Num domingo de outubro, o Brasil voltou a escolher Luiz Inácio Lula da Silva, que chega a um quarto mandato, marco inédito numa democracia que aprendeu a contar votos com rigor e paciência. A vitória fez-se por margem estreita sobre Flávio Bolsonaro, filho de um antecessor que deixou a sua marca na política nacional, e contrariou o que a primeira volta parecia prometer. Ao longo da noite, a contagem foi avançando como a maré, com a diáspora brasileira em Portugal a confirmar uma preferência clara em Lisboa e no Porto e uma inclinação inversa em Faro. Resta esperar que as últimas urnas, as mais
Lula da Silva reeleito para quarto mandato com 51,76% dos votos válidos contra Flávio Bolsonaro
Nenhum segundo classificado na primeira volta tinha vencido desde 1989
Lula ganhou com 51,76%. Porque é que este resultado é tão falado?
Por dois motivos. A margem é curta, e Lula tornou-se o primeiro a vencer depois de ficar em segundo na primeira volta, desde 1989.
Flávio Bolsonaro tinha uma vantagem de mais de dois milhões de votos nessa primeira ronda, não era?
Sim, 2.224.965 votos: 47,03% contra 45,16%. A segunda volta inverteu isso.
Convém precisar: os 51,76% são com 99,84% dos votos apurados. Não é o número final, ainda que a diferença dificilmente mude.
E o prolongamento da votação? Teve peso?
Houve confusão. Lula e Flávio pediram o prolongamento por motivos diferentes, e o juiz Cristiano Zanin decidiu a pedido da campanha de Lula, só para as mesas ainda abertas.
A fonte não diz quais eram os motivos de cada um, nem quantas mesas foram afetadas, nem se isso influenciou o resultado. Não há base para ligar uma coisa à outra.
E os brasileiros em Portugal?
Em Lisboa e no Porto Lula teve cerca de 60%. Em Faro ganhou Flávio, com 52,67%, num universo bem menor: 3.093 votos válidos.
E os votos do estrangeiro e das zonas remotas ainda contam para o fecho da contagem. O quadro completo ainda não está confirmado.
El Pulso
- Lula da Silva foi reeleito com 51,76% contra 48,24%, uma vitória apertada que deixa o país dividido ao meio.
- A votação foi prolongada em duas horas em algumas mesas, após pedidos das campanhas, acrescentando tensão a um dia já polarizado.
- Flávio Bolsonaro liderara a primeira volta, mas nenhum segundo classificado nessa fase tinha vencido desde 1989, e Lula quebrou esse padrão.
- Os votos de Lisboa e do Porto foram largamente para Lula, enquanto Faro deu a vitória a Flávio Bolsonaro, e a contagem final aguarda as secções remotas e do estrangeiro.
Num domingo de outubro, o Brasil voltou a escolher Luiz Inácio Lula da Silva, que chega a um quarto mandato, marco inédito numa democracia que aprendeu a contar votos com rigor e paciência. A vitória fez-se por margem estreita sobre Flávio Bolsonaro, filho de um antecessor que deixou a sua marca na política nacional, e contrariou o que a primeira volta parecia prometer. Ao longo da noite, a contagem foi avançando como a maré, com a diáspora brasileira em Portugal a confirmar uma preferência clara em Lisboa e no Porto e uma inclinação inversa em Faro. Resta esperar que as últimas urnas, as mais distantes, cheguem para que a decisão fique completa.
As urnas fecharam às 19:00 de domingo no Brasil, às 22:00 em Lisboa, e o resultado foi-se desenhando pouco depois: Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para um quarto mandato, algo inédito na história do país.
Com quase todos os votos apurados, Lula reuniu 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A margem estreita confirmou o que as sondagens anunciavam: dois candidatos tecnicamente empatados, num escrutínio fortemente polarizado.
O desfecho contrariou a primeira volta, em que Flávio Bolsonaro chegou à frente com 47,03%. Desde 1989, nenhum segundo classificado nessa fase tinha vencido, e Lula quebrou esse padrão. Ao fim da tarde, a votação foi prolongada em duas horas em algumas mesas, por decisão de um juiz do Supremo Tribunal Federal, a pedido da campanha de Lula.
Em Portugal, onde estão recenseados mais de 134.000 brasileiros, Lula venceu em Lisboa e no Porto, com cerca de 60% em ambas as áreas consulares. Em Faro, porém, Flávio Bolsonaro levou a melhor. A confirmação final depende agora das secções remotas e do estrangeiro, cuja chegada dos dados fechará a contagem.
As urnas fecharam às 19:00 de domingo no Brasil, as 22:00 em Lisboa, duas horas depois do previsto em parte do país. Foi o último episódio de uma segunda volta presidencial tensa, e o resultado confirmou-se pouco depois: Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para um quarto mandato, um recorde na história do país.
Com 99,84% dos votos apurados, Lula reunia 51,76% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ficava-se pelos 48,24%. A margem é estreita, como as sondagens anunciavam: os dois candidatos chegaram à segunda volta tecnicamente empatados, num escrutínio altamente polarizado.
O desfecho contraria o que a primeira volta parecia indicar. Nessa ronda, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos e Lula 45,16%, uma vantagem de 2.224.965 votos para o senador. Havia ainda um dado histórico contra o atual Presidente: desde que o Brasil adotou as duas voltas, em 1989, nenhum candidato que tenha terminado a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição. Lula quebrou esse padrão.
O dia teve confusão ao fim da tarde. Poucos minutos antes das 17:00, Lula e Flávio Bolsonaro pediram um prolongamento do horário de votação, cada um por motivos diferentes. A contagem já tinha começado quando o juiz do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, a pedido da campanha de Lula, decidiu pela prorrogação, mas apenas nas mesas onde as urnas eletrónicas ainda estavam abertas no momento da decisão. A votação foi assim alargada em duas horas.
Mais de 158 milhões de brasileiros foram chamados a votar. O voto eletrónico permite uma contagem rápida: no fim da votação, cada urna gera um boletim com os votos contabilizados, e os dados são transmitidos à Justiça Eleitoral para serem somados. Isso permite acompanhar os resultados na própria noite eleitoral, embora a conclusão dependa da receção dos dados de todas as secções, incluindo as de regiões remotas e do estrangeiro.
Em Portugal estão recenseados mais de 134.000 brasileiros: cerca de 79.000 em Lisboa, mais de 47.000 no Porto e perto de 9.000 em Faro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Lula venceu na área consular de Lisboa com 19.420 votos, 60,10%, contra 12.894 de Flávio Bolsonaro, 39,90%, num total de 32.314 votos válidos.
No Porto, o resultado foi quase idêntico: Lula obteve 13.435 votos, 60,13%, e Flávio Bolsonaro 8.910, 39,87%, em 22.345 votos válidos. Em Faro, o sentido foi inverso. O senador somou 1.629 votos, 52,67%, e Lula 1.464, 47,33%, em 3.093 votos válidos.
O que falta é a confirmação final: os resultados das secções remotas e do estrangeiro, cuja receção de dados determina o fecho da contagem.
Citas Notables
O juiz Cristiano Zanin, a pedido da campanha de Lula, prorrogou a votação apenas nas mesas com urnas ainda abertas.— Relato do Jornal de Negócios sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal