Toda grande transformação corporativa tem seus ritos de passagem, e a Cosan escolheu esta semana para tornar o seu visível: a saída do CFO Rafael Bergman e da vice-presidente jurídica Rita Drummond não é resultado de falhas, mas de uma mudança de identidade. A holding de Rubens Ometto, que por anos cresceu comprando e expandindo, está se convertendo em uma estrutura enxuta e desalavancada — e os cargos que partiam de uma lógica de expansão simplesmente deixaram de fazer sentido. É o momento em que uma empresa para de construir o que foi e começa a definir o que quer ser.
Cosan anuncia saída de CFO e VP jurídica em novo ciclo de enxugamento
A holding não faz mais negócios. Segura participações e vende quando precisa desalavancar.
Por que uma holding precisa de um VP jurídico tão sênior se está se enxugando?
Porque até agora a Cosan era uma máquina de fazer negócios — fusões, reestruturações, operações de mercado de capitais. Rita estava ali para tocar tudo isso. Agora a holding não faz mais isso. Ela segura participações e vende quando precisa desalavancar.
Bergman saiu depois de apenas nove meses. Isso não é estranho?
Não, porque ele foi trazido para um modelo de negócio que já estava mudando. Quando o BTG e a Perfin entraram como sócios, a estratégia virou outra. Bergman era um veterano, conhecia o grupo, mas o grupo não era mais o mesmo.
A dívida caiu de R$ 30 bilhões para menos de R$ 10 bilhões em pouco tempo. Como?
Vendeu a Vale. Depois começou a vender outros ativos — o terminal portuário, vai vender a Rumo. E não vai investir mais na Raízen. É uma liquidação controlada.
Liquidação é uma palavra forte.
É. Mas não é caótica. É planejada. A holding está se tornando um veículo de gestão de participações, não de expansão. Precisa de menos gente, menos estrutura jurídica, menos ambição.
E os acionistas? A ação caiu 43%.
Estão vendo uma empresa que era grande ficar pequena. Mas a dívida está caindo. No longo prazo, pode fazer sentido. No curto prazo, é dor.
O Pulso
- A Cosan perdeu 43% do valor em bolsa nos últimos doze meses e carrega ainda uma dívida líquida elevada com a Selic a 14%, criando uma pressão real para simplificar e gerar caixa.
- A entrada do BTG e da Perfin como sócios em setembro de 2025 funcionou como gatilho: desde então, o headcount caiu de 100 para 40 funcionários e a estrutura jurídica foi fundida ao CFO, extinguindo um cargo que existia há 18 anos.
- A holding está vendendo o que construiu — busca comprador para sua fatia na Rumo, recebeu proposta de R$ 300 milhões pelo terminal do Porto de São Luís (comprado por R$ 720 milhões em 2022) e deve ser diluída na Raízen para cerca de 4%.
- Para sinalizar disciplina ao mercado, a Cosan anunciou o delisting de seus ADRs, convocou assembleia para simplificar o estatuto e passará a publicar guidance de cobertura de dívida — gestos de uma empresa que quer ser lida como previsível, não ambiciosa.
Toda grande transformação corporativa tem seus ritos de passagem, e a Cosan escolheu esta semana para tornar o seu visível: a saída do CFO Rafael Bergman e da vice-presidente jurídica Rita Drummond não é resultado de falhas, mas de uma mudança de identidade. A holding de Rubens Ometto, que por anos cresceu comprando e expandindo, está se convertendo em uma estrutura enxuta e desalavancada — e os cargos que partiam de uma lógica de expansão simplesmente deixaram de fazer sentido. É o momento em que uma empresa para de construir o que foi e começa a definir o que quer ser.
A Cosan anunciou esta semana a saída de dois executivos de alto escalão: o CFO Rafael Bergman, com apenas nove meses no cargo, e a vice-presidente jurídica Rita Drummond, que havia chegado do escritório BMA há 18 anos e conduzido praticamente todas as operações relevantes do grupo — fusões, reestruturações, mercado de capitais. Nenhuma das saídas tem a ver com desempenho. Têm a ver com arquitetura.
Bergman será substituído por José Cesário Menezes de Barros Sobrinho, ex-CFO da Vamos e veterano da própria Cosan — já havia passado pela Rumo e pela holding. O cargo jurídico, por sua vez, simplesmente desaparece: a área passa a reportar diretamente ao CFO. A mensagem é clara — a Cosan não precisa mais de uma estrutura tão robusta.
