Em democracias maduras, as pesquisas de intenção de voto funcionam como termômetros da alma coletiva — e o Datafolha de março de 2026 registra uma febre silenciosa. O presidente Lula, que liderava Flávio Bolsonaro por 15 pontos em dezembro, vê essa vantagem derreter para apenas 3 pontos, num cenário de segundo turno que, pela primeira vez, parece genuinamente incerto. O que os números revelam não é apenas uma disputa entre dois nomes, mas o movimento subterrâneo de um eleitorado em busca de direção — e ainda não totalmente convencido por nenhum dos caminhos oferecidos.
Datafolha: brancos e nulos (10%) superam vantagem de Lula sobre Flávio no 2º turno
Voto em branco e nulo supera a margem que separa os dois candidatos
Como assim a vantagem de Lula caiu de 15 para 3 pontos em apenas três meses? Isso é uma mudança real ou está dentro da margem de erro?
A queda é real. Flávio cresceu sete pontos, de 36% para 43%, enquanto Lula caiu de 51% para 46%. Mas você está certo em questionar: com margem de erro de dois pontos, a diferença de três entre eles está muito próxima da incerteza estatística.
Exatamente. Tecnicamente, dentro da margem de erro, eles poderiam estar empatados. O que o Datafolha está dizendo é que há uma tendência clara de aproximação, mas não que o resultado está definido.
E esses 10% que votariam em branco ou nulo — isso é muito?
É bastante. Significa que quase um em cada dez eleitores não quer votar em nenhum dos dois. Para comparação, a própria margem entre Lula e Flávio é de apenas três pontos.
Mas note que esse número caiu de 12% em dezembro. Então há uma tendência de consolidação, de eleitores saindo do branco/nulo e indo para um dos candidatos.
Para qual lado estão indo?
Principalmente para Flávio. Ele cresceu enquanto Lula caiu. Flávio está consolidando apoio entre evangélicos, sulistas e no Norte/Centro-Oeste.
Mas o instituto testou outros cenários — Lula contra Ratinho, contra Leite, contra Caiado. Em todos ele vence. Então a questão é: qual será o segundo turno de verdade?
E como Lula está em todos eles?
Liderando, mas com vantagens menores do que tinha antes. Contra Ratinho é 45 a 41. Contra Leite é 46 a 34. Contra Caiado é 46 a 36.
O padrão é que quanto mais conhecido o adversário, mais próximo fica. Flávio é muito conhecido, por isso está tão perto.
Il Polso
- A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro despencou de 15 para 3 pontos percentuais em apenas três meses, transformando o que parecia uma corrida definida em uma disputa aberta.
- Flávio Bolsonaro cresceu 7 pontos desde dezembro, ancorado em bases sólidas: evangélicos, eleitores do Sul e moradores do Norte e Centro-Oeste formam um bloco coeso e em expansão.
- Dez por cento dos eleitores ainda preferem votar em branco ou nulo — um contingente maior do que a própria margem que separa os dois candidatos, sinalizando desencanto político significativo.
- Em todos os outros cenários testados pelo Datafolha, Lula mantém a liderança contra Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, mas as vantagens seguem encolhendo em ritmo preocupante para o campo petista.
- Com margem de erro de dois pontos e diferença de três, o cenário Lula-Flávio está tecnicamente dentro da incerteza estatística — o que torna qualquer projeção definitiva prematura e arriscada.
Em democracias maduras, as pesquisas de intenção de voto funcionam como termômetros da alma coletiva — e o Datafolha de março de 2026 registra uma febre silenciosa. O presidente Lula, que liderava Flávio Bolsonaro por 15 pontos em dezembro, vê essa vantagem derreter para apenas 3 pontos, num cenário de segundo turno que, pela primeira vez, parece genuinamente incerto. O que os números revelam não é apenas uma disputa entre dois nomes, mas o movimento subterrâneo de um eleitorado em busca de direção — e ainda não totalmente convencido por nenhum dos caminhos oferecidos.
Uma pesquisa Datafolha divulgada no sábado redesenhou o mapa eleitoral brasileiro com números que poucos esperavam ver tão cedo. Em um hipotético segundo turno hoje, Lula teria 46% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro — uma diferença de apenas três pontos que contrasta fortemente com os 15 pontos de vantagem registrados em dezembro.
O encolhimento da margem tem um protagonista claro: Flávio Bolsonaro, que cresceu sete pontos desde o levantamento anterior, passando de 36% para 43%. O candidato do PL consolidou sua força entre evangélicos, eleitores da região Sul e moradores do Norte e Centro-Oeste, construindo uma base regional e religiosa que se mostra cada vez mais coesa.
Um dado que merece atenção especial é o peso do voto em branco, nulo ou abstenção: 10% dos eleitores escolheram essa opção — um contingente praticamente equivalente à margem que separa os dois candidatos. Esse número caiu ligeiramente em relação a dezembro, quando somava 12%, mas segue representando uma força política capaz de definir qualquer disputa apertada.
O instituto ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais — o que coloca tecnicamente a diferença entre Lula e Flávio dentro da zona de incerteza estatística. Nos demais cenários testados, Lula mantém a liderança contra Ratinho Júnior (45% a 41%), Eduardo Leite (46% a 34%) e Ronaldo Caiado (46% a 36%), mas a tendência é uniforme: o presidente perde terreno enquanto seus adversários avançam.
A pesquisa Datafolha divulgada no sábado revelou um cenário de segundo turno presidencial muito mais apertado do que era esperado alguns meses atrás. Se a eleição fosse hoje entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista teria 46% das intenções de voto, enquanto o candidato do PL chegaria a 43%. A diferença de apenas três pontos porcentuais marca uma queda dramática em relação a dezembro, quando Lula liderava por 15 pontos.
O que torna esses números particularmente significativos é o tamanho do voto em branco, nulo ou abstenção: 10% dos eleitores consultados indicaram essa opção. Isso significa que o contingente de eleitores que não pretendem votar em nenhum dos dois candidatos é praticamente tão grande quanto a margem que separa o primeiro do segundo colocado. Apenas 1% dos entrevistados afirmou não saber em quem votaria. Esses percentuais de voto em branco e nulo caíram ligeiramente em relação a dezembro, quando somavam 12%, mas continuam representando uma força política considerável.
Flávio Bolsonaro foi o grande responsável pela redução da vantagem de Lula. O filho do ex-presidente cresceu sete pontos desde dezembro, passando de 36% para 43%. Sua força está concentrada em grupos específicos: evangélicos, eleitores da região Sul e moradores do Norte e Centro-Oeste do país. Esses blocos regionais e religiosos formam a base sobre a qual o candidato do PL está construindo sua campanha.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores espalhados por 137 municípios entre terça e quinta-feira da semana anterior à publicação. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, o que significa que as diferenças observadas estão dentro da faixa de incerteza estatística — um detalhe importante para compreender a volatilidade do cenário.
Além do confronto direto entre Lula e Flávio, o instituto testou outros possíveis segundos turnos. Em todos eles, Lula mantém a liderança, mas suas vantagens continuam encolhendo. Contra Ratinho Júnior, o petista teria 45% contra 41%. Diante de Eduardo Leite, chegaria a 46% contra 34%. E enfrentando Ronaldo Caiado, teria 46% contra 36%. A tendência é clara: enquanto Lula perde pontos em relação aos números de meses anteriores, seus potenciais adversários ganham terreno ou mantêm posições mais competitivas do que antes.
Citazioni salienti
Flávio Bolsonaro se destaca entre evangélicos, sulistas e moradores do Norte/Centro-Oeste— Datafolha