No domingo, 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil ao virar uma disputa que parecia perdida depois do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro havia saído na frente. Na história republicana recente, poucos reveses eleitorais foram tão difíceis de reverter, e a vitória devolve ao veterano político um mandato que o levará até o começo de 2031. Ela também mostra que, mesmo em um país dividido, a mobilização das ruas e a conversa direta com o eleitor ainda podem pesar mais que as projeções.
De virada, Lula bate Flávio Bolsonaro e é reeleito presidente do Brasil
Nunca um candidato que perdeu o primeiro turno havia virado a eleição
Por que essa vitória é considerada histórica?
Porque nunca, desde 1988, alguém que perdeu o primeiro turno havia virado no segundo. Flávio tinha 47,03% contra 45,16% de Lula.
O que mudou na campanha depois do primeiro turno?
Redes sociais com vídeos selfie, o canal Exército do Lula, participação nos debates e a crítica ao tesouraço. Também entraram nomes do Nordeste no núcleo.
Cuidado: o texto lista fatores vistos como determinantes, mas não prova qual pesou mais. É leitura de bastidor, não medição.
E a idade?
Lula tem 80 anos e fez da vitalidade um tema, com vídeos de exercício. Toma posse aos 81, em 5 de janeiro de 2027.
A comparação com Biden é a estratégia descrita pela campanha, não um fato sobre a saúde dele.
O que o novo mandato enfrenta?
Tarifas americanas reimpostas em julho de 2026 e um Congresso que já impôs derrotas históricas.
O resultado final de votos do segundo turno não aparece aqui; só sabemos da vitória, não da margem.
El Pulso
- Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula tinha 45,16%, e a diferença de cerca de 2,2 milhões de votos parecia intransponível.
- A campanha petista foi reorganizada às pressas, com vídeos em selfie, um canal de WhatsApp que reuniu milhões de seguidores e uma presença inédita nos debates televisivos.
- Atos em várias capitais tomaram as ruas, enquanto a propaganda atacava as promessas de corte de programas sociais feitas pelo adversário.
- Lula, aos 81 anos, assume em 5 de janeiro de 2027 com dois desafios abertos: as novas tarifas americanas e um Congresso que já derrubou decretos e rejeitou indicações ao Supremo.
No domingo, 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil ao virar uma disputa que parecia perdida depois do primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro havia saído na frente. Na história republicana recente, poucos reveses eleitorais foram tão difíceis de reverter, e a vitória devolve ao veterano político um mandato que o levará até o começo de 2031. Ela também mostra que, mesmo em um país dividido, a mobilização das ruas e a conversa direta com o eleitor ainda podem pesar mais que as projeções.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25 de outubro, e governará o país por mais quatro anos. Ele venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno à frente. Desde a Constituição de 1988, nenhum candidato que começou atrás na primeira fase havia conseguido virar uma eleição presidencial.
No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula 45,16%, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Nas pesquisas da véspera, os dois ainda apareciam em empate técnico.
Depois do resultado, a campanha foi reorganizada. Aliados mais jovens convenceram Lula a investir nas redes e nos vídeos em selfie, e o deputado André Janones criou o canal "Exército do Lula" no WhatsApp, que reuniu milhões de seguidores. Lula também passou a ir aos debates televisivos. Na propaganda, a campanha associou Flávio ao corte de programas sociais, e a mobilização de rua em várias capitais ganhou força.
Lula será presidente pela quarta vez, outro feito inédito. Completa 81 anos na terça-feira, 27, e tomará posse em 5 de janeiro de 2027, ao lado do vice Geraldo Alckmin. O terceiro mandato trouxe de volta o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, mas ainda enfrenta tarifas americanas reabertas em julho de 2026 e um Congresso que rejeitou um indicado ao Supremo e derrubou o decreto do IOF. O segundo mandato começa com esses dois desafios abertos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25 de outubro, e ficará no comando do país por mais quatro anos. Ele derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno na frente e acabou ultrapassado no segundo. Desde que a Constituição de 1988 instituiu os dois turnos, nenhum candidato que largou atrás na primeira fase havia conseguido virar uma eleição presidencial.
Os números do primeiro turno mostravam a dificuldade: Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Até a véspera da votação, as pesquisas apontavam empate técnico entre os dois.
Logo após o resultado, a campanha petista foi reorganizada, da coordenação política à estratégia nas redes sociais, e Lula convocou uma série de reuniões para traçar o caminho da virada. Aliados, sobretudo da ala mais jovem da base, o convenceram a ampliar a presença digital e a gravar vídeos em formato selfie, para falar diretamente com o eleitor. O deputado André Janones (Rede-MG) criou no WhatsApp o canal "Exército do Lula", que reuniu milhões de seguidores em poucas semanas. O grupo foi alvo de várias ações da campanha de Flávio e chegou a ficar fora do ar por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Lula também passou a participar dos debates na televisão, ao contrário do que fez no primeiro turno; os confrontos com o adversário tiveram provocações dos dois lados. A propaganda procurou associar Flávio a cortes em programas sociais, explorando a promessa do senador de fazer um "tesouraço" nas despesas do governo. Lula repetiu que a medida reduziria verbas do Farmácia Popular, do Pé-de-Meia e do Bolsa Família.
O núcleo da campanha recebeu reforços de políticos vitoriosos no Nordeste: Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí, na comunicação; o senador Camilo Santana (PT-CE), na coordenação política; e Rui Costa (PT-BA), senador eleito pela Bahia, na articulação da agenda. Outro fator considerado decisivo foi a mobilização de rua: desde o fim do primeiro turno, atos em várias capitais e cidades reuniram milhões de apoiadores da reeleição.
Lula será presidente pela quarta vez, outro feito inédito. Governou de 2003 a 2010, voltou em 2023 e permanecerá até os primeiros dias de 2031, de novo ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB). Aos 80 anos, já é o presidente mais velho da história do país; completa 81 na terça-feira, 27, e tomará posse em 5 de janeiro de 2027, data fixada pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021. Na campanha, apostou no discurso de vitalidade, com vídeos de musculação e corrida, para evitar o chamado efeito Joe Biden, que desistiu da reeleição sob pressão por causa da idade.
O terceiro mandato teve a volta de Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, os atos de 8 de Janeiro e a queda do chefe do GSI, Gonçalves Dias. Em 2025, os Estados Unidos tarifaram produtos brasileiros e sancionaram ministros do STF e integrantes do governo; parte das sanções foi revertida, mas novas taxas vieram em julho de 2026, e os dois países voltaram a negociar. No Congresso, o Senado rejeitou Jorge Messias para o Supremo, o que não ocorria havia 132 anos, e os parlamentares derrubaram o decreto do IOF, algo inédito desde 1992. Antes da campanha, houve 15 trocas ministeriais. O segundo mandato consecutivo começa com esses dois desafios abertos: as tarifas americanas e a relação com o Congresso.
Citas Notables
Lula costuma dizer que o que envelhece uma pessoa é a falta de causa, e que a sua é o Brasil.— Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a reportagem