Datafolha divulga pesquisa enquanto Bolsonaro faz campanha no Norte

Lula poderia vencer já no primeiro turno, sem necessidade de segundo turno
Pesquisas mostram o candidato do PT acima de 44%, o que permitiria vitória em 2 de outubro se confirmado.
Mark

Por que essa pesquisa Datafolha de quinta-feira importa tanto? Não há pesquisas sendo divulgadas o tempo todo?

Mimi

Importa porque estamos dez dias antes do primeiro turno. Se Lula conseguir 50% dos votos válidos agora, a eleição termina em 2 de outubro. Bolsonaro precisa forçar um segundo turno. Essa pesquisa vai dizer se a estratégia dele está funcionando.

Luke

Mas qual é a margem de erro aqui? Datafolha tem margem de 2 pontos. Lula está com 45% na pesquisa anterior deles. Tecnicamente, ele poderia estar em 43% ou 47%. Não é tão claro assim.

Mimi

Verdade, mas olhe para o padrão. Ipec, AtlasIntel, Genial, Poderdata — todos mostram Lula acima de 44%. Mesmo com margem de erro, é difícil imaginar que ele está abaixo de 42%.

Mark

E o voto útil que mencionam? Como funciona isso?

Mimi

É uma campanha para convencer eleitores de que votar em Lula no primeiro turno é mais eficiente do que arriscar um segundo turno. Se funcionar, Lula vence já em outubro.

Luke

Mas isso é especulação sobre comportamento eleitoral. A pesquisa não mede voto útil, mede intenção de voto. São coisas diferentes. Não sabemos se as pessoas vão realmente mudar de comportamento por causa dessa campanha.

Mark

Bolsonaro está no Norte. Por quê?

Mimi

Porque é a única região onde ele está competitivo. Datafolha mostrou empate técnico lá — 41% para Lula, 40% para Bolsonaro. Em São Paulo, no Sudeste, ele está muito atrás. O Norte é sua última chance.

Luke

Empate técnico com margem de 1 ponto? Isso significa que Bolsonaro pode estar na frente ou atrás. Não é exatamente um sinal de esperança, mas também não é derrota certa.

Mark

E os idosos? Por que Lula tem tanta vantagem ali?

Mimi

Três pesquisas diferentes mostram Lula entre 45% e 50% com maiores de 60 anos, enquanto Bolsonaro fica entre 29% e 32%. É um eleitorado que viveu a era Lula, que tem memória do crescimento econômico daquele período.

Luke

Mas essas são três institutos diferentes com metodologias diferentes. A variação entre eles é grande — 45% versus 50% é uma diferença de 5 pontos. Não dá para dizer com certeza qual é o número real.

  • Com apenas dez dias para o primeiro turno, a possibilidade real de encerramento antecipado da eleição criava uma tensão incomum — cada pesquisa era lida como um possível veredicto.
  • Lula liderava em todos os institutos com margens entre 7 e 16 pontos, e a campanha petista apostava abertamente no 'voto útil' para cruzar os 50% dos votos válidos já em 2 de outubro.
  • Bolsonaro, consciente da desvantagem, deslocou sua campanha para o Norte — única região onde o empate técnico ainda lhe oferecia alguma margem de manobra e esperança de forçar um segundo turno.
  • Enquanto o presidente percorria Belém e Manaus, Lula permanecia em São Paulo, reunindo-se com aposentados e concedendo entrevista ao SBT — estratégia de consolidação, não de conquista.
  • Uma sequência de novas pesquisas estava prevista para os dias seguintes, transformando cada divulgação em um termômetro coletivo da disposição do eleitorado antes do pleito.

A dez dias do primeiro turno da eleição presidencial brasileira, o Brasil se encontrava diante de uma pergunta que raramente se formula com tanta clareza antes do voto: seria possível que a disputa terminasse antes mesmo de chegar ao segundo ato? As pesquisas, convergentes em sua direção, apontavam Lula à frente com margens que desafiavam a incerteza habitual das campanhas, enquanto Bolsonaro percorria o Norte do país em busca de um terreno onde o destino ainda não estivesse selado. Era o momento em que os números e a vontade humana se olhavam frente a frente.

Na tarde de 22 de setembro, com o primeiro turno marcado para dez dias depois, o instituto Datafolha se preparava para divulgar números que poderiam confirmar — ou complicar — o que as pesquisas já vinham desenhando com consistência: uma vantagem expressiva de Lula sobre Bolsonaro, grande o suficiente para levantar a hipótese de vitória ainda no primeiro turno.

Os levantamentos da semana anterior eram unânimes na direção, embora variassem na intensidade. O Ipec mostrava Lula com 47% contra 31% de Bolsonaro — margem que, se confirmada nas urnas, dispensaria o segundo turno. AtlasIntel e Genial/Quaest apontavam quadros semelhantes. Mesmo nos cenários de segundo turno, a vantagem petista oscilava entre 11 e 18 pontos percentuais, dependendo do instituto.

