Wall Street recua com dúvidas sobre rentabilidade da IA; chips em oitava queda consecutiva

A questão já não é o tamanho da oportunidade, mas a rentabilidade
Analista resume a mudança fundamental no sentimento do mercado sobre investimentos em inteligência artificial.
Mark

Porque é que uma queda nos chips é tão importante? Não é apenas um setor entre muitos?

Mimi

Porque os chips são a infraestrutura. Se os fabricantes de chips estão em queda, significa que o mercado está a questionar se alguém vai realmente precisar de toda essa capacidade que foi construída.

Luke

Mas espera — a CoreWeave caiu 11,90%, a Intel caiu mais de 5%, mas a Nvidia caiu apenas 1,43%. Isso não sugere que o mercado está a diferenciar entre empresas fracas e fortes?

Mimi

Sim, mas o padrão é preocupante. Oito sessões consecutivas de quedas não é uma correção normal. É um sinal de que a confiança no setor inteiro está a desaparecer.

Mark

E quanto aos números? Um bilião de dólares em despesas anuais — é muito ou é razoável para o tamanho destas empresas?

Luke

É um número que vem da Bloomberg Intelligence, portanto é uma estimativa. Mas mesmo que seja apenas metade disso, é uma quantidade colossal de dinheiro que precisa de gerar retorno. E ninguém consegue explicar exatamente como é que vai acontecer.

Mimi

O analista Razaqzada disse algo importante: a questão já não é o tamanho da oportunidade, mas a rentabilidade. Isso é uma mudança fundamental de perspetiva.

Mark

Então isto é apenas um pânico temporário, ou é o início de algo maior?

Luke

Não sabemos. O que sabemos é que os juros mais altos encarecem o financiamento, que a CoreWeave está em dificuldades, e que o mercado de crédito está a questionar o setor. Tudo isto aponta para pressão contínua, mas não há confirmação de que isto vai piorar.

Mimi

A diferença entre agora e há um mês é que antes ninguém fazia estas perguntas. Agora toda a gente está a fazer. Isso muda tudo.

Mark

E se as empresas conseguirem provar que a IA é rentável?

Luke

Então o mercado vai recuperar. Mas até lá, o risco está no ar.

  • O S&P 500 caiu 1,09% e o Nasdaq recuou 2,14%, mas a ferida mais profunda está nos semicondutores, que acumulam oito sessões consecutivas de perdas pela primeira vez desde a crise financeira de 2008.
  • A CoreWeave, símbolo da nova infraestrutura de IA, viu as suas obrigações atingirem níveis de alerta e as ações desabarem quase 12% numa única sessão, arrastando Intel, Micron e Marvell para quedas superiores a 5%.
  • A questão que perturba os mercados já não é o potencial da IA, mas a matemática brutal por trás dela: os hyperscalers aproximam-se de um bilião de dólares em despesas anuais e ninguém sabe ao certo se esse investimento conseguirá gerar retorno.
  • O petróleo Brent acima dos 110 dólares alimenta receios de inflação, pressionando as obrigações — o instrumento preferido das empresas tecnológicas para financiar as suas infraestruturas — e tornando o crédito mais caro e mais seletivo.
  • As dúvidas sobre rentabilidade alastram agora aos mercados de crédito, onde emitentes com notação de lixo como a CoreWeave perdem o benefício da dúvida que o dinheiro fácil durante anos lhes concedeu.

Wall Street encerrou a semana com uma queda que vai além dos números: é a expressão de uma dúvida que amadureceu. Durante anos, o mercado apostou na inteligência artificial como promessa suficiente; agora, com os maiores grupos tecnológicos do mundo a aproximarem-se de um bilião de dólares em despesas anuais, os investidores exigem respostas que a tecnologia ainda não consegue dar. Os semicondutores registaram a oitava sessão consecutiva de perdas — um eco silencioso de 2008 — enquanto juros mais altos e petróleo em alta fecham o cerco sobre um setor que se financiou com dívida e se sustentou com esperança.

Wall Street encerrou esta sexta-feira sob o peso de uma dúvida que deixou de ser passageira. O S&P 500 recuou 1,09%, o Nasdaq cedeu 2,14% e o Dow Jones perdeu 0,34%. Mas a história mais reveladora estava nos semicondutores: oito sessões consecutivas de perdas, um fenómeno que não se registava desde 2008, quando o sistema financeiro global se desmoronava.

O que mudou não foi a tecnologia — a inteligência artificial continua tão promissora quanto era. O que mudou foi a matemática. Os grandes grupos tecnológicos mundiais, os chamados hyperscalers, aproximam-se de um bilião de dólares em despesas de capital anuais, financiadas em grande parte por dívida. E essa dívida precisa de gerar retorno. É aqui que a confiança começou a falhar.

A CoreWeave, especializada em infraestrutura de IA, viu as suas obrigações atingirem níveis historicamente associados a dificuldades financeiras graves e as ações caírem 11,90% numa só sessão. Intel, Micron e Marvell perderam mais de 5% cada. Até a Nvidia recuou 1,43% — sinal de que algo mudou no sentimento geral do mercado.

O analista Fawad Razaqzada, da StoneX Trading, sintetizou o dilema: a questão já não é o tamanho da oportunidade que a IA representa, mas se o investimento colossal necessário para a concretizar conseguirá ser rentável. Mais preocupante ainda, as dúvidas estão a alastrar aos mercados de crédito — e quando o crédito questiona um setor, o risco deixou de ser teórico.

O ambiente macroeconómico agravou o quadro. O petróleo Brent ultrapassou os 110 dólares por barril, alimentando receios de inflação. Juros mais altos encarecem o financiamento das infraestruturas e reduzem o valor atual dos projetos de longo prazo — um ciclo que penaliza precisamente o modelo sobre o qual a expansão da IA foi construída. A pergunta que ninguém consegue responder com certeza permanece em aberto: o mercado está a fazer uma correção saudável, ou as infraestruturas de IA já foram construídas em excesso?

Wall Street acordou esta sexta-feira com um incómodo: a dúvida. Não a dúvida ligeira que passa num dia de mercado volátil, mas a dúvida profunda sobre se o maior investimento tecnológico da história conseguirá devolver o dinheiro que o financiou. O S&P 500 caiu 1,09%, para 7.659,44 pontos. O Nasdaq Composite, mais sensível aos movimentos do setor tecnológico, recuou 2,14%, para 26.140,03 pontos. O Dow Jones cedeu 0,34%, para 52.002,41 pontos. Mas os números que verdadeiramente contam a história estão no setor dos semicondutores, onde as ações completaram a sua oitava sessão consecutiva de perdas — um fenómeno que não se via desde 2008, quando o sistema financeiro global se desmoronava.

O que mudou não foi a tecnologia. A inteligência artificial continua tão promissora quanto era na semana passada. O que mudou foi a matemática. Os investidores começaram a fazer contas reais sobre o custo de construir a infraestrutura necessária para treinar e executar estes sistemas. As maiores empresas tecnológicas do mundo — os chamados "hyperscalers" — estão a aproximar-se de um bilião de dólares em despesas de capital anuais, a maior parte financiada através de dívida. Essa é uma quantidade de dinheiro tão grande que é difícil de compreender. É também uma quantidade de dinheiro que precisa de gerar retorno. E é aqui que a confiança começou a falhar.

A CoreWeave, uma fornecedora de serviços de computação em nuvem especializada em infraestrutura de IA, viu as suas obrigações atingirem níveis que historicamente sinalizam dificuldades financeiras graves. As suas ações desabaram 11,90% numa única sessão. Outras empresas do setor não ficaram muito melhor: a Intel caiu mais de 5%, a Micron caiu mais de 5%, a Marvell caiu mais de 5%. Até a Nvidia, a rainha do setor, recuou 1,43%. Quando a Nvidia recua, é porque algo mudou fundamentalmente no sentimento do mercado.

Fawad Razaqzada, analista da StoneX Trading e da Forex.com, resumiu o dilema com precisão: a questão deixou de ser simplesmente o tamanho da oportunidade que a IA representa. A questão agora é se o investimento colossal necessário para a concretizar conseguirá ser rentável. Razaqzada apontou ainda para um sinal mais preocupante: as dúvidas sobre a rentabilidade da IA estão a alastrar-se aos mercados de crédito. Quando o crédito começa a questionar um setor, é porque o risco deixou de ser teórico.

O ambiente macroeconómico não ajuda. O petróleo Brent ultrapassou esta sexta-feira a barreira dos 110 dólares por barril, depois de congressistas norte-americanos terem apresentado um projeto de lei para bloquear um acordo do Presidente Donald Trump que permitiria libertar mais gasóleo russo nos mercados globais. A subida dos custos da energia alimentou receios de inflação. E a inflação, quando surge, penaliza as obrigações — exatamente o tipo de instrumento que as empresas tecnológicas usam para financiar as suas infraestruturas de IA.

O problema é circular e amplificador. Juros mais altos reduzem o valor atual dos fluxos de caixa futuros, o que torna qualquer projeto de longo prazo menos atrativo. Juros mais altos também encarecem o próprio financiamento das infraestruturas. Uma empresa que planeava gastar 100 milhões de dólares em novos servidores de IA vê subitamente esse custo aumentar significativamente. Os gestores de fundos, que durante anos apostaram cegamente em qualquer coisa com a palavra "IA" no prospeto, começaram a olhar com mais atenção para os emitentes com notação de lixo — empresas como a CoreWeave que não têm o escudo de uma notação de grau de investimento. Quando o dinheiro fácil termina, as fraquezas tornam-se visíveis muito rapidamente.

O que acontece a partir daqui depende de uma pergunta que ninguém consegue responder com certeza: será que as infraestruturas de IA já foram construídas em excesso? Será que as empresas investiram mais do que conseguem utilizar? Ou será que o mercado está simplesmente a fazer uma correção saudável após meses de euforia? A oitava queda consecutiva nos semicondutores sugere que o mercado está a levar a pergunta muito a sério.

A questão já não é simplesmente a dimensão que a oportunidade da IA pode atingir, mas sim quão rentável acabará por ser o enorme investimento necessário para a concretizar
— Fawad Razaqzada, StoneX Trading e Forex.com
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