Datafolha: Lula lidera com 39% contra 32% de Flávio em cenário com Marçal

Evangélicos preferem Flávio com 47%, católicos escolhem Lula com 46%
A religião emerge como um dos divisores mais nítidos da eleição presidencial de 2026.
Mark

O que essa pesquisa nos diz sobre quem realmente está decidindo essa eleição?

Mimi

Os números mostram que não há um eleitorado único. Lula vence entre mulheres, católicos, pessoas com menor renda e no Nordeste. Flávio vence entre homens, evangélicos, pessoas com maior renda e no Sul. A disputa é fragmentada.

Luke

Mas precisamos ser claros: essa é uma foto de um momento específico, agosto de 2026, logo após o registro de candidaturas. Muita coisa pode mudar entre agora e outubro. E Marçal está aqui como um cenário hipotético porque sua candidatura ainda não foi definitivamente julgada.

Mark

Por que a religião parece tão determinante? Flávio tem 47% entre evangélicos e Lula tem apenas 23%.

Mimi

A religião evangélica se tornou um marcador político muito forte nos últimos anos. Há uma afinidade construída entre certos líderes evangélicos e a agenda bolsonarista. Mas é importante notar que nem todos os evangélicos votam assim — a pesquisa mostra que 23% ainda apoiam Lula.

Luke

Verdade. E entre católicos, Lula tem 46% contra 27% de Flávio. Então a religião é um fator, mas não é determinístico. Há espaço para movimento em ambos os grupos.

Mark

A renda parece criar dois eleitorados diferentes.

Mimi

Exatamente. Quem ganha até dois salários mínimos vota em Lula com 46%. Quem ganha mais de cinco salários mínimos vota em Flávio com 42%. Isso reflete diferentes visões sobre o papel do Estado, políticas sociais, economia.

Luke

Mas aqui temos que ser cuidadosos com a interpretação. A pesquisa mostra correlação, não causalidade. Não sabemos se a renda causa a escolha de voto ou se outras variáveis — como escolaridade, região, idade — estão operando junto com ela.

Mark

E os não alinhados? Eles parecem ser o prêmio em disputa.

Mimi

Sim. Entre quem não se identifica como petista ou bolsonarista, Flávio tem 21% contra 19% de Lula. Mas 7% ainda estão indecisos e 17% votariam em branco, nulo ou nenhum. Esse é o espaço onde a campanha pode ganhar ou perder.

Luke

Importante: a margem de erro varia conforme o segmento. Então quando falamos de diferenças pequenas — como 21% versus 19% — precisamos lembrar que podem estar dentro da margem de erro. Não é um resultado tão sólido quanto parece.

  • Lula abre vantagem de sete pontos sobre Flávio Bolsonaro — 39% a 32% —, mas a liderança é mais frágil do que parece quando se olha para dentro dos grupos demográficos.
  • A religião divide o eleitorado com clareza quase cirúrgica: evangélicos escolhem Flávio por 47% a 23%, enquanto católicos invertem o placar e favorecem Lula por 46% a 27%.
  • Homens e mulheres vivem eleições diferentes — entre elas, Lula vence por 14 pontos; entre eles, Flávio está ligeiramente à frente, tornando o gênero uma das variáveis mais decisivas da disputa.
  • A renda redesenha o mapa: entre os mais pobres, Lula domina com 46%; entre os de maior renda, Flávio avança para 42%, sugerindo que a eleição também é um debate sobre classe e projeto econômico.
  • O Nordeste é território de Lula com 52%, mas Sul e Sudeste mostram empate técnico, e os eleitores sem identidade partidária — onde Flávio tem 21% contra 19% de Lula — podem definir o resultado.
  • A presença de Pablo Marçal no cenário pesquisado mantém a corrida em aberto, já que sua candidatura ainda aguarda julgamento judicial e pode alterar significativamente o tabuleiro eleitoral.

No primeiro levantamento Datafolha após o registro oficial de candidaturas, o Brasil revela-se uma nação dividida por fé, renda, gênero e geografia. Lula lidera com 39% das intenções de voto no primeiro turno, sete pontos à frente de Flávio Bolsonaro, mas os números escondem fraturas profundas que definem não apenas uma eleição, mas o próprio retrato de um país em disputa consigo mesmo.

A primeira pesquisa Datafolha após o registro oficial de candidaturas coloca Lula na liderança com 39% das intenções de voto no primeiro turno, sete pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que aparece com 32%. O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e TV Globo, ouviu 2.058 pessoas entre 18 e 20 de agosto e oferece o retrato mais completo da corrida presidencial até aqui.

