Num país que aprende a crescer sem depender dos combustíveis fósseis, o frio de janeiro revelou a dimensão real da dependência humana pela energia: em três dias consecutivos, Portugal bateu três vezes o seu próprio recorde histórico de consumo elétrico, culminando em 192,3 GWh na quinta-feira, 8 de janeiro. O episódio não é apenas uma estatística climática — é um espelho da tensão entre o crescimento da procura e a ambição de uma transição energética que, ainda assim, manteve as renováveis em 68% do consumo total em 2025.
Consumo diário de eletricidade em Portugal atinge novo recorde histórico de 192,3 GWh
Três recordes consecutivos em três dias, atingindo 192,3 GWh
Porque é que um recorde de consumo diário é notícia? Não é apenas o resultado de mais pessoas a usar eletricidade?
É mais do que isso. Três recordes consecutivos em três dias é extraordinário — significa que o sistema atingiu um pico que nunca tinha visto. E o timing importa: isto aconteceu durante frio extremo, o que explica o porquê, mas também mostra como o clima afeta a infraestrutura.
Mas precisamos de ser claros: o frio explica o pico semanal, mas não explica o crescimento anual de 3,2%. Há outras forças em jogo — mais população, mais consumo de dados, mais eletrificação. O frio é a história da semana; o crescimento é a história do ano.
E a energia renovável? 68% é bom?
É muito bom. Significa que quando o país precisou de mais eletricidade, conseguiu fornecê-la maioritariamente a partir de fontes limpas. Mantém-se praticamente no nível de 2024, apesar de restrições técnicas pós-apagão.
Mas aqui está o detalhe importante: a REN teve de impor restrições técnicas sobre a produção renovável para manter a segurança do sistema. Isso significa que o potencial renovável é ainda maior do que os 68% que vemos. Não é uma limitação de recursos; é uma limitação de gestão da rede.
Então o sistema está a funcionar bem?
Está a funcionar, e está a crescer de forma sustentável. Mas o apagão de abril mostrou que há fragilidades. Os recordes de janeiro mostram que o sistema consegue responder à procura, mas também que precisa de vigilância constante.
E não sabemos ainda qual será o impacto de invernos mais rigorosos ou de períodos de frio prolongado. Um recorde é um ponto de dados; uma tendência é uma história diferente.
Il Polso
- Três recordes em três dias consecutivos — 186,2 GWh, 188,1 GWh e 192,3 GWh — colocaram o sistema elétrico nacional sob uma pressão sem precedentes históricos.
- Nove distritos do continente estiveram sob aviso amarelo do IPMA por temperaturas extremamente baixas, forçando casas e edifícios a consumir energia a plena capacidade.
- O recorde anterior de 185,1 GWh, que resistia desde janeiro de 2021, foi ultrapassado logo na terça-feira — e voltou a ser superado nas duas noites seguintes.
- O consumo total de 2025 atingiu 53,1 TWh, o valor mais alto de sempre no Sistema Elétrico Nacional, com crescimento de 3,2% face ao ano anterior.
- Apesar das restrições técnicas impostas após o apagão de 28 de abril, as renováveis mantiveram 68% do mix energético, sinalizando que a descarbonização resiste mesmo sob pressão extrema.
Num país que aprende a crescer sem depender dos combustíveis fósseis, o frio de janeiro revelou a dimensão real da dependência humana pela energia: em três dias consecutivos, Portugal bateu três vezes o seu próprio recorde histórico de consumo elétrico, culminando em 192,3 GWh na quinta-feira, 8 de janeiro. O episódio não é apenas uma estatística climática — é um espelho da tensão entre o crescimento da procura e a ambição de uma transição energética que, ainda assim, manteve as renováveis em 68% do consumo total em 2025.
