Dentista influencer é denunciada por cirurgias irregulares que deixaram pacientes deformados no ES

Três pacientes sofreram infecções graves, necroses teciduais, deformidades faciais permanentes, incapacidade ocupacional e necessidade de tratamentos reparadores prolongados com custos pessoais elevados.
Pausava os cortes abertos para gravar vídeos no Instagram
Descrição do procedimento de mini lifting facial onde a dentista interrompia a cirurgia para capturar conteúdo promocional.
Mark

O que torna este caso tão grave além das lesões físicas?

Mimi

É a sistemática. Não foi um erro cirúrgico isolado. Era música eletrônica tocando, a dentista parando para gravar vídeos com os cortes abertos, assistentes sem qualificação fazendo suturas. Três pacientes diferentes, padrão idêntico de negligência.

Luke

Mas precisamos ser claros: a denúncia foi oferecida, não recebida pela Justiça ainda. Os pedidos de indenização e apreensão de passaportes foram requeridos, não concedidos. Nada disso é decisão judicial ainda.

Mark

E quanto à qualificação dela? A defesa menciona duas décadas de carreira.

Mimi

Sim, mas harmonização orofacial é diferente de cirurgia plástica invasiva na face. Dentistas não estão habilitados para isso. É proibido pela lei. E a clínica operava com alvará vencido.

Luke

Correto. O que sabemos é que o CRO cassou o registro dela em agosto, mas essa cassação ainda precisa ser confirmada pelo Conselho Federal para ter efeito prático. Ela continua atuando enquanto isso.

Mark

Como pacientes foram atraídos para esses procedimentos?

Mimi

Publicidade nas redes sociais. Ela é influencer. Promessas de recuperação rápida e simples. As pessoas viram os anúncios e confiaram.

Luke

E pagaram caro. Oito mil e quinhentos reais via Pix em um caso. Depois precisaram pagar mais ainda por tratamento particular para conter as infecções.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

A Justiça precisa receber a denúncia. Depois vem o processo, perícia, contraditório. Os pedidos do MP — suspensão, multa diária, apreensão de passaportes — só valem se o juiz conceder.

Luke

E as vítimas? Elas têm deformidades permanentes agora. Mesmo que ganhem a indenização, isso não desfaz o que aconteceu.

  • Três pacientes sofreram infecções graves, necrose de tecidos e deformidades permanentes
  • Cirurgias realizadas ao som de música eletrônica com interrupções para gravação de vídeos
  • MP pediu indenização mínima de R$ 500 mil e suspensão imediata das atividades estéticas
  • Instituto Laranja operava com alvará sanitário vencido em Vila Velha, Grande Vitória
  • Mariana Laranja, 44 anos, e Nathan Laranja Roeder Holz, 25 anos, foram denunciados por lesão corporal

Mariana Laranja realizava cirurgias ao som de música eletrônica, pausava procedimentos com cortes abertos para gravar vídeos no Instagram e deixava assistentes sem habilitação fazer suturas. Três pacientes sofreram infecções graves, necrose de tecidos e deformidades permanentes após cirurgias de mini lifting facial prometidas como 'simples e sem riscos com recuperação em 15 dias'.

Dentista influencer Mariana Laranja foi denunciada pelo MP do ES por realizar cirurgias plásticas proibidas com negligência grave, causando infecções, necroses e deformidades permanentes em três pacientes. MP pede indenização mínima de R$ 500 mil.

Em Vila Velha, na Grande Vitória, três mulheres procuraram uma clínica de estética atraídas pela publicidade nas redes sociais de uma dentista influencer. O que lhes foi prometido como procedimentos simples e seguros — mini lifting facial com recuperação em quinze dias — transformou-se em infecções graves, morte de tecidos e deformidades permanentes que exigiram meses de tratamento reparador e deixaram cicatrizes que não desaparecem.

