Déficit dos EUA sobe a US$ 1,99 trilhão, maior em 5 anos

Gastos crescem mais rápido que a arrecadação, ampliando o hiato
O governo arrecadou recorde, mas despesas cresceram em ritmo mais acelerado, aprofundando o desequilíbrio fiscal.
Mark

Como um déficit de quase dois trilhões de dólares se forma? Parece um número abstrato demais para entender.

Mimi

Não é abstrato. O governo americano arrecadou US$ 5,40 trilhões em impostos e outras receitas, mas gastou US$ 7,40 trilhões. Essa diferença de quase dois trilhões é o déficit. Para cobrir esse buraco, o governo emite títulos da dívida pública.

Luke

Mas vale notar que as receitas também cresceram 3%. O governo não está arrecadando menos — está gastando muito mais rápido do que consegue aumentar a receita.

Mark

E por que os gastos explodiram assim?

Mimi

Três razões principais. Primeiro, os gastos totais bateram recorde. Segundo, o custo de pagar juros sobre a dívida já existente subiu 12% — isso é uma pressão que cresce sozinha. Terceiro, o governo teve de devolver US$ 145 bilhões em tarifas que a Suprema Corte derrubou.

Luke

Sobre esse terceiro ponto: os US$ 145 bilhões em reembolsos são números da Reuters, não do Tesouro. É importante saber que essa cifra vem de uma fonte de imprensa, não de um comunicado oficial.

Mark

O serviço da dívida virou a terceira maior despesa do governo. Como isso muda as prioridades?

Mimi

Muda tudo. Quando você gasta US$ 1,36 trilhão só pagando juros, sobra menos para educação, infraestrutura, defesa, tudo mais. É dinheiro que sai do orçamento sem comprar nada novo — apenas paga o que já foi gasto.

Luke

E vale dizer: esse número de US$ 1,36 trilhão é um aumento de 12% em um ano. Se a taxa de juros continuar alta, esse custo vai seguir subindo.

Mark

Esse déficit é realmente o pior em cinco anos?

Mimi

É o pior em cinco anos, mas não é o pior de sempre. Em 2021, durante a pandemia, chegou a US$ 2,77 trilhões. Então 2026 é o terceiro maior déficit já registrado.

Luke

E vale contextualizar: em 2021 havia uma justificativa clara — gastos de emergência para a pandemia. Em 2026, não há crise sanitária. Os gastos recordes acontecem em um contexto de economia funcionando normalmente.

  • O rombo fiscal americano cresceu US$ 217 bilhões em um único ano, sinalizando que a trajetória das contas públicas segue em deterioração acelerada.
  • Os gastos federais bateram recorde histórico de US$ 7,40 trilhões, enquanto as receitas, apesar de também recordes, não acompanharam o ritmo das despesas.
  • O serviço da dívida — US$ 1,36 trilhão em juros — tornou-se a terceira maior despesa do governo, superando praticamente todos os programas federais exceto Previdência Social e saúde pública.
  • A Suprema Corte forçou a devolução de US$ 145 bilhões em tarifas a importadores, reduzindo a receita líquida tarifária em 11% e ampliando o desequilíbrio de forma inesperada.
  • O déficit equivaleu a 6,2% do PIB em 2026, acima dos 5,8% do ano anterior, indicando que o peso fiscal cresce proporcionalmente à economia.

Ao encerrar seu primeiro ano fiscal completo sob o segundo mandato de Donald Trump, os Estados Unidos registraram um déficit de US$ 1,99 trilhão — o maior em cinco anos e o terceiro maior de sua história. O desequilíbrio reflete uma tensão estrutural antiga: gastos públicos que crescem mais rápido do que a arrecadação, agravados pelo peso crescente dos juros sobre uma dívida que já ultrapassa US$ 40 trilhões. A obrigação de devolver US$ 145 bilhões em tarifas derrubadas pela Suprema Corte adicionou uma camada incomum a esse cenário, lembrando que decisões políticas têm consequências fiscais que se prolongam no tempo.

O Departamento do Tesouro americano revelou na última sexta-feira que o déficit orçamentário dos Estados Unidos chegou a US$ 1,99 trilhão no ano fiscal encerrado em 30 de setembro de 2026 — o maior desequilíbrio em cinco anos e o terceiro maior da história do país. O rombo cresceu US$ 217 bilhões em relação ao ano anterior e correspondeu a 6,2% do PIB, ante 5,8% em 2025.

