Dallagnol se reúne com ministro Fux; Azevedo questiona liminar contra TSE

Confiamos em Fux — a resposta que ecoa sete anos depois
A frase de Moro em 2016 ressurge quando Dallagnol se reúne com o ministro após cassação de mandato.
Mark

Por que esse encontro entre Dallagnol e Fux importa agora, se a cassação do mandato já aconteceu?

Mimi

Porque levanta a questão de como decisões judiciais são tomadas. Se Dallagnol está buscando reverter a cassação, um encontro com um ministro do STF dias depois cria uma aparência de que há canais diretos sendo acionados.

Luke

Mas precisamos ser claros: Azevedo está reportando que o encontro aconteceu e especulando sobre o motivo. Ele não tem confirmação de que Dallagnol pediu uma liminar ou de qual foi o assunto da conversa.

Mark

E por que Azevedo traz à tona essas mensagens de 2019? Elas provam algo sobre o encontro de agora?

Mimi

Elas mostram um padrão. Dallagnol tinha acesso a Fux durante a Lava Jato, relatava essas conversas aos colegas, e Moro confiava nessa relação. Agora, quando Dallagnol enfrenta uma derrota judicial, ele vai direto a Fux.

Luke

Mas novamente: o padrão é sugestivo, não conclusivo. As mensagens de 2016 mostram que havia contato, sim. Mas não sabemos se Fux agiu de forma indevida então, e não sabemos o que foi discutido agora.

Mark

Então o que podemos afirmar com segurança?

Mimi

Que o encontro aconteceu, que Dallagnol teve seu mandato cassado pelo TSE, e que há um histórico documentado de comunicação entre ele e Fux durante a Lava Jato.

Luke

Exatamente. O resto é interpretação, e interpretações legítimas podem divergir sobre o que significa.

  • O TSE cassou o mandato de Dallagnol semanas antes do encontro, deixando sua carreira política em situação crítica e sua estratégia jurídica em aberto.
  • A reunião com Fux, divulgada por Reinaldo Azevedo nas redes sociais, acendeu imediatamente a suspeita de que Dallagnol buscava uma liminar para reverter a decisão eleitoral.
  • Azevedo resgatou mensagens da Vaza Jato de 2016 que mostram Dallagnol relatando aos colegas que Fux havia se colocado à disposição da força-tarefa durante a Lava Jato.
  • A frase de Moro — 'In Fux we trust' — reapareceu no debate público como símbolo de uma cumplicidade que muitos consideravam encerrada, mas que o novo encontro recoloca em evidência.
  • O episódio alimenta o debate sobre a independência do Judiciário e os vínculos informais que moldaram uma das maiores operações anticorrupção da história brasileira.

Semanas após ter seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o ex-deputado Deltan Dallagnol reuniu-se com o ministro do STF Luiz Fux — um encontro que, à luz de mensagens da Vaza Jato de 2016, evoca questões antigas sobre os limites entre investigadores e magistrados no Brasil. O jornalista Reinaldo Azevedo trouxe à superfície esse histórico de proximidade, lembrando que, no auge da Lava Jato, Fux teria oferecido apoio à força-tarefa e Moro respondeu com a frase 'In Fux we trust'. A pergunta que paira sobre o presente é a mesma que assombra o passado: onde termina a colaboração institucional e onde começa a cumplicidade.

Na terça-feira, 23 de maio, Deltan Dallagnol — cujo mandato parlamentar havia sido cassado pelo TSE semanas antes — reuniu-se com o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. A informação foi publicada pelo jornalista Reinaldo Azevedo nas redes sociais, acompanhada de uma pergunta direta: Dallagnol estaria tentando obter uma liminar para reverter a decisão eleitoral?