O pano de fundo é a desalavancagem iniciada após a entrada do BTG e da Perfin como sócios em setembro de 2025. Em um ano, o quadro de funcionários da holding caiu de 100 para 40. A dívida líquida, que havia chegado a R$ 30 bilhões antes da venda da participação na Vale, está agora abaixo de R$ 10 bilhões — ainda alta, mas em queda consistente.
Na mesma semana, a Cosan convocou assembleia para ajustar o estatuto e simplificar a estrutura da Radar, sua empresa de propriedades agrícolas. Anunciou o delisting dos ADRs. E disse que passará a divulgar um guidance de cobertura de dívida — sinal de que quer ser lida pelo mercado como uma holding previsível e disciplinada, não expansionista.
A venda de ativos avança em paralelo. A empresa recebeu proposta de R$ 300 milhões pelo terminal do Porto de São Luís — o mesmo que comprou em 2022 por R$ 720 milhões. Busca comprador para sua participação na Rumo. E sinalizou que não participará do aumento de capital da Raízen, o que deve reduzir sua fatia para cerca de 4%. A ação da Cosan acumula queda de 43% nos últimos doze meses. O que está em curso é uma reconfiguração profunda: de holding agressiva para estrutura enxuta. Bergman e Drummond saem porque a empresa que os contratou não existe mais.
A Cosan está se reinventando, e o sinal mais visível chegou esta semana com dois nomes saindo pela porta: Rafael Bergman, o CFO, e Rita Drummond, vice-presidente jurídica. Não é uma demissão por desempenho ruim. É arquitetura. A holding de Rubens Ometto está se transformando, e essas saídas marcam o ponto de inflexão.
Bergman tinha apenas nove meses no cargo, mas era um rosto familiar dentro do grupo. Ele havia passado pela Raízen, pela Rumo e pela Compass — todas empresas controladas pela Cosan. Agora sai para dar lugar a José Cesário Menezes de Barros Sobrinho, que estava na Vamos como CFO desde 2024. Cesário também não é novo por lá: já havia sido CFO da Rumo e diretor financeiro da própria holding. O cargo de vice-presidente jurídico, porém, desaparece. A área de direito passa a reportar direto ao CFO. Rita, que saía do BMA para trabalhar na Cosan há 18 anos, havia tocado praticamente toda operação importante do grupo — fusões, operações de mercado de capitais, reestruturações. Sua saída é simbólica: a holding não precisa mais de uma estrutura jurídica tão robusta.
O contexto é a desalavancagem. Em setembro de 2025, o BTG e a Perfin entraram como sócios, e desde então a Cosan iniciou um processo de enxugamento que vai muito além de trocar nomes. A holding está deixando de ser um veículo de expansão. Está ficando simples. O headcount caiu de 100 para 40 funcionários em um ano. A dívida líquida, que havia chegado a R$ 30 bilhões antes da venda da participação na Vale, agora está abaixo de R$ 10 bilhões. Ainda é alta — a Selic está em 14% — mas o movimento é claro.
Na mesma semana, a Cosan fez três anúncios adicionais que reforçam essa transformação. Convocou uma assembleia geral extraordinária para ajustar o estatuto social e fazer uma reestruturação na Radar, sua empresa de propriedades agrícolas, reduzindo camadas societárias. Anunciou que vai deslistar seus ADRs. E começará a publicar um guidance sobre cobertura de dívida — uma forma de sinalizar ao mercado como o fluxo financeiro vai permitir servir os compromissos.
A venda de ativos também está em marcha. A Cosan recebeu uma proposta de R$ 300 milhões pelo terminal que opera no Porto de São Luís. Ela havia comprado o mesmo terminal em 2022 por R$ 720 milhões. Está buscando comprador para sua participação na Rumo. E sinalizou que não vai investir no aumento de capital da Raízen, o que deve diluir sua fatia para cerca de 4%.
O mercado não está celebrando. A ação da Cosan caiu 43% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 13 bilhões na Bolsa. O que está acontecendo é uma reconfiguração profunda: de uma holding agressiva que comprava e expandia para uma estrutura enxuta que vende e simplifica. Bergman e Drummond saem porque a Cosan que eles conheciam não existe mais.
Citações Notáveis
A holding está ficando mais simples e não deve ser mais um veículo de expansão — reduzindo o escopo dos executivos.— Comunicado da Cosan