Três forças combinadas explicam o agravamento. Os gastos federais atingiram o recorde de US$ 7,40 trilhões, crescimento de 6%, enquanto as receitas, embora também recordes em US$ 5,40 trilhões, avançaram apenas 3%. A diferença de ritmo entre despesas e arrecadação foi o motor central do déficit.

O custo da dívida acumulada tornou-se um peso cada vez mais difícil de ignorar. Os juros e encargos financeiros saltaram 12%, chegando a US$ 1,36 trilhão — transformando o serviço da dívida na terceira maior categoria de gastos do governo federal, atrás apenas da Previdência Social e dos programas de saúde pública. A dívida total americana já havia cruzado a barreira dos US$ 40 trilhões meses antes.

Um elemento incomum agravou ainda mais o quadro: após a Suprema Corte derrubar grande parte das tarifas impostas por Trump em seu primeiro mandato, o governo foi obrigado a reembolsar US$ 145 bilhões a importadores. Isso reduziu a receita líquida com tarifas em 11%, para cerca de US$ 173 bilhões.

O ano fiscal de 2026 é o primeiro período completo do segundo mandato de Trump. Embora o déficit seja expressivo, ainda fica abaixo do recorde de US$ 2,77 trilhões registrado em 2021, quando gastos extraordinários foram mobilizados para enfrentar os efeitos econômicos da pandemia de Covid-19.

O déficit orçamentário dos Estados Unidos chegou a US$ 1,99 trilhão no ano fiscal encerrado em 30 de setembro de 2026, marcando o maior desequilíbrio em cinco anos. A cifra representa um agravamento de US$ 217 bilhões em relação ao ano anterior, quando o rombo havia ficado em US$ 1,78 trilhão. O Departamento do Tesouro americano divulgou os números na sexta-feira, revelando um quadro de pressões orçamentárias que se acumularam ao longo dos doze meses.

Três fatores principais empurraram o déficit para cima. Em primeiro lugar, os gastos do governo federal atingiram um recorde histórico de US$ 7,40 trilhões, crescimento de 6% ante o período anterior. Simultaneamente, as receitas também bateram máxima, somando US$ 5,40 trilhões, alta de 3%. O problema: as despesas cresceram em ritmo mais acelerado que a arrecadação, ampliando o hiato entre o que o governo gasta e o que consegue arrecadar.

O custo de manter a dívida pública já acumulada tornou-se uma pressão cada vez maior. Os gastos com juros e outras despesas relacionadas ao endividamento saltaram para US$ 1,36 trilhão, aumento de US$ 144 bilhões ou 12% em relação ao ano anterior. Com esse resultado, o serviço da dívida se transformou na terceira maior categoria de gastos federais, ficando atrás apenas da Previdência Social e dos programas Medicare e Medicaid combinados. A dívida pública total dos Estados Unidos já havia ultrapassado a marca de US$ 40 trilhões dois meses antes da divulgação desses dados.

Um terceiro fator agravou ainda mais o quadro: os reembolsos de tarifas de importação. Após decisão da Suprema Corte americana que derrubou grande parte das tarifas impostas por Trump em seu primeiro mandato, o governo foi obrigado a devolver US$ 145 bilhões a importadores. Essa obrigação reduziu a receita líquida com tarifas em US$ 22 bilhões, queda de 11%, deixando-a em cerca de US$ 173 bilhões.

O resultado de 2026 é o terceiro maior déficit anual já registrado pelos Estados Unidos. Embora superior aos números de 2025, ficou abaixo do recorde de US$ 2,77 trilhões atingido em 2021, quando o governo federal despendeu recursos extraordinários para enfrentar os efeitos econômicos da pandemia de Covid-19. O Tesouro estimou que o déficit correspondeu a 6,2% do Produto Interno Bruto em 2026, acima dos 5,8% registrados no ano anterior.

O ano fiscal de 2026 marca o primeiro período completo do segundo mandato do presidente Donald Trump. Setembro, o último mês do ano fiscal, registrou déficit de US$ 27 bilhões. No mesmo mês do ano anterior, havia sido registrado superávit de US$ 198 bilhões, ilustrando a mudança na trajetória das contas públicas.

O serviço da dívida se tornou a terceira maior categoria de gastos do governo americano, atrás apenas da Previdência Social e das despesas combinadas com Medicare e Medicaid
— Departamento do Tesouro americano
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