Convenção do PSB em SP exalta cadeirada de Datena e Haddad ataca Tarcísio

nem vai precisar das cadeiradas do Datena
Márcio França brinca sobre confronto direto na campanha contra Tarcísio de Freitas.
Mark

Por que a cadeirada de Datena virou piada de campanha? Parece estranho celebrar uma agressão.

Mimi

Porque em 2024 ela foi um momento de ruptura. Datena estava sendo atacado verbalmente, perdeu a paciência, e muita gente viu aquilo como alguém finalmente respondendo à agressão política. Agora, dois anos depois, virou símbolo de disposição para confronto.

Mark

Mas Datena mesmo disse que se arrepende.

Mimi

Sim, mas o arrependimento dele é tático. Ele diz que foi errado, mas necessário. É uma forma de dizer: eu fiz o que precisava ser feito. E a plateia entendeu assim.

Mark

O que Haddad realmente está denunciando com essa história de intimidação de prefeitos?

Mimi

Que Tarcísio está usando a máquina do estado para forçar prefeitos a privatizar a Sabesp. Se você é prefeito e o governador controla os repasses, você tem medo de desagradar. Haddad está dizendo que isso é coerção.

Mark

E é verdade?

Mimi

Não sabemos ainda. Mas é uma acusação que ressoa porque prefeitos realmente dependem de repasses estaduais. Se Tarcísio está usando isso como moeda de troca, é um abuso de poder.

Mark

Por que Alckmin falou sobre voto das mulheres numa convenção estadual?

Mimi

Porque bolsonaristas estão atacando o sufrágio feminino. Alckmin estava respondendo a isso, dizendo que mulheres conquistaram o direito de votar com sangue e sacrifício. É uma forma de dizer: não vamos voltar atrás.

Mark

A coligação parece frágil — PT, PSB, Rede, Simone Tebet. Conseguem se manter unida?

Mimi

Por enquanto sim, porque o inimigo comum é Tarcísio. Mas depois da eleição, se ganharem, essas tensões vão aparecer.

  • PSB confirmou candidaturas em convenção na Alesp em 31 de julho
  • Fernando Haddad acusa Tarcísio de intimidar prefeitos sobre privatização da Sabesp
  • José Luiz Datena brincou sobre cadeirada durante discurso como candidato a deputado federal
  • Geraldo Alckmin defendeu direito de voto das mulheres contra críticas bolsonaristas
  • Coligação reúne PT, PSB, Rede e candidatos como Marina Silva e Simone Tebet

PSB confirmou candidaturas com Haddad atacando gestão Tarcísio sobre Sabesp e intimidação de prefeitos. Datena brincou sobre cadeirada durante discurso, enquanto Alckmin defendeu direito de voto das mulheres contra críticas bolsonaristas.

Convenção do PSB em São Paulo confirmou candidaturas e apresentou críticas ao governo Tarcísio de Freitas, com momentos de humor sobre a cadeirada de Datena e defesa de direitos das mulheres.

Na noite de sexta-feira, o PSB reuniu seus candidatos no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo para oficializar as chapas que disputarão as eleições estaduais. O evento, que deveria ser um ato político convencional, transformou-se numa mistura de campanha séria e momentos de humor que revelam o tom da disputa que se aproxima.

Márcio França, confirmado como vice na chapa de Fernando Haddad, abriu o discurso com uma provocação dirigida ao governador Tarcísio de Freitas. Disse que a reeleição do Republicano não enfrentaria adversários fracos, mas homens de verdade. E completou a brincadeira: "nem vai precisar das cadeiradas do Datena". A referência era ao episódio de 2024 quando o apresentador José Luiz Datena, então candidato a prefeito, agrediu Pablo Marçal com uma cadeira durante debate. O público riu, mas a mensagem era clara — a campanha de Haddad promete confronto direto.

Datana, que agora concorre a deputado federal pelo PSB, respondeu ao comentário de França com uma performance que misturava autocrítica e provocação. Disse se arrepender da agressão, mas justificou-a como defesa contra acusações que considerava infundadas. Depois ergueu uma cadeira durante seu discurso e brincou: "o Márcio falou que não precisa, mas por via das dúvidas". A plateia gritava "cadeirada, cadeirada". O momento capturou algo real sobre a campanha — a disposição para confronto, mesmo quando embrulhado em humor.

Haddad, presente no evento, mudou o tom para críticas substantivas. Atacou a gestão Tarcísio em diversos serviços e denunciou o que chamou de intimidação de prefeitos. Segundo ele, quando os prefeitos são convidados ao Palácio dos Bandeirantes, é para anúncios de repasses obrigatórios, não discricionários. E agora, disse, estão sendo pressionados a aderir à privatização da Sabesp, mesmo aqueles cujas autarquias funcionam bem. Marina Silva, da Rede, que será candidata ao Senado na mesma chapa, confirmou que os candidatos reúnem-se com prefeitos em agendas fechadas justamente porque eles temem retaliação de Tarcísio.

O discurso de Haddad tocou num ponto que parece central para a coligação: a ideia de que o governo estadual está usando sua máquina para coagir prefeitos. "Enquanto nós nos deixarmos levar por paixões políticas irracionais, por cegueira deliberada, por ideologia barata, nós não vamos nos debruçar sobre a situação crítica desse encontro no nosso estado", afirmou.

Geraldo Alckmin, candidato a vice-presidente da República, usou a convenção para defender o direito de voto das mulheres. A defesa era resposta a críticas bolsonaristas ao sufrágio feminino, incluindo declarações do empresário Paulo Figueiredo, neto do último presidente da ditadura militar, que disse que mulheres votam mal. Alckmin invocou a Revolução de 1932 como exemplo de luta pelos direitos políticos das mulheres. "Nossos irmãos morreram, deram sangue, deram a vida para lutar por uma Constituição. E um dos primeiros itens era o direito de voto às mulheres."

Tabata Amaral, deputada federal e candidata à reeleição pelo PSB, fechou os discursos com críticas à política externa. Atacou Flávio Bolsonaro por se aproximar de figuras como Donald Trump, Javier Milei e Binyamin Netanyahu. Sua fala conectava a campanha estadual a uma narrativa maior sobre soberania nacional e alinhamentos internacionais.

A convenção revelou uma coligação que mistura crítica institucional com confronto direto. O PSB, PT e Rede estão apostando que a população está cansada da gestão Tarcísio e que a intimidação de prefeitos é um tema que ressoa. Os momentos de humor sobre a cadeirada de Datena não eram apenas diversão — eram um sinal de que essa campanha será mais áspera do que as convenções costumam sugerir.

Quando são convidados os prefeitos para ir ao Palácio dos Bandeirantes, é para um anúncio de repasse obrigatório, porque o discricionário não vem
— Fernando Haddad
Nossos irmãos morreram, deram sangue, deram a vida para lutar por uma Constituição. E um dos primeiros itens era o direito de voto às mulheres
— Geraldo Alckmin
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