Vinte pessoas que precisarão reconstruir suas vidas depois de 25 meses de cativeiro
Após 738 dias em cativeiro na Faixa de Gaza, vinte israelenses — soldados, civis, músicos, enfermeiros — retornaram ao mundo que os aguardava, como parte de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. O sequestro havia começado na manhã de 7 de outubro de 2023, quando o Hamas invadiu Israel e arrastou centenas de pessoas para dentro de uma guerra que desde então custou mais de 67 mil vidas. O retorno dessas vinte pessoas não encerra o conflito, mas devolve à humanidade algo que ela havia perdido: a possibilidade, ainda que parcial, de reparação.
- Vinte reféns desceram de ônibus com dificuldade após 738 dias — alguns mal conseguiam caminhar, todos carregavam marcas visíveis no corpo e na mente.
- Entre os libertados estão um pianista com sinais de perda de visão, um segurança visto em vídeos magro e com ferimentos nas mãos, e um soldado cujos três companheiros morreram no mesmo ataque em que ele foi capturado.
- O acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA abriu a porta para essa libertação, mas o custo da guerra que a antecedeu ultrapassa 67 mil mortos em Gaza segundo fontes locais.
- Familiares que passaram mais de dois anos em vigília pública — mães que se tornaram vozes do movimento por reféns, pais com deficiência que prometeram surpresas — finalmente receberam seus filhos de volta.
- Todos os vinte estão agora sob acompanhamento médico e psicológico intensivo, iniciando uma reconstrução que pode levar anos.
Depois de 738 dias nas mãos do Hamas, vinte israelenses voltaram para casa. Alguns precisaram de ajuda para descer do ônibus. Todos tinham histórias que começaram na mesma manhã de outubro de 2023, quando a organização palestina invadiu Israel e levou centenas de pessoas para a Faixa de Gaza.
Os libertados formam um retrato da tragédia em suas múltiplas dimensões: soldados capturados em combate, como Matan Angrest, 22 anos, cujos três companheiros de tanque morreram no mesmo ataque; músicos sequestrados no festival Nova, como os gêmeos Gali e Ziv Berman e o produtor Elkana Bohbot, que apareceu em vídeos visivelmente debilitado; civis arrancados de kibutzim fronteiriços, como os irmãos israelenses-argentinos David e Ariel Cunio, do Nir Oz. Havia também um enfermeiro que foi capturado enquanto socorria feridos, um pianista com sinais de perda de visão e um engenheiro que é namorado de uma refém libertada no ano anterior.
O acordo que tornou possível esse retorno foi mediado pelos Estados Unidos e representa um cessar-fogo entre Israel e Hamas. Mas o contexto em que ele se insere é de destruição em larga escala: mais de 67 mil mortos em Gaza desde o início da ofensiva israelense, segundo o Ministério da Saúde local controlado pelo Hamas.
Agora, os vinte estão sob acompanhamento médico e psicológico intensivo. A guerra em Gaza continua. Mas para essas vinte famílias, algo mudou nesta semana.
Depois de 738 dias nas mãos do Hamas, vinte israelenses voltaram para casa. Alguns desceram de ônibus com dificuldade. Outros precisaram de ajuda para caminhar. Todos tinham histórias que começaram na mesma manhã de outubro de 2023, quando a organização palestina invadiu Israel e levou centenas de pessoas — homens, mulheres, crianças, idosos — para a Faixa de Gaza.
Esta libertação marca o fim de um dos capítulos mais pesados da guerra que se seguiu. Os vinte reféns agora liberados incluem soldados capturados em combate, produtores musicais que estavam em um festival quando tudo desabou, seguranças, enfermeiros, terapeutas e civis arrancados de kibutzim próximos à fronteira. Alguns tinham 21 anos. Outros passavam dos 40. Todos passaram mais de dois anos longe de casa, longe de suas famílias, sob condições que deixaram marcas visíveis em seus corpos e, certamente, em suas mentes.
O acordo que permitiu essa libertação foi mediado pelos Estados Unidos e representa um cessar-fogo entre Israel e Hamas. Mas o preço da guerra que levou a esse ponto é imenso. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza — controlado pelo Hamas — mais de 67 mil pessoas morreram desde que Israel iniciou sua ofensiva em resposta ao ataque de outubro. A cifra é contestada, mas qualquer número nessa magnitude fala de destruição em escala.
Os nomes dos libertados contam histórias individuais dentro dessa tragédia maior. Matan Angrest, 22 anos, era soldado quando foi capturado em seu tanque perto da base de Nahal Oz; seus três companheiros morreram no mesmo ataque. Os gêmeos Gali e Ziv Berman, 28 anos, eram produtores musicais sequestrados no kibutz Kfar Aza, que foi incendiado durante a invasão. Elkana Bohbot, 36 anos, produtor do festival de música, foi levado ferido e apareceu em vídeos divulgados pelo Hamas visivelmente debilitado. Rom Braslavski, 21 anos, trabalhava como segurança do festival e foi visto em gravações magro e enfraquecido, com ferimentos nas mãos.
Nimrod Cohen, 21 anos, foi arrancado de um tanque destruído e sua história se tornou símbolo da luta das famílias de reféns por sua libertação. Os irmãos David e Ariel Cunio, 35 e 28 anos, israelenses-argentinos, foram sequestrados junto com familiares no kibutz Nir Oz; parte de sua família já havia sido libertada em tréguas anteriores. Evyatar David e Guy Gilboa Dalal, ambos 24 anos e amigos de infância, foram capturados no festival Nova e sofreram abusos durante o cativeiro, aparecendo em vídeos do Hamas acompanhando outras libertações.
Maxim Herkin, 37 anos, de origem russa, foi visto ferido e enfaixado em gravações do grupo. Eitan Horn, 39 anos, educador argentino naturalizado israelense, foi sequestrado no kibutz Nir Oz; seu irmão havia sido libertado meses antes. Bar Kuperstein, 23 anos, enfermeiro do Exército, foi sequestrado enquanto tentava socorrer feridos. Seu pai, que tem deficiência, prometeu recebê-lo com uma surpresa. Omri Miran, 48 anos, massagista e terapeuta, apareceu em vídeos pedindo paz e relatando os bombardeios israelenses em Gaza.
Eitan Mor, 25 anos, segurança do festival Nova, é filho de um dos líderes do Fórum da Esperança, grupo de familiares de reféns. Yosef Haim Ohana, 25 anos, barman do festival que sonhava em ser coach, foi sequestrado após ajudar feridos. Alon Ohel, 24 anos, pianista, foi capturado em um esconderijo após voltar de viagem à Ásia e apareceu em vídeos com sinais de perda de visão. Avinatan Or, 32 anos, engenheiro, é namorado de Noa Argamani, que havia sido libertada em 2024. Matan Zangauker, 25 anos, sequestrado em casa no kibutz Nir Oz, trabalhava em uma fazenda de canábis medicinal; sua mãe se tornou uma das vozes mais ativas pela libertação dos reféns. Segev Kalfon, 27 anos, trabalhava na padaria da família e foi surpreendido por terroristas enquanto tentava se esconder.
Agora todos estão sob acompanhamento médico e psicológico intensivo. Vinte pessoas que precisarão reconstruir suas vidas depois de 25 meses de cativeiro, depois de possíveis abusos, depois de tudo que viram e viveram. A guerra em Gaza continua. Mas para essas vinte famílias, algo mudou nesta semana.
Notable Quotes
Sua história virou símbolo da resistência das famílias de reféns— Sobre Nimrod Cohen, 21 anos, soldado libertado
Sua mãe se tornou uma das vozes mais ativas pela libertação dos reféns— Sobre a mãe de Matan Zangauker, 25 anos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que essa libertação importa agora, neste momento específico?
Porque encerra uma das feridas mais abertas da guerra. Desde outubro de 2023, essas vinte pessoas estavam desaparecidas — não mortas, não confirmadas, apenas desaparecidas. Suas famílias viveram em suspenso. Agora há resposta, há corpos, há volta.
Mas 67 mil pessoas morreram em Gaza. Como equilibrar essa alegria com esse número?
Não se equilibra. Coexistem. Uma mãe em Israel abraça seu filho vivo. Uma mãe em Gaza enterra seu filho morto. Ambas as coisas são verdadeiras. A guerra não permite que uma cancele a outra.
Esses reféns — muitos deles jovens — o que esperar deles agora?
Recuperação longa. Não é só físico, embora muitos estejam visivelmente debilitados. É psicológico. Vinte e cinco meses em cativeiro, alguns com abusos documentados, alguns vendo vídeos de si mesmos sendo usados como propaganda. Isso não se resolve em semanas.
O que você vê nas histórias individuais que o número 20 esconde?
Vejo que não eram abstratos. Eram um produtor musical, um pianista, um enfermeiro tentando salvar vidas, um barman que sonhava em ser coach. Pessoas com profissões, com relacionamentos, com planos. O Hamas não sequestrou números. Sequestrou vidas específicas.
E as famílias que ainda esperam por outros reféns?
Continuam esperando. Essa libertação é vitória para vinte famílias. Para as outras, é esperança e também dor — porque veem que libertação é possível, mas seus entes queridos ainda não voltaram.