Mariana Barros Laranja Roeder, de 44 anos, e seu sobrinho Nathan Laranja Roeder Holz, de 25 anos, foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo por realizarem cirurgias plásticas invasivas — procedimentos proibidos para dentistas — com negligência sistemática. A denúncia descreve uma operação caótica: música eletrônica tocando na sala de cirurgia, a dentista interrompendo incisões abertas na face das pacientes para gravar vídeos promocionais destinados ao Instagram, assistentes sem qualificação realizando suturas sem equipamento sanitário adequado, e em um caso, a cirurgiã abandonando completamente a sala no meio do procedimento, deixando a finalização para profissionais não habilitados. O Instituto Laranja, onde tudo ocorria, operava com alvará sanitário vencido.

A primeira vítima, uma mulher de 60 anos, passou por cirurgia nas bochechas e pescoço após uma triagem que consistiu apenas em um escaneamento do rosto — nenhum exame de sangue, nenhuma avaliação cardíaca, nenhuma análise de risco cirúrgico. No pós-operatório, sofreu dores insuportáveis, queda de temperatura corporal e infecção que avançava perigosamente em direção aos seios nasais e ao cérebro. Precisou pagar por conta própria um cirurgião plástico particular para conter a infecção e a necrose. Ficou com deformidades permanentes e incapacidade ocupacional.

A segunda paciente pagou oito mil e quinhentos reais via Pix pela cirurgia. Enquanto o procedimento acontecia ao som de música eletrônica, a dentista pausava os cortes abertos para capturar imagens e vídeos para as redes sociais, ignorando o estado da paciente. A infecção e a necrose dos tecidos provocaram a perda de pele no rosto, deixando um buraco profundo na bochecha esquerda. Sem suporte adequado da clínica, ela pagou por conta própria enfermagem especializada e acompanhamento médico. A perícia constatou deformidade permanente e incapacidade de trabalhar por mais de um mês.

A terceira vítima recebeu garantia verbal de que a cirurgia era extremamente simples e sem riscos. Durante a operação, a cirurgiã ausentou-se da sala, deixando os cortes e a costura sob responsabilidade do parceiro e de assistentes. Quando a clínica fechou para o recesso de fim de ano, a paciente ficou sem canais de contato emergencial. Os pontos se romperam completamente dos dois lados do rosto, expondo tecidos internos e gordura facial. Ela precisou de vinte e uma sessões de tratamento com enfermagem especializada em lesões de pele e acompanhamento com cirurgião plástico. O parecer pericial apontou alto risco de sequelas estéticas e funcionais irreversíveis se novos procedimentos reparadores não forem bem-sucedidos.

O Ministério Público pediu à Justiça que os investigados paguem no mínimo quinhentos mil reais em indenizações — duzentos mil para a paciente de 60 anos, duzentos mil para a que teve o rosto perfurado por necrose e cem mil para a que sofreu abertura bilateral dos pontos. Além disso, solicitou a suspensão imediata de qualquer atividade estética ou cirúrgica dos dois dentistas, com multa diária de cinquenta mil reais para cada atendimento ou procedimento realizado durante o processo. O Ministério Público também requereu a apreensão dos passaportes da dupla e o impedimento de que saiam da cidade e do país sem autorização judicial, após identificar que realizavam viagens frequentes ao exterior e tentaram dar baixa na empresa e extinguir o registro do CNPJ da clínica.

A defesa dos investigados afirmou que a denúncia é uma acusação prévia e não uma sentença, e que qualquer determinação judicial será integralmente cumprida. Destacou que Mariana possui trajetória profissional iniciada em 2007, com formação em harmonização orofacial, aperfeiçoamento em universidades americanas e participação como palestrante em congressos internacionais. A Justiça ainda não aceitou a denúncia. Em agosto, o Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo já havia cassado o exercício profissional de Mariana Laranja, decisão que ainda aguarda confirmação pelo Conselho Federal de Odontologia para ter efeito prático. Mariana afirmou que recorreu da decisão e que a clínica segue funcionando regularmente.

Cirurgias plásticas invasivas e proibidas para a categoria profissional
— Ministério Público do Espírito Santo, na denúncia
Qualquer determinação judicial será integralmente cumprida
— Defesa de Mariana Laranja e Nathan Laranja
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