Cosan anuncia saída de CFO e VP jurídica em novo ciclo de enxugamento

A holding não faz mais negócios. Segura participações e vende quando precisa desalavancar.
A transformação da Cosan de veículo de expansão para estrutura simplificada de gestão de ativos.
Mark

Por que uma holding precisa de um VP jurídico tão sênior se está se enxugando?

Mimi

Porque até agora a Cosan era uma máquina de fazer negócios — fusões, reestruturações, operações de mercado de capitais. Rita estava ali para tocar tudo isso. Agora a holding não faz mais isso. Ela segura participações e vende quando precisa desalavancar.

Mark

Bergman saiu depois de apenas nove meses. Isso não é estranho?

Mimi

Não, porque ele foi trazido para um modelo de negócio que já estava mudando. Quando o BTG e a Perfin entraram como sócios, a estratégia virou outra. Bergman era um veterano, conhecia o grupo, mas o grupo não era mais o mesmo.

Mark

A dívida caiu de R$ 30 bilhões para menos de R$ 10 bilhões em pouco tempo. Como?

Mimi

Vendeu a Vale. Depois começou a vender outros ativos — o terminal portuário, vai vender a Rumo. E não vai investir mais na Raízen. É uma liquidação controlada.

Mark

Liquidação é uma palavra forte.

Mimi

É. Mas não é caótica. É planejada. A holding está se tornando um veículo de gestão de participações, não de expansão. Precisa de menos gente, menos estrutura jurídica, menos ambição.

Mark

E os acionistas? A ação caiu 43%.

Mimi

Estão vendo uma empresa que era grande ficar pequena. Mas a dívida está caindo. No longo prazo, pode fazer sentido. No curto prazo, é dor.

  • A Cosan perdeu 43% do valor em bolsa nos últimos doze meses e carrega ainda uma dívida líquida elevada com a Selic a 14%, criando uma pressão real para simplificar e gerar caixa.
  • A entrada do BTG e da Perfin como sócios em setembro de 2025 funcionou como gatilho: desde então, o headcount caiu de 100 para 40 funcionários e a estrutura jurídica foi fundida ao CFO, extinguindo um cargo que existia há 18 anos.
  • A holding está vendendo o que construiu — busca comprador para sua fatia na Rumo, recebeu proposta de R$ 300 milhões pelo terminal do Porto de São Luís (comprado por R$ 720 milhões em 2022) e deve ser diluída na Raízen para cerca de 4%.
  • Para sinalizar disciplina ao mercado, a Cosan anunciou o delisting de seus ADRs, convocou assembleia para simplificar o estatuto e passará a publicar guidance de cobertura de dívida — gestos de uma empresa que quer ser lida como previsível, não ambiciosa.

Toda grande transformação corporativa tem seus ritos de passagem, e a Cosan escolheu esta semana para tornar o seu visível: a saída do CFO Rafael Bergman e da vice-presidente jurídica Rita Drummond não é resultado de falhas, mas de uma mudança de identidade. A holding de Rubens Ometto, que por anos cresceu comprando e expandindo, está se convertendo em uma estrutura enxuta e desalavancada — e os cargos que partiam de uma lógica de expansão simplesmente deixaram de fazer sentido. É o momento em que uma empresa para de construir o que foi e começa a definir o que quer ser.

A Cosan anunciou esta semana a saída de dois executivos de alto escalão: o CFO Rafael Bergman, com apenas nove meses no cargo, e a vice-presidente jurídica Rita Drummond, que havia chegado do escritório BMA há 18 anos e conduzido praticamente todas as operações relevantes do grupo — fusões, reestruturações, mercado de capitais. Nenhuma das saídas tem a ver com desempenho. Têm a ver com arquitetura.

Bergman será substituído por José Cesário Menezes de Barros Sobrinho, ex-CFO da Vamos e veterano da própria Cosan — já havia passado pela Rumo e pela holding. O cargo jurídico, por sua vez, simplesmente desaparece: a área passa a reportar diretamente ao CFO. A mensagem é clara — a Cosan não precisa mais de uma estrutura tão robusta.