Portugal viveu, entre 6 e 8 de janeiro, uma semana elétrica sem paralelo na sua história. Em apenas três dias, o país bateu três vezes o seu próprio recorde de consumo diário de eletricidade: 186,2 GWh na terça-feira, 188,1 GWh na quarta, e 192,3 GWh na quinta — o valor mais alto alguma vez registado. Os dados foram divulgados pela REN, gestora das redes nacionais, e revelam não um pico isolado, mas uma sequência extraordinária que nenhum período anterior tinha produzido.
A causa imediata foi o frio intenso que varreu o continente. O IPMA colocou nove distritos sob aviso amarelo por temperaturas muito baixas, e o efeito no consumo foi imediato: com sistemas de aquecimento a trabalhar a plena capacidade, a procura por eletricidade disparou. O anterior recorde nacional — 185,1 GWh, estabelecido em janeiro de 2021 — foi ultrapassado logo no primeiro dia da sequência.
Este episódio insere-se num crescimento energético mais amplo. Em 2025, o consumo total abastecido pela rede pública atingiu 53,1 terawatt-hora, o valor mais elevado de sempre no Sistema Elétrico Nacional, com um aumento de 3,2% face a 2024. Ainda assim, a produção renovável manteve-se em 68% do consumo total — um desempenho assinalável, conseguido mesmo com restrições técnicas impostas após o apagão de 28 de abril. O sistema cresce e descarboniza-se em simultâneo, e os números de janeiro confirmam que essa trajetória continua.
Portugal atravessou uma semana de consumo elétrico sem precedentes. Na quinta-feira, 8 de janeiro, o país registou o maior consumo diário de energia da sua história: 192,3 gigawatt-hora. A REN, gestora das redes nacionais, divulgou os dados esta semana, revelando não apenas um recorde isolado, mas uma sequência extraordinária de três máximos consecutivos em apenas três dias.
Tudo começou na terça-feira, 6 de janeiro, quando o consumo diário atingiu 186,2 GWh — já um marco significativo, pois superava o anterior recorde nacional de 185,1 GWh, que tinha permanecido de pé desde 13 de janeiro de 2021. Mas o padrão não parou ali. Na quarta-feira, o consumo subiu novamente, fixando-se em 188,1 GWh. E então, na quinta-feira, o sistema elétrico nacional alcançou 192,3 GWh, estabelecendo um novo teto que nenhuma medição anterior tinha atingido.
O timing não é coincidência. Durante este período, Portugal enfrentou um episódio de frio extremo. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou nove distritos da região continental sob aviso amarelo no domingo anterior, alertando para as temperaturas muito baixas. Embora os avisos tenham sido posteriormente retirados, o impacto no consumo de energia foi claro: quando as pessoas aquecem as casas, quando os sistemas de climatização trabalham a plena capacidade, a procura por eletricidade sobe dramaticamente.
Este pico semanal insere-se num contexto mais amplo de crescimento energético no país. Em 2025, o consumo total de eletricidade abastecido pela rede pública atingiu 53,1 terawatt-hora — o valor mais elevado jamais registado no Sistema Elétrico Nacional. Isto representa um aumento de 3,2% face a 2024, ou 2,3% quando ajustado para variações de temperatura e número de dias úteis. O crescimento é sustentado, não apenas uma flutuação sazonal.
O que torna estes números particularmente relevantes é a composição dessa energia. A produção renovável em 2025 alcançou 37 terawatt-hora, correspondendo a 68% do consumo total — mantendo-se praticamente alinhada com os 70% do ano anterior. A REN sublinhou que este desempenho foi conseguido apesar de restrições técnicas impostas sobre a produção de eletricidade para salvaguardar a segurança do abastecimento, particularmente no período imediatamente após o apagão de 28 de abril. O sistema está a descarbonizar-se enquanto cresce, uma trajetória que os dados de janeiro confirmam estar em curso.
Citazioni salienti
Sequência inédita de recordes consecutivos de consumo diário de energia elétrica em Portugal, numa altura em que o país tem registado temperaturas muito baixas— REN (Redes Energéticas Nacionais)