Consórcio dobra de tamanho em dez anos e se consolida como ferramenta de patrimônio

O consórcio funciona como uma academia da poupança
Executivo da BR Consórcios explica como a modalidade transforma comportamento financeiro dos participantes.
Mark

Por que o consórcio cresceu tão rápido justamente nos últimos dez anos?

Mimi

Porque coincidiu com uma crise de crédito imobiliário. Os bancos apertaram as torneiras, os juros subiram, e as pessoas precisavam de uma forma de comprar casa ou máquinas. O consórcio estava ali, oferecendo uma alternativa sem juros.

Mark

Mas consórcio sempre existiu. O que mudou?

Mimi

A Lei de 2008 deu segurança jurídica. Depois, os assessores financeiros começaram a recomendar. E agora a tecnologia está tornando tudo mais fácil. Antes era burocrático. Hoje você consegue tudo online.

Mark

Então é só uma questão de oferta melhor?

Mimi

Não é só isso. É também comportamento. O consórcio força você a poupar todo mês. Você entra querendo um carro e acaba desenvolvendo disciplina financeira. Funciona como uma academia.

Mark

E quem entra no final da fila? Não sai perdendo?

Mimi

Essa é a grande percepção errada. Quem recebe o crédito depois ainda paga sem juros. E a carta de crédito é reajustada anualmente para acompanhar a inflação. Você não perde poder de compra.

Mark

Qual é o próximo passo para o setor?

Mimi

Expansão para empresas. Transportadoras e agronegócio já estão usando. E a tecnologia vai simplificar ainda mais. Mas o relacionamento pessoal vai continuar sendo crucial — ninguém quer comprar segurança por máquina.

Mark

Isso significa que o consórcio vai virar mainstream?

Mimi

Já é. Treze milhões de participantes ativos é mainstream. O que falta é desconstruir mitos e levar para mais gente que não conhece ainda.

  • 13 milhões de cotas ativas em 2026, recorde histórico
  • 5,16 milhões de cotas comercializadas em 2025, crescimento de 15%
  • R$ 500,27 bilhões em créditos movimentados em 2025, alta de 32,1%
  • Setor dobrou de tamanho em dez anos
  • Projeção de crescimento de 11% para 2026

Consórcios comercializaram 5,16 milhões de cotas em 2025, alta de 15%, movimentando R$ 500,27 bilhões em créditos com crescimento de 32,1%. Redução do crédito imobiliário tradicional e juros elevados levaram clientes a buscar consórcios como alternativa eficiente para formação de patrimônio com custo relativamente baixo.

O setor de consórcios alcançou 13 milhões de participantes ativos em 2026, impulsionado por juros elevados, restrição ao crédito e papel dos assessores financeiros, dobrando de tamanho em dez anos.

Na Expert XP 2026, executivos do setor de consórcios reuniram-se para discutir uma transformação silenciosa que vem redesenhando o mercado financeiro brasileiro. O consórcio, outrora visto como mera alternativa ao financiamento tradicional, consolidou-se como ferramenta central de planejamento patrimonial. Os números falam por si: em apenas dez anos, o setor dobrou de tamanho e atingiu 13 milhões de cotas ativas em 2026, um recorde histórico que reflete mudanças profundas na forma como famílias e empresas constroem riqueza.

O crescimento não é acidental. Humberto Mazzotti, diretor da BR Consórcios, comparou o consórcio a uma academia financeira: o participante entra com um objetivo específico e desenvolve, ao longo do tempo, o hábito de poupar. Essa transformação comportamental ocorre em um contexto de restrição severa do crédito imobiliário tradicional e juros que tornaram o financiamento convencional proibitivo para muitos. O consórcio preencheu uma lacuna deixada justamente quando o mercado mais precisava de alternativas.

Os dados de 2025 ilustram a força dessa expansão. O sistema comercializou 5,16 milhões de cotas, crescimento de 15% em relação ao ano anterior, movimentando R$ 500,27 bilhões em créditos — um aumento de 32,1%. O ritmo acelerou em 2026: entre janeiro e abril, foram comercializadas 1,87 milhão de cotas, gerando R$ 179,41 bilhões em movimentação. A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios projeta que o segmento mantenha expansão próxima de 11% ao longo do ano.

Para Luciano Benício, head de Consórcios da XP, a modalidade ganhou espaço em um cenário onde o funding para crédito imobiliário encolheu significativamente. A poupança, historicamente a principal fonte de recursos para financiamento, perdeu participação. O consórcio ocupou parte desse vazio. Marcelo Mascaretti, diretor comercial da CNP Consórcios, reforça que o ambiente de juros elevados amplifica o atrativo da modalidade: com o crédito mais caro e a população poupando pouco, o consórcio emerge como ferramenta eficiente de planejamento com custo relativamente baixo.

A Lei dos Consórcios, sancionada em 2008, forneceu a base institucional para essa expansão, trazendo segurança jurídica que estimulou bancos e instituições financeiras a ampliar suas ofertas. Mas a transformação vai além do varejo. Assessores financeiros levaram o produto para empresas: transportadoras, operadores logísticos e negócios do agronegócio agora utilizam consórcios para ampliar frotas e adquirir máquinas. A tecnologia digital aparece como próximo vetor de crescimento, agilizando a busca por cotas e os processos de liberação de crédito.

Ainda assim, Mazzotti ressalva que a tecnologia é apenas um meio. O atendimento pessoal permanece essencial para transmitir segurança ao cliente — um lembrete de que, mesmo em um setor em transformação digital, a confiança humana continua sendo o ativo mais valioso. Um desafio que o setor enfrenta é desconstruir a percepção de que apenas quem é contemplado cedo obtém vantagens. Silvano Carvalho, head comercial da Mapfre Consórcio, enfatiza que independentemente do momento da contemplação, o consórcio permanece excelente ferramenta de formação patrimonial: quem recebe o crédito mais adiante paga sem juros e conta com atualização anual da carta de crédito para preservar poder de compra.

O que começou como resposta à crise de crédito evoluiu para algo mais profundo: uma mudança estrutural em como o brasileiro constrói patrimônio. Com crescimento de dois dígitos mantido ano após ano e expansão para novos segmentos de clientes, o consórcio deixou de ser exceção para virar regra no planejamento financeiro.

O consórcio funciona como uma academia. A pessoa entra para conquistar um objetivo e acaba desenvolvendo o hábito de poupar
— Humberto Mazzotti, diretor da BR Consórcios
O consórcio acaba sendo uma ferramenta eficiente para planejamento financeiro e construção de patrimônio, com custo relativamente baixo
— Marcelo Mascaretti, diretor comercial da CNP Consórcios
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