Em um momento de intensa reflexão sobre os limites do poder no Brasil, uma pesquisa Datafolha expõe uma contradição que habita o coração da democracia brasileira: a maioria dos cidadãos acredita que o Supremo Tribunal Federal acumula poder excessivo e, ao mesmo tempo, reconhece sua indispensabilidade para a sobrevivência das instituições. Esse paradoxo, registrado entre 2.002 entrevistados em setembro de 2026, não é uma rejeição — é um alerta de uma sociedade que confia, mas com ressalvas crescentes.
Datafolha: 76% dos brasileiros acreditam que ministros do STF têm poder excessivo
Precisamos do STF, mas ele ultrapassou seus limites
Como você lê esse resultado? Três quartos dos brasileiros dizem que o STF tem poder demais, mas sete em cada dez ainda acham que é essencial para a democracia. Isso não é contraditório?
Não é contraditório se você entender que as pessoas podem reconhecer que uma instituição é necessária e, ao mesmo tempo, achar que ela ultrapassou seus limites. É como dizer: precisamos do STF, mas ele está fazendo mais do que deveria fazer.
Mas a gente precisa ser cuidadoso aqui. A pesquisa não perguntou o que as pessoas entendem por "poder excessivo". Essa é uma avaliação subjetiva. Dois entrevistados podem estar pensando em coisas completamente diferentes quando concordam com essa frase.
Verdade. E também não sabemos se as pessoas estão respondendo com base em eventos recentes, em uma sensação geral, ou em algo que viram na mídia.
E quanto à queda de confiança? 77% dizem que o STF tinha mais credibilidade no passado. Quando foi esse passado? Há cinco anos? Dez anos?
Exatamente. A pergunta é vaga. "No passado" pode significar qualquer coisa. E a gente não tem dados de pesquisas anteriores do Datafolha para comparar e ver se essa percepção de queda é real ou se é só como as pessoas estão se sentindo agora.
Mas o padrão é claro: confiança em queda, preocupação com poder excessivo, e ainda assim reconhecimento de importância. Isso aponta para uma instituição em crise de legitimidade, não de função.
A margem de erro é de dois pontos. Isso muda algo?
Muda pouco. Mesmo com a margem, 74% a 78% ainda acham que há poder excessivo. O resultado é robusto. O que não sabemos é por quê.
O Pulso
- Três em cada quatro brasileiros sentem que o STF concentra poder demais, uma percepção que atravessa regiões e perfis e coloca a Corte sob escrutínio popular sem precedentes recentes.
- Ao mesmo tempo, 71% reconhecem o Supremo como pilar essencial da democracia, criando uma tensão paradoxal entre a crítica à instituição e a dependência dela.
- O dado mais corrosivo é o da memória: 77% dos brasileiros acreditam que a confiança no STF era maior no passado, sinalizando uma erosão silenciosa e acumulada de credibilidade.
- A pesquisa, encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrada no TSE, chega em um momento em que o debate sobre os limites do Judiciário domina o cenário político nacional.
Em um momento de intensa reflexão sobre os limites do poder no Brasil, uma pesquisa Datafolha expõe uma contradição que habita o coração da democracia brasileira: a maioria dos cidadãos acredita que o Supremo Tribunal Federal acumula poder excessivo e, ao mesmo tempo, reconhece sua indispensabilidade para a sobrevivência das instituições. Esse paradoxo, registrado entre 2.002 entrevistados em setembro de 2026, não é uma rejeição — é um alerta de uma sociedade que confia, mas com ressalvas crescentes.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em setembro de 2026 revelou uma tensão profunda na relação dos brasileiros com o Supremo Tribunal Federal. Três em cada quatro pessoas — 76% dos 2.002 entrevistados ouvidos em 125 cidades — acreditam que os ministros da Corte concentram poder demais. Apenas 18% discordam dessa avaliação.
O paradoxo emerge logo em seguida: 71% dos mesmos entrevistados reconhecem o STF como essencial para proteger a democracia brasileira, e apenas 21% rejeitam essa ideia. A população, portanto, não quer o fim da instituição — quer seus limites redefinidos.
O dado mais revelador, porém, é o da confiança ao longo do tempo. Sete em cada dez brasileiros acreditam que a Corte tinha mais credibilidade no passado do que hoje. Não se trata de uma ruptura abrupta, mas de um afastamento gradual — uma erosão que a pesquisa, registrada no TSE sob o protocolo BR-01833/2026, coloca em números pela primeira vez com essa clareza.
Uma pesquisa do Datafolha divulgada no sábado revelou uma tensão profunda na forma como os brasileiros enxergam o Supremo Tribunal Federal. Três em cada quatro pessoas — 76% do total — acreditam que os ministros da Corte concentram poder demais. Apenas 18% discordam dessa avaliação. O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre 8 e 10 de setembro em 125 cidades brasileiras, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Mas a história não termina na crítica ao poder excessivo. Quando perguntados sobre a importância do STF para a democracia brasileira, 71% dos entrevistados reconhecem a instituição como essencial para proteger o regime democrático. Apenas 21% discordam dessa afirmação. Existe, portanto, um paradoxo no sentimento público: a maioria vê o Supremo como poderoso demais e, simultaneamente, como indispensável para a sobrevivência das instituições democráticas.
O dado mais preocupante para a instituição, porém, diz respeito à confiança ao longo do tempo. Quando questionados se acreditam que as pessoas confiavam mais no STF no passado do que agora, 77% concordam com essa percepção. Apenas 16% discordam. Isso sugere uma erosão significativa na credibilidade da Corte — não uma rejeição total, mas um afastamento gradual da população em relação à instituição.
A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-01833/2026. Os números refletem um momento de questionamento sobre o papel e os limites do poder judiciário no país, em um contexto onde a população simultaneamente reconhece a necessidade da instituição e expressa preocupação com sua influência.
Citações Notáveis
A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral— Datafolha