Em um país onde a polarização moldou décadas de escolhas coletivas, a pesquisa Datafolha de março de 2026 revela uma paradoxo eleitoral: os dois nomes mais votados são também os mais rejeitados. Lula e Flávio Bolsonaro lideram tanto as intenções de voto quanto os índices de rejeição, com 46% e 45% respectivamente, sugerindo que o Brasil caminha para uma eleição decidida menos pelo entusiasmo do que pela recusa — um espelho fiel de uma democracia ainda em busca de consenso.
Lula e Flávio Bolsonaro empatam com maiores índices de rejeição para 2026
Ambos os principais candidatos enfrentam o paradoxo de liderar e rejeitar simultaneamente
Como é possível Lula e Flávio Bolsonaro liderarem em intenções de voto se têm também a maior rejeição?
Porque o eleitorado está muito polarizado. Muita gente já sabe em quem não quer votar, e isso concentra o voto em poucos nomes. Quem rejeita Lula tende a votar em Bolsonaro, e vice-versa.
Mas a pesquisa não nos diz por que rejeição é tão alta para os dois. Sabe-se que 46% não votaria em Lula, mas não sabemos se é por razões econômicas, políticas ou pessoais.
Verdade. O que a gente vê é o padrão: quando você tem dois polos fortes, a rejeição sobe nos dois lados.
E quanto aos outros candidatos? Por que Haddad tem apenas 27% de rejeição?
Porque ele é menos conhecido, menos polarizador. Quanto menos tempo de governo ou menos visibilidade, menos gente tem opinião formada contra você.
Também é importante notar que a margem de erro é de dois pontos. Então Lula e Flávio estão tecnicamente empatados — a diferença de um ponto está dentro da margem.
No segundo turno, Lula sai na frente com 46% contra 43%. Isso é decisivo?
Não necessariamente. Ainda há 11% que não respondeu ou votaria em branco. Muita coisa pode mudar entre agora e outubro.
E precisamos lembrar que essa é uma pesquisa de rejeição, não de intenção de voto em segundo turno. Os cenários podem ser diferentes se outros candidatos chegarem ao segundo turno.
The Pulse
- A pesquisa Datafolha expõe uma tensão inédita: os dois favoritos à presidência em 2026 são simultaneamente os candidatos que mais eleitores se recusam a votar.
- Com 46% de rejeição para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro, o empate técnico nesse quesito revela um eleitorado dividido não por preferência, mas por aversão.
- A vantagem de Lula no segundo turno encolheu para apenas três pontos percentuais — 46% a 43% — sinalizando uma corrida que se aproxima perigosamente do limite da margem de erro.
- Candidatos como Eduardo Leite (15%) e Tarcísio de Freitas (18%) registram rejeições muito menores, o que pode reconfigurar alianças e estratégias à medida que 2026 se aproxima.
- O cenário aponta para campanhas obrigadas a conquistar eleitores além de seus núcleos fiéis — tarefa difícil quando a rejeição é tão alta quanto a intenção de voto.
Em um país onde a polarização moldou décadas de escolhas coletivas, a pesquisa Datafolha de março de 2026 revela uma paradoxo eleitoral: os dois nomes mais votados são também os mais rejeitados. Lula e Flávio Bolsonaro lideram tanto as intenções de voto quanto os índices de rejeição, com 46% e 45% respectivamente, sugerindo que o Brasil caminha para uma eleição decidida menos pelo entusiasmo do que pela recusa — um espelho fiel de uma democracia ainda em busca de consenso.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em março de 2026 trouxe um retrato incomum da política brasileira: os dois candidatos que lideram as intenções de voto para a presidência são também os mais rejeitados pelo eleitorado. Lula registrou 46% de rejeição e Flávio Bolsonaro, 45% — um empate técnico que coloca os dois em território igualmente hostil junto a parcelas expressivas da população.
O levantamento ouviu mais de dois mil eleitores em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais. Apesar de Lula manter a liderança em todos os cenários de primeiro turno, sua vantagem diminuiu em relação a pesquisas anteriores. No confronto direto de segundo turno, o presidente venceria por 46% a 43% — uma margem que, embora existente, é menor do que a registrada em rodadas anteriores.
O restante do campo apresenta números bem diferentes: Fernando Haddad tem 27% de rejeição, enquanto nomes como Eduardo Leite (15%), Romeu Zema (17%) e Tarcísio de Freitas (18%) aparecem com índices significativamente menores. Essa diferença pode torná-los peças importantes nas negociações de aliança que se intensificarão nos próximos meses.
O quadro geral sugere um eleitorado que vota mais contra do que a favor — uma polarização onde a escolha é moldada pela recusa ao adversário. Para Lula e Flávio Bolsonaro, o desafio estratégico será o mesmo: ampliar sua base além dos eleitores já convictos, em uma disputa onde rejeição e intenção de voto caminham lado a lado.
Uma pesquisa Datafolha divulgada no sábado mostrou um cenário inusitado para a disputa presidencial de 2026: os dois nomes com maior potencial de rejeição entre os eleitores são justamente aqueles que encabeçam as intenções de voto. O presidente Lula registrou 46% de rejeição, enquanto o senador Flávio Bolsonaro ficou com 45% — uma diferença tão pequena que os dois estão em empate técnico nesse quesito.
O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre segunda e quinta-feira da semana anterior, abrangendo 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos, com nível de confiança de 95%. Os números revelam uma dinâmica eleitoral complexa: enquanto Lula lidera em todos os cenários de primeiro turno, sua vantagem sobre os demais candidatos encolheu em relação a levantamentos anteriores.
O restante do campo apresenta rejeição significativamente menor. Fernando Haddad, também do PT, tem 27% de rejeição. Entre os candidatos de outros partidos, Ratinho Júnior aparece com 19%, Tarcísio de Freitas com 18%, Romeu Zema com 17% e Eduardo Leite com 15%. Os demais nomes testados — Renan Santos, Ronaldo Caiado e Aldo Rebelo — ficam entre 12% e 14% de rejeição.
Quando o cenário muda para um segundo turno direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente mantém sua vantagem: 46% de intenção de voto contra 43% do senador. Essa margem de três pontos, porém, é menor do que a que Lula apresentava em rodadas anteriores da mesma pesquisa, sinalizando uma aproximação entre os dois principais candidatos à medida que a campanha se intensifica.
A combinação de alta rejeição com liderança em intenções de voto sugere um eleitorado polarizado, onde parcelas significativas de votantes têm suas escolhas mais definidas por quem não querem no cargo do que por preferência positiva. Para ambos os candidatos, esses números apontam para um desafio estratégico: expandir apoio além de seus núcleos de eleitores mais fiéis será essencial para vencer uma eleição onde a rejeição é tão elevada quanto a intenção de voto.
Notable Quotes
Os dois têm empate técnico nesse quesito e são os nomes com maior índice de rejeição entre os possíveis candidatos para a disputa à Presidência— Pesquisa Datafolha