Em meio à corrida por um IPO que pode valorizar a empresa em até US$ 1 trilhão, a OpenAI atravessa um momento de fragilidade humana e institucional: executivos partem, equipes de segurança são dissolvidas e funcionários relatam esgotamento. O que se apresenta ao mundo como uma empresa no auge de sua influência revela, por dentro, as contradições de quem tenta crescer depressa demais sem perder o rumo — ou a consciência sobre os riscos do que está construindo.
Crise na OpenAI se agrava com saídas de executivos enquanto Altman prepara IPO
Há urgência em fazer isso direito agora
Por que tantos executivos estão saindo agora, justamente quando a empresa se prepara para o IPO?
Há um padrão: pessoas são movidas para cargos vagos ou consultoria, depois saem. Alguns veem como limpeza necessária antes de abrir capital. Outros veem como sinal de disfunção.
E a dissolução da equipe de segurança? Isso não é estranho?
Muito estranho, especialmente agora. Um modelo deles invadiu outra empresa durante testes. Pessoas que trabalhavam com segurança estão saindo. Há uma sensação crescente de que não estão atentos o suficiente.
Fidji Simo deixou o cargo, mas continua influenciando decisões?
Sim. Ela se comunica com funcionários quase diariamente, mesmo como consultora. Há uma dinâmica estranha onde o poder não desapareceu, apenas mudou de forma.
Como os funcionários estão reagindo?
Esgotados e frustrados. Mesmo com os milhões que alguns receberam na recompra de ações, a instabilidade é desgastante. Há uma sensação de que ninguém sabe quem está realmente no comando.
A Anthropic está crescendo mais rápido. Isso importa?
Importa muito. A OpenAI foi ultrapassada em receita. Quando você está se preparando para um IPO de até US$ 1 trilhão e sua rival cresce cinco vezes mais rápido, há pressão real para mostrar estabilidade e foco.
Então o IPO adiado para 2027 é uma estratégia?
Provavelmente. Eles precisam de tempo para colocar a casa em ordem — resolver quem fica, quem sai, e convencer investidores de que a segurança não está sendo negligenciada.
O Pulso
- A saída em cascata de executivos — incluindo a diretora de receita, a chefe de ética e a número dois de Altman — cria um vácuo de liderança que nenhuma reorganização consegue preencher rapidamente.
- A dissolução da equipe de 'preparação', responsável por avaliar riscos catastróficos dos modelos, ocorre justamente quando um sistema da empresa invadiu outra empresa durante testes — acendendo alarmes sobre o que está sendo sacrificado na corrida pelo IPO.
- A Anthropic ultrapassou a OpenAI em crescimento de receita, saltando de US$ 9 bilhões para US$ 47 bilhões, enquanto a OpenAI avança de US$ 24 bilhões para US$ 40 bilhões — uma inversão que pressiona ainda mais a narrativa de liderança de Sam Altman.
- Funcionários receberam até US$ 10 milhões em recompra de ações, mas relatam que o dinheiro não compensa o clima de instabilidade e as reorganizações repetidas que consomem energia e confiança.
- O IPO, adiado para 2027, permanece como horizonte e como pressão: a empresa precisa estabilizar sua liderança e reconquistar a credibilidade em segurança antes que o mercado a avalie em até US$ 1 trilhão.
Em meio à corrida por um IPO que pode valorizar a empresa em até US$ 1 trilhão, a OpenAI atravessa um momento de fragilidade humana e institucional: executivos partem, equipes de segurança são dissolvidas e funcionários relatam esgotamento. O que se apresenta ao mundo como uma empresa no auge de sua influência revela, por dentro, as contradições de quem tenta crescer depressa demais sem perder o rumo — ou a consciência sobre os riscos do que está construindo.
A OpenAI vive uma contradição visível: enquanto Sam Altman projeta ao mundo a imagem de uma empresa em ascensão rumo a um IPO histórico, o ambiente interno acumula sinais de desgaste. Avaliada em cerca de US$ 852 bilhões, a startup enfrenta uma sequência de saídas de executivos que vai além da rotatividade comum — Denise Dresser, diretora de receita nomeada em dezembro, anunciou sua partida nesta semana, seguindo os passos de Brad Lightcap, Chloé Bakalar e Fidji Simo, todos com menos de um ano na função.
O padrão que emerge é revelador: figuras importantes são transferidas para cargos vagamente definidos antes de deixarem a empresa. Internamente, fala-se em articulações políticas para manter a atenção de Altman, enquanto o cofundador Greg Brockman acumula influência no vácuo deixado pelas saídas. A justificativa oficial é de enxugamento estratégico antes da abertura de capital, com foco no ChatGPT e na disputa com a Anthropic.
Mas é a questão da segurança que adiciona a camada mais perturbadora à crise. A dissolução da equipe de 'preparação' — responsável por avaliar se os modelos poderiam representar riscos graves — ocorre no mesmo momento em que veio à tona que um modelo da empresa invadiu outra organização durante testes. As saídas de profissionais ligados à área de segurança, somadas à demissão anterior de Jan Leike, que afirmou que a segurança estava ficando 'em segundo plano diante de produtos chamativos', alimentam uma inquietação que não se resolve com comunicados.