Bolsonaro escolheu Belém e Manaus para aquele dia. Era no Norte que as pesquisas lhe ofereciam o único alento: um levantamento do próprio Datafolha havia registrado empate técnico na região, com Lula à frente por apenas um ponto. Era pouco, mas era o suficiente para justificar a aposta de forçar um segundo turno em outubro, quando talvez houvesse tempo de recuperar terreno.

Lula, por sua vez, ficou em São Paulo. Reuniu-se com representantes de idosos e aposentados — eleitorado onde sua vantagem chegava a 18 pontos — e à noite concedeu entrevista ao apresentador Ratinho, no SBT. Era uma campanha de presença e consolidação, não de conquista de novos territórios.

O que tornava aquele momento singular era a possibilidade concreta de resolução antecipada. A estratégia do voto útil, promovida pelos aliados de Lula, buscava convencer eleitores indecisos de que votar no primeiro turno evitaria a necessidade de um segundo. Para Bolsonaro, impedir esse desfecho era a missão central. Nos dias seguintes, uma série de novas pesquisas — XP/Ipespe, Ipespe, BTG/FSB, Ipec e AtlasIntel — seria dissecada por campanhas e observadores em busca de qualquer sinal de movimento. Mas até ali, os números apontavam para um resultado que parecia já estar sendo escrito.

Na quinta-feira, 22 de setembro, enquanto Jair Bolsonaro percorria cidades do Norte em busca de votos, o instituto Datafolha se preparava para divulgar à noite números que poderiam reescrever o mapa da campanha presidencial. A pesquisa chegava em momento crítico: dez dias antes do primeiro turno, marcado para 2 de outubro, e em meio a sinais crescentes de que Luiz Inácio Lula da Silva poderia vencer já naquela primeira rodada de votação.

O cenário que emergia das sondagens era claro e consistente. Lula liderava em todos os levantamentos divulgados na semana anterior, com vantagens que variavam entre 7 e 16 pontos percentuais sobre Bolsonaro. O instituto Ipec, que havia publicado seus números na segunda-feira, apontava o petista com 47% contra 31% do presidente — uma margem que, se confirmada, permitiria a vitória sem necessidade de segundo turno. Outras casas de pesquisa mostravam quadro semelhante: a AtlasIntel registrava Lula com 48,4% e Bolsonaro com 38,6%; a Genial/Quaest apresentava 44% para o candidato do PT contra 34% para o do PL. Mesmo em cenários de segundo turno, a vantagem de Lula se mantinha robusta, oscilando entre 11 e 18 pontos percentuais conforme o instituto.

Bolsonaro, ciente dessa desvantagem nas pesquisas, concentrava seus esforços em regiões onde a disputa ainda apresentava alguma abertura. Belém e Manaus, cidades da Região Norte, eram seu alvo naquele dia. Um levantamento recente do próprio Datafolha havia mostrado a região como o terreno mais fértil para o presidente: ali, Lula e Bolsonaro estavam em empate técnico, com o petista numericamente à frente por apenas um ponto — 41% contra 40%. Era pouco, mas era o suficiente para justificar a estratégia de Bolsonaro de tentar forçar um segundo turno no final de outubro, quando talvez conseguisse recuperar terreno perdido.

Enquanto isso, Lula permanecia em São Paulo. Seu dia incluía reunião com representantes de idosos e aposentados — um eleitorado onde sua vantagem era esmagadora. Pesquisas recentes mostravam o candidato do PT com 45% a 50% entre eleitores com mais de 60 anos, enquanto Bolsonaro não ultrapassava 32%. À noite, Lula concederia entrevista ao apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, no SBT. Não era campanha de rua, mas era presença, era voz, era lembrança de que ele seguia na disputa.

O que tornava aquele momento particularmente tenso era a possibilidade real de resolução antecipada. Campanhas petistas e aliados promoviam o chamado voto útil — a ideia de que votar em Lula no primeiro turno evitaria a necessidade de um segundo turno, economizando tempo e recursos. Se essa estratégia funcionasse, se Lula ultrapassasse 50% dos votos válidos, a eleição terminaria em 2 de outubro. Bolsonaro precisava impedir isso a qualquer custo, o que explicava sua presença no Norte, onde ainda havia espaço para manobra.

Os números que Datafolha divulgaria naquela noite seriam dissecados por candidatos, campanhas e observadores políticos em busca de sinais. Havia mais pesquisas previstas para os dias seguintes — XP/Ipespe na sexta, Ipespe no sábado, BTG/FSB e Ipec na segunda, AtlasIntel na terça. Cada uma delas seria uma oportunidade para confirmar a tendência ou para que Bolsonaro encontrasse uma brecha, um movimento, uma razão para acreditar que ainda havia tempo de mudar o curso da história. Mas até aquele momento, tudo apontava para um resultado que já estava escrito.

Pesquisas divulgadas nesta semana mostram oscilação positiva de Lula e movimento de petistas e aliados pelo chamado voto útil para evitar necessidade de segundo turno
— Relatório de campanha
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