O que transformou o encontro em caso de repercussão foi o contexto histórico que Azevedo trouxe junto. Em 2019, ao cobrir os vazamentos da Vaza Jato, o jornalista havia publicado trechos de conversas internas entre procuradores da Lava Jato. Entre elas, havia o relato de um encontro entre Dallagnol e Fux em abril de 2016 — momento em que o juiz Sérgio Moro havia sido repreendido pelo ministro Teori Zavascki por divulgar escuta telefônica ilegal entre Dilma Rousseff e Lula.

Segundo as mensagens, Dallagnol contou aos colegas que Fux avaliou positivamente a conduta de Moro, criticou Teori e disse à força-tarefa que podiam contar com ele. Ao receber o relato, Moro respondeu com uma frase que se tornaria emblemática: 'In Fux we trust'. Dallagnol reagiu apenas com risadas.

A reaparição desse histórico no contexto do novo encontro reacende o debate sobre os vínculos informais entre investigadores e magistrados durante a Lava Jato — e sobre se esses laços continuam a operar, agora em torno de uma decisão que tirou Dallagnol do mandato que ele havia conquistado nas urnas.

Na terça-feira, 23 de maio, o ex-deputado federal Deltan Dallagnol se encontrou com o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. O encontro ganhou repercussão quando o jornalista Reinaldo Azevedo publicou a informação nas redes sociais, questionando se Dallagnol estaria tentando obter uma liminar contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que havia cassado seu mandato parlamentar semanas antes.

O que tornou o encontro particularmente relevante foi o contexto histórico que Azevedo trouxe à tona. Em 2019, o jornalista havia divulgado em sua coluna no UOL trechos de conversas entre Dallagnol e outros procuradores, obtidas pelo site The Intercept Brasil no que ficou conhecido como Vaza Jato. Naquele material, havia registros de um encontro entre Dallagnol e Fux datado de 22 de abril de 2016, durante o auge da operação Lava Jato.

O contexto daquele encontro de 2016 era específico. O então juiz Sérgio Moro havia sido publicamente repreendido pelo ministro Teori Zavascki, relator do caso do petrolão no tribunal, por ter divulgado um trecho de uma escuta telefônica duplamente ilegal. A conversa interceptada era entre a presidente Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo as mensagens que Azevedo transcreveu, Dallagnol relatou aos seus colegas procuradores que havia conversado com Fux sobre o assunto.

Nas mensagens, Dallagnol descreveu a conversa com Fux de forma positiva para os interesses da força-tarefa. O ministro teria dito, de forma quase espontânea, que Teori havia entrado em conflito com Moro e se queimado no processo, e que a resposta de Moro havia sido excelente. Fux teria oferecido apoio, dizendo que contassem com ele para o que precisassem. Dallagnol mencionou ainda que havia falado sobre a importância de se protegerem como instituições, especialmente diante do novo governo que se aproximava.

Essas mensagens foram retransmitidas a Sérgio Moro, que respondeu com a frase que se tornaria emblemática: "Excelente. In Fux we trust" — em tradução livre, "Confiamos em Fux". A resposta de Dallagnol foi apenas uma sequência de risadas.

O ressurgimento dessa correspondência antiga no contexto do encontro recente levanta questões sobre a continuidade de uma relação entre a força-tarefa da Lava Jato e membros do Poder Judiciário. A cassação do mandato de Dallagnol pelo TSE havia ocorrido semanas antes do encontro com Fux, deixando em aberto a possibilidade de que ele buscasse reverter a decisão através de ações judiciais. O questionamento de Azevedo sobre uma possível liminar contra o TSE sugeria que o encontro poderia estar relacionado a essa estratégia legal.

Dallagnol relatou que Fux ofereceu apoio incondicional à força-tarefa e seus métodos durante a Lava Jato
— Reinaldo Azevedo, citando mensagens de 2016
In Fux we trust
— Sérgio Moro, em resposta às mensagens de Dallagnol em 2016
Quieres la nota completa? Lee el original en Brasil 247 ↗
Contáctanos FAQ