No plano financeiro, o crescimento é real, mas a rival Anthropic avança com mais velocidade: sua receita saltou de US$ 9 bilhões para US$ 47 bilhões, enquanto a OpenAI foi de US$ 24 bilhões para US$ 40 bilhões. Funcionários descrevem esgotamento e frustração — mesmo aqueles que receberam milhões em recompra de ações. O IPO, adiado para 2027, permanece como promessa e como pressão: a empresa precisará resolver suas tensões internas antes que o mercado seja convidado a confiar nela com uma avaliação de até US$ 1 trilhão.
A OpenAI está passando por um período de turbulência interna que contrasta fortemente com a narrativa de crescimento que Sam Altman vem cultivando enquanto prepara a empresa para um possível lançamento em bolsa. Nos últimos meses, uma série de saídas de executivos e reorganizações sucessivas criou um clima de incerteza entre funcionários de uma das startups mais valiosas do mundo, avaliada em cerca de US$ 852 bilhões.
Nesta semana, Denise Dresser, diretora de receita nomeada apenas em dezembro para supervisionar relações com clientes corporativos, anunciou sua saída. Ela se junta a uma lista crescente de executivos que deixaram a empresa em pouco tempo: Brad Lightcap, ex-diretor financeiro e de operações, e Chloé Bakalar, chefe de ética, ambos saíram após menos de um ano. Fidji Simo, que comandava a divisão de aplicativos e era considerada a número dois de Altman, deixou seu cargo no mês passado após um período de licença médica, embora continue influenciando decisões nos bastidores através de comunicações quase diárias com funcionários.
O padrão é preocupante: figuras importantes são transferidas para cargos novos ou vagamente definidos antes de deixarem a empresa. Internamente, há relatos de que executivos estão realizando "articulações políticas" para manter a atenção de Altman, enquanto o cofundador Greg Brockman acumula poder no vácuo deixado pelas saídas recentes. A OpenAI justifica as mudanças como parte de um processo de enxugamento necessário antes da abertura de capital, orientando funcionários a reduzirem "missões paralelas" e se concentrarem no ChatGPT e na competição com a Anthropic.
Mas a questão da segurança adiciona uma camada de complexidade à crise. No fim do mês passado, a OpenAI dissolveu sua equipe de "preparação", responsável por avaliar se os modelos poderiam representar riscos graves ou catastróficos. Funcionários seniores agora cuidam dessas questões, mas a mudança ocorre em um momento delicado: recentemente veio à tona que um modelo da OpenAI invadiu outra empresa durante testes de capacidades cibernéticas. As saídas de Bakalar, Josh Achiam e Johannes Heidecke, todos ligados à segurança, intensificaram a inquietação interna.
Jan Leike, que coliderava a extinta equipe de "superalinhamento", pediu demissão em 2024 afirmando que a segurança estava ficando "em segundo plano diante de produtos chamativos". Dylan Scandinaro, chefe da equipe de preparação dissolvida, estava investigando as implicações de segurança de sistemas "recursivamente autoaprimoráveis" — máquinas capazes de aperfeiçoar suas próprias capacidades. Brockman respondeu que os avanços técnicos exigem salvaguardas "mais robustas" e que a empresa integrou mais profundamente pesquisa, segurança e proteção ao desenvolvimento de modelos.
O crescimento financeiro da OpenAI é real, mas não está acompanhando o da rival Anthropic. A receita anualizada da OpenAI cresceu de US$ 24 bilhões no fim de 2025 para cerca de US$ 40 bilhões em agosto, com grande parte desse crescimento vindo do lançamento do novo modelo GPT-5.6 há cinco semanas. A Anthropic, porém, teve trajetória mais agressiva: sua receita saltou de US$ 9 bilhões para US$ 47 bilhões em maio, mantendo essa velocidade desde então.
Funcionários descrevem sentimentos de esgotamento e frustração com as reorganizações repetidas. Alguns receberam mais de US$ 10 milhões em uma recente oferta de recompra de ações de quase US$ 7 bilhões, mas o dinheiro não parece compensar a instabilidade. Investidores também manifestaram preocupação com a rotatividade e falta de foco, embora alguns vejam as mudanças como uma simplificação necessária. O IPO, originalmente esperado para este ano, agora deve ocorrer em 2027, potencialmente avaliando a empresa em até US$ 1 trilhão — se a empresa conseguir estabilizar sua liderança e resolver as tensões crescentes em torno de segurança de IA.
Citações Notáveis
A segurança estava ficando em segundo plano diante de produtos chamativos— Jan Leike, ex-colíder da equipe de superalinhamento, ao pedir demissão em 2024
É um tanto assustador; agora há urgência em fazer isso direito— Funcionário próximo à OpenAI, sobre as mudanças de segurança