Em meio às discussões de Chicago, onde a comunidade oncológica mundial se reuniu para compartilhar o que vem descobrindo, um ensaio italiano trouxe uma esperança discreta mas concreta: a mudança de hábitos depois do diagnóstico de câncer de mama pode fazer diferença real sobre o retorno da doença. Ao combinar alimentação mediterrânea, caminhada diária e vitamina D, mulheres com tumores hormônio-dependentes mostraram risco bem menor de novas lesões, sinal de que o cuidado com o corpo continua a importar mesmo depois que a fase mais dura do tratamento passa. Ainda assim, trata-se de um primeiro
Dieta mediterrânea, caminhada e vitamina D reduzem em 76% o risco de retorno do câncer de mama, aponta estudo
Mudar hábitos não tem hora certa e nunca é tarde demais
Qual é o achado central?
Mulheres com câncer de mama RH positivo que adotaram dieta mediterrânea, caminhada rápida diária e vitamina D tiveram risco 76% menor de novas lesões.
Com quem foram comparadas?
Com um grupo que só recebeu orientação de seguir a dieta de baixo índice glicêmico e evitar o sedentarismo. Eram 492 mulheres no total, de 30 a 74 anos.
Um ponto: o grupo de comparação também recebeu orientação de dieta. Então o 76% mede a diferença entre intervenção estimulada e orientação simples, não entre intervenção e nada.
E o que isso significa para o tratamento?
Que mudar hábitos depois do diagnóstico parece trazer benefício, além de melhorar a síndrome metabólica: a chance de sair desse quadro foi 2,5 vezes maior.
Parece, sim. Mas é um ensaio só, com 33 semanas de intervenção. O texto não diz por quanto tempo as mulheres foram acompanhadas, e isso pesa para falar de retorno do câncer.
E qual peça pesou mais: dieta, caminhada ou vitamina D?
A reportagem não separa. O estudo testou o conjunto, então não dá para atribuir o efeito a um item.
Por isso a confirmação em estudos maiores é o próximo passo antes de virar recomendação padrão.
El Pulso
- Um número chama atenção em Chicago: 76% de redução no risco de retorno do câncer de mama entre as participantes que mudaram de hábito.
- A síndrome metabólica, ligada à obesidade, à pressão alta e ao açúcar elevado, aparece como um possível elo com o reaparecimento do tumor, e as voluntárias tiveram 2,5 vezes mais chance de superá-la.
- O ensaio reuniu 492 mulheres que seguiram dieta mediterrânea, caminhada de 30 minutos por dia e suplementação de vitamina D por 33 semanas, comparadas a um grupo que recebeu só orientação alimentar.
- A pesquisadora Livia Augustin recomenda que pacientes adotem esses hábitos, mas o resultado ainda vem de um único estudo e precisa de confirmação em ensaios maiores.
Em meio às discussões de Chicago, onde a comunidade oncológica mundial se reuniu para compartilhar o que vem descobrindo, um ensaio italiano trouxe uma esperança discreta mas concreta: a mudança de hábitos depois do diagnóstico de câncer de mama pode fazer diferença real sobre o retorno da doença. Ao combinar alimentação mediterrânea, caminhada diária e vitamina D, mulheres com tumores hormônio-dependentes mostraram risco bem menor de novas lesões, sinal de que o cuidado com o corpo continua a importar mesmo depois que a fase mais dura do tratamento passa. Ainda assim, trata-se de um primeiro passo, que pede confirmação antes de se tornar regra para todas.
Em Chicago, durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, um estudo italiano chamou atenção por um número: 76%. Esse foi o índice de redução no risco de retorno do câncer de mama entre mulheres que adotaram três mudanças de hábito, num ensaio voltado ao tipo mais comum da doença.
O pacote unia dieta mediterrânea rica em alimentos de baixo índice glicêmico, caminhada rápida de 30 minutos diários e suplementação de vitamina D, hormônio cuja deficiência está associada a desfechos piores. A proposta nasceu de pesquisas anteriores que mostravam benefícios de atividade física e de uma alimentação rica em frutas e vegetais, agora combinados num só protocolo.