Mas os números agregados escondem divisões profundas. Entre as mulheres, Lula vence por 42% a 28%. Entre os homens, Flávio vai ligeiramente à frente, com 36% contra 35%. A religião é o divisor mais nítido: evangélicos preferem Flávio por 47% a 23%, enquanto católicos favorecem Lula por 46% a 27%. A escolaridade também separa os candidatos — entre quem tem apenas ensino fundamental, Lula alcança 50%; entre quem completou o ensino médio, Flávio sobe para 38%.

A renda traça outra linha de fratura. Entre os que ganham até dois salários mínimos, Lula lidera com 46% contra 26% de Flávio. Conforme a renda cresce, o cenário se inverte: entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, Flávio chega a 42% contra 35% de Lula — uma inversão que revela o caráter de classe desta disputa.

No mapa regional, o Nordeste é o grande bastião de Lula, com 52% contra 24% de Flávio. No Sudeste e no Sul, o equilíbrio prevalece, com diferenças dentro da margem de erro. Entre eleitores sem identidade partidária — o segmento mais disputado —, Flávio aparece com 21% contra 19% de Lula, indicando onde as campanhas ainda podem ganhar ou perder terreno.

A pesquisa também inclui um cenário com Pablo Marçal, do PRTB, cuja candidatura ainda enfrenta julgamento por inelegibilidade na Justiça Eleitoral. Sua presença mantém o quadro em aberto: decisões judiciais nos próximos meses podem redesenhar completamente a disputa antes do primeiro turno.

A primeira pesquisa Datafolha após o registro oficial de candidaturas mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, sete pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que aparece com 32%. O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e TV Globo e divulgado na sexta-feira, entrevistou 2.058 pessoas de 16 anos ou mais entre 18 e 20 de agosto, com margem de erro que varia conforme o segmento e nível de confiança de 95%.

Os números revelam uma disputa profundamente marcada por divisões demográficas e regionais. Entre as mulheres, a vantagem de Lula é clara: 42% contra 28% de Flávio. Entre os homens, a corrida é muito mais acirrada, com Flávio ligeiramente à frente com 36% contra 35% de Lula. A idade também desenha padrões distintos. Lula cresce entre os mais velhos, chegando a 45% entre quem tem 60 anos ou mais, enquanto Flávio mantém desempenho mais equilibrado nas faixas etárias mais jovens.

A religião emerge como um dos divisores mais nítidos da eleição. Entre evangélicos, Flávio domina com 47% contra apenas 23% de Lula. Entre católicos, o quadro se inverte: Lula tem 46% contra 27% de Flávio. A educação também marca diferenças significativas. Entre quem tem apenas ensino fundamental, Lula alcança 50% contra 24% de Flávio. Já entre quem completou o ensino médio, Flávio sobe para 38% contra 33% de Lula.

A renda revela outra linha de divisão importante. Entre os que ganham até dois salários mínimos, Lula lidera com 46% contra 26% de Flávio. Conforme a renda aumenta, o cenário muda. Entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, Flávio sobe para 42% contra 35% de Lula. Essa inversão sugere que a disputa se estrutura também em torno de questões econômicas e de classe.

Regionalmente, o mapa eleitoral mostra disparidades acentuadas. No Nordeste, Lula tem vantagem confortável com 52% contra 24% de Flávio. No Sudeste, a disputa é praticamente empatada: Flávio com 35% e Lula com 34%. No Sul, Flávio leva ligeira vantagem com 38% contra 35% de Lula. No Centro-Oeste e Norte, o empate técnico também prevalece, com ambos em 34% e 35% respectivamente.

Entre quem se identifica como petista, Lula domina com 80% contra apenas 5% de Flávio. Entre bolsonaristas, a situação se inverte completamente: Flávio tem 74% contra 5% de Lula. O grupo dos não alinhados, porém, mostra-se mais dividido, com Flávio ligeiramente à frente com 21% contra 19% de Lula. É neste segmento que a campanha pode encontrar espaço para movimento.

A pesquisa inclui cenário com Pablo Marçal, candidato do PRTB que enfrenta inelegibilidade por condenação na Justiça Eleitoral e cuja candidatura ainda será julgada. Sua presença no levantamento oferece um retrato da intenção de voto em um cenário que ainda pode sofrer alterações significativas dependendo de decisões judiciais nos próximos meses.

É a primeira pesquisa Datafolha depois do registro de candidaturas
— Datafolha/G1
Quer a matéria completa? Leia o original em G1 ↗
Fale Conosco FAQ