responsabilidade? Manter um canal de TV é caro.
É verdade. Mas a Ufes já tinha experiência com a rádio FM que lançou no ano passado. Além disso, há uma missão institucional aqui — levar informação de qualidade para cidades que não têm estação pública de TV.
E o conteúdo? Quem decide o que vai ao ar?
A universidade. Podem retransmitir programação da rede pública nacional, mas também têm liberdade para criar conteúdo local. Pesquisas, projetos, notícias da região.
Isso muda alguma coisa para quem mora lá?
Muda bastante. Antes não havia TV aberta pública. Agora terão um canal que não vende produto, que não precisa de audiência para vender anúncio. É comunicação com outro propósito.
E se a universidade não conseguir manter? Se faltar dinheiro?
É um risco real. O governo pagou a tecnologia, mas a Ufes precisa bancar tudo o mais. Se a universidade enfrentar cortes orçamentários, o canal sofre.
Então é um compromisso de longo prazo.
Exatamente. Não é um projeto piloto. É uma concessão. A universidade assumiu a responsabilidade de manter esses canais funcionando.