O pano de fundo é a desalavancagem iniciada após a entrada do BTG e da Perfin como sócios em setembro de 2025. Em um ano, o quadro de funcionários da holding caiu de 100 para 40. A dívida líquida, que havia chegado a R$ 30 bilhões antes da venda da participação na Vale, está agora abaixo de R$ 10 bilhões — ainda alta, mas em queda consistente.

Na mesma semana, a Cosan convocou assembleia para ajustar o estatuto e simplificar a estrutura da Radar, sua empresa de propriedades agrícolas. Anunciou o delisting dos ADRs. E disse que passará a divulgar um guidance de cobertura de dívida — sinal de que quer ser lida pelo mercado como uma holding previsível e disciplinada, não expansionista.

A venda de ativos avança em paralelo. A empresa recebeu proposta de R$ 300 milhões pelo terminal do Porto de São Luís — o mesmo que comprou em 2022 por R$ 720 milhões. Busca comprador para sua participação na Rumo. E sinalizou que não participará do aumento de capital da Raízen, o que deve reduzir sua fatia para cerca de 4%. A ação da Cosan acumula queda de 43% nos últimos doze meses. O que está em curso é uma reconfiguração profunda: de holding agressiva para estrutura enxuta. Bergman e Drummond saem porque a empresa que os contratou não existe mais.

A Cosan está se reinventando, e o sinal mais visível chegou esta semana com dois nomes saindo pela porta: Rafael Bergman, o CFO, e Rita Drummond, vice-presidente jurídica. Não é uma demissão por desempenho ruim. É arquitetura. A holding de Rubens Ometto está se transformando, e essas saídas marcam o ponto de inflexão.

Bergman tinha apenas nove meses no cargo, mas era um rosto familiar dentro do grupo. Ele havia passado pela Raízen, pela Rumo e pela Compass — todas empresas controladas pela Cosan. Agora sai para dar lugar a José Cesário Menezes de Barros Sobrinho, que estava na Vamos como CFO desde 2024. Cesário também não é novo por lá: já havia sido CFO da Rumo e diretor financeiro da própria holding. O cargo de vice-presidente jurídico, porém, desaparece. A área de direito passa a reportar direto ao CFO. Rita, que saía do BMA para trabalhar na Cosan há 18 anos, havia tocado praticamente toda operação importante do grupo — fusões, operações de mercado de capitais, reestruturações. Sua saída é simbólica: a holding não precisa mais de uma estrutura jurídica tão robusta.

O contexto é a desalavancagem. Em setembro de 2025, o BTG e a Perfin entraram como sócios, e desde então a Cosan iniciou um processo de enxugamento que vai muito além de trocar nomes. A holding está deixando de ser um veículo de expansão. Está ficando simples. O headcount caiu de 100 para 40 funcionários em um ano. A dívida líquida, que havia chegado a R$ 30 bilhões antes da venda da participação na Vale, agora está abaixo de R$ 10 bilhões. Ainda é alta — a Selic está em 14% — mas o movimento é claro.

Na mesma semana, a Cosan fez três anúncios adicionais que reforçam essa transformação. Convocou uma assembleia geral extraordinária para ajustar o estatuto social e fazer uma reestruturação na Radar, sua empresa de propriedades agrícolas, reduzindo camadas societárias. Anunciou que vai deslistar seus ADRs. E começará a publicar um guidance sobre cobertura de dívida — uma forma de sinalizar ao mercado como o fluxo financeiro vai permitir servir os compromissos.

A venda de ativos também está em marcha. A Cosan recebeu uma proposta de R$ 300 milhões pelo terminal que opera no Porto de São Luís. Ela havia comprado o mesmo terminal em 2022 por R$ 720 milhões. Está buscando comprador para sua participação na Rumo. E sinalizou que não vai investir no aumento de capital da Raízen, o que deve diluir sua fatia para cerca de 4%.

O mercado não está celebrando. A ação da Cosan caiu 43% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 13 bilhões na Bolsa. O que está acontecendo é uma reconfiguração profunda: de uma holding agressiva que comprava e expandia para uma estrutura enxuta que vende e simplifica. Bergman e Drummond saem porque a Cosan que eles conheciam não existe mais.

A holding está ficando mais simples e não deve ser mais um veículo de expansão — reduzindo o escopo dos executivos.
— Comunicado da Cosan
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