Direita supera esquerda na identificação dos brasileiros, aponta Datafolha

27% dos petistas se identificam com a direita
A pesquisa revela incongruências profundas entre identificação ideológica e lealdade política partidária.
Mark

Como explicar que 27% dos petistas se identifiquem com a direita? Isso não é contraditório?

Mimi

Não necessariamente. Muitos eleitores votam em um candidato ou partido por razões práticas — economia local, saúde, segurança — sem que isso signifique que adotem toda a plataforma ideológica. A direita e a esquerda como conceitos abstratos podem não fazer muito sentido para quem vive fora das bolhas políticas.

Mark

E quando 9% dos entrevistados apontam Lula como liderança da direita? Como isso é possível?

Mimi

Sugere que as pessoas estão usando "direita" e "esquerda" para significar coisas muito diferentes do que os analistas políticos entendem. Talvez para alguns, "direita" signifique autoridade, ordem, ou até pragmatismo econômico — qualidades que veem em Lula independentemente de seu histórico no PT.

Mark

A pesquisa mostra fragmentação ou apenas confusão?

Mimi

Provavelmente ambas. Há fragmentação real — 46% na direita e centro-direita contra 29% na esquerda e centro-esquerda. Mas há também confusão genuína sobre o que essas palavras significam. O Brasil pode estar em um momento em que as categorias ideológicas tradicionais estão perdendo poder explicativo.

Mark

O que isso significa para a política prática?

Mimi

Significa que candidatos e partidos não podem contar com lealdades ideológicas automáticas. Precisam falar a linguagem das pessoas, não a linguagem dos manuais de política. E significa que coalizões políticas podem ser mais instáveis e menos previsíveis do que parecem.

  • A direita avança na autoimagem dos brasileiros, reunindo 46% quando somada à centro-direita, contra 29% do campo progressista — uma assimetria que redesenha o equilíbrio político nacional.
  • A tensão se aprofunda nas contradições internas: quase um terço dos petistas se declara de direita, enquanto um em cada dez bolsonaristas se identifica com a esquerda, revelando uma crise de coerência ideológica.
  • Lula é apontado por 9% dos entrevistados como a maior liderança da direita — número superior ao de Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro —, enquanto 5% enxergam Bolsonaro como referência da esquerda.
  • O fenômeno aponta para uma fragmentação em curso: as etiquetas ideológicas parecem funcionar mais como marcadores de identidade tribal do que como bússolas de princípios políticos consistentes.

Em dezembro de 2025, o Datafolha mapeou o espectro ideológico de mais de dois mil brasileiros e encontrou não uma nação polarizada em dois blocos nítidos, mas um território de identidades fluidas e paradoxais. A direita lidera a autoclassificação com 35%, enquanto a esquerda reúne 22% — mas esses números se dissolvem quando confrontados com a realidade partidária: petistas que se dizem de direita, bolsonaristas que se reconhecem na esquerda. O retrato sugere que, no Brasil contemporâneo, as categorias herdadas da política moderna já não conseguem conter a complexidade das lealdades e das rejeições que moldam o cidadão comum.

Uma pesquisa do Datafolha divulgada em dezembro de 2025 traçou um mapa ideológico do Brasil que desafia as categorias convencionais. Ouvindo 2.002 pessoas em 113 municípios, o levantamento mostrou que 35% dos brasileiros se identificam com a direita e apenas 22% com a esquerda, com 17% no centro e 8% sem resposta definida. Quando os grupos intermediários são somados, o quadro se acentua: 46% se posicionam entre direita e centro-direita, contra 29% entre esquerda e centro-esquerda.

O cenário muda de figura quando a pergunta deixa de ser sobre espectro político e passa a ser sobre lideranças. Quarenta por cento dos entrevistados se declararam petistas e 34% bolsonaristas — uma inversão em relação à autoclassificação ideológica. Mais revelador ainda: 27% dos que se dizem petistas afirmaram identificar-se com a direita, e 11% dos bolsonaristas disseram pertencer à esquerda.

Essas contradições se estendem à percepção das lideranças. Nove por cento dos participantes apontaram Lula como a principal referência da direita brasileira — percentual superior ao de Tarcísio de Freitas (5%) e Michelle Bolsonaro (2%). No sentido oposto, 5% indicaram Bolsonaro como maior liderança da esquerda. O conjunto dos dados sugere que a identidade política dos brasileiros está menos fundada em princípios coerentes e mais ancorada em pertencimentos afetivos e rejeições, sinalizando que esquerda e direita podem ter adquirido significados próprios e distintos no imaginário popular do país.

Uma pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira revelou um mapa ideológico do Brasil que desafia as categorias tradicionais. Quando perguntados sobre sua posição no espectro político, 35% dos brasileiros se identificam com a direita, enquanto apenas 22% dizem ter afinidade com a esquerda. O levantamento, que ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 113 municípios entre 2 e 4 de dezembro, apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais.

O quadro se complica quando se observam as posições intermediárias. Dezessete por cento dos entrevistados se colocam no centro do espectro político, 11% se identificam com a centro-direita, e 7% com a centro-esquerda. Oito por cento não souberam responder. A pesquisa utilizou uma escala de 1 a 7, onde 1 representa a extrema esquerda e 7 a extrema direita. Aqueles que marcaram 5, 6 ou 7 foram agrupados como mais próximos da direita, enquanto os que escolheram 1, 2 ou 3 foram classificados como esquerda, e o 4 como centro.

Quando esses grupos são consolidados, o deslocamento ideológico fica mais evidente: 46% dos brasileiros se posicionam entre direita e centro-direita, contra apenas 29% que se colocam entre esquerda e centro-esquerda. Essa distribuição sugere uma reconfiguração significativa do mapa político nacional, com a direita ampliando sua base de identificação.

Mas a pesquisa revelou algo ainda mais intrigante quando mudou de perspectiva. Ao perguntar aos entrevistados sobre sua identificação em relação aos dois principais polos políticos do país — o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — os números se inverteram. Quarenta por cento se declararam petistas, enquanto 34% se posicionaram como apoiadores de Bolsonaro. Dezoito por cento se colocaram na faixa de neutros, 6% disseram não apoiar nenhum deles, e 1% não soube responder.

Essas duas formas de medir a identificação política revelam incongruências profundas. Vinte e sete por cento dos entrevistados que se declaram petistas afirmaram se identificar com a direita. No sentido oposto, 11% dos que se declaram bolsonaristas disseram se identificar com a esquerda. Essas contradições sugerem que muitos brasileiros não entendem a ideologia da mesma forma que as elites políticas, ou que as categorias tradicionais de esquerda e direita não capturam adequadamente as divisões políticas reais do país.

Essas confusões ideológicas aparecem também quando se pergunta sobre lideranças políticas. Nove por cento dos participantes apontaram o presidente Lula como a principal liderança da direita — um percentual superior ao atribuído ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, citado por 5%, e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mencionada por 2%. No sentido inverso, 5% dos entrevistados indicaram Bolsonaro como a maior liderança da esquerda. Esses dados sugerem que a identificação ideológica dos brasileiros está menos ancorada em princípios políticos coerentes e mais fragmentada, refletindo talvez uma rejeição às categorias tradicionais ou uma compreensão distinta do que significam esquerda e direita no contexto brasileiro atual.

27% dos entrevistados que se dizem petistas afirmaram se identificar com a direita
— Datafolha
9% dos participantes apontaram o presidente Lula como a principal liderança da direita
— Datafolha
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