Foram 492 mulheres, entre 30 e 74 anos, com câncer de receptor hormonal positivo e sem metástases. Um grupo seguiu as intervenções por 33 semanas; o outro recebeu apenas orientação alimentar e incentivo a não ser sedentário. Quem mudou a rotina teve risco 76% menor de novas lesões.
Houve ainda um efeito paralelo: a síndrome metabólica, associada ao reaparecimento de tumores, foi superada por voluntárias do programa com chance 2,5 vezes maior. Para especialistas como a oncologista Mariana Laloni, o achado reforça que a mudança de hábitos traz benefícios mesmo após o diagnóstico e o tratamento.
O resultado, porém, vem de um único ensaio e precisará ser confirmado em estudos maiores antes de se tornar recomendação clínica padrão.
Em Chicago, na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), que reuniu 45 mil especialistas e pesquisadores, um estudo italiano chamou atenção por um número: 76%. É a redução no risco de retorno do câncer de mama observada em mulheres que adotaram um conjunto de três mudanças de hábito, num ensaio dedicado ao tipo mais comum da doença, responsável por até 80% dos casos entre as pacientes.
O pacote combinava dieta mediterrânea com alimentos que não elevam o açúcar no sangue, como vegetais verdes e leguminosas, caminhada rápida de 30 minutos por dia e suplementação de vitamina D. O hormônio entrou no protocolo porque a deficiência dele está associada a desfechos desfavoráveis em pessoas com diagnóstico de câncer de mama.
As três frentes não foram escolhidas ao acaso. Os pesquisadores partiram de trabalhos anteriores: um mostrou que três horas semanais de atividade física poderiam reduzir pela metade a mortalidade de pacientes com câncer de mama; outro apontou aumento de 50% no tempo de vida em um grupo que caminhava em ritmo acelerado por meia hora diariamente e comia cinco porções de frutas e vegetais por dia. A ideia, agora, era testar a soma desses bons hábitos.
Foram recrutadas 492 mulheres de 30 a 74 anos, todas com câncer de mama com receptor hormonal (RH) positivo e tumor sem metástases. Um grupo foi estimulado a seguir as intervenções e aderiu a elas por 33 semanas. No outro, as participantes receberam apenas a orientação de seguir a dieta mediterrânea de baixo índice glicêmico e de evitar o sedentarismo. Na comparação, quem mudou os hábitos teve risco 76% menor de novas lesões cancerígenas.
Houve ainda um ganho paralelo. A síndrome metabólica, que reúne fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, como obesidade, pressão alta e açúcar elevado no sangue, é reconhecida por estudos como fator ligado ao reaparecimento de tumores de mama. Entre as voluntárias do programa, a chance de sair desse quadro foi 2,5 vezes maior.
Para a oncologista Mariana Laloni, diretora médica técnica da Oncoclínicas, o resultado amplia o que já se sabia. Segundo ela, controle de peso, dietas de menor índice glicêmico e atividade física já reduzem o risco de câncer de mama, e o estudo reforça que, depois do diagnóstico e do tratamento, as mudanças também trazem benefício.
Livia Augustin, autora do estudo, do Instituto Nacional do Câncer da Fundação Pascale, em Nápoles, afirmou ao Asco Daily News que, dados os benefícios cardiometabólicos e o alto risco de morte por doença cardiovascular após o diagnóstico, seria aconselhável seguir dieta como a mediterrânea, com alimentos de baixo índice glicêmico, caminhar ao menos 30 minutos por dia, ou o equivalente, e manter a vitamina D em níveis adequados.
O resultado vem de um único ensaio. Antes de virar recomendação clínica padrão, precisará ser confirmado em estudos maiores. (A repórter do texto original viajou à Asco a convite da Johnson & Johnson Innovative Medicine no Brasil.)
Citas Notables
Seria aconselhável seguir dieta como a mediterrânea, caminhar ao menos 30 minutos por dia e manter a vitamina D em níveis adequados.— Livia Augustin, autora do estudo, Fundação Pascale (Nápoles)
Após diagnóstico e tratamento, mudar hábitos também traz benefícios.— Mariana Laloni, oncologista, Oncoclínicas