Conselho aprova unanimemente oferta de R$ 2,52 por ação da Helbor, com desconto de 12,8% sobre média de 12 meses. Ambas empresas pertencem à família Borenstein; operação busca capturar sinergias e reduzir custos de capital aberto.
Conselho da Helbor recomenda OPA da HBR para fechar capital e sair da B3
Integração societária constitui desdobramento natural dessa relação
Por que uma incorporadora aceitaria sair da bolsa justamente quando os números pioram?
A Helbor não está sozinha nessa decisão — é a família Borenstein que controla ambas as empresas e quer simplificar a estrutura. Com a desaceleração, talvez fique mais fácil convencer os minoritários de que a integração faz sentido.
Mas espera — o conselho diz que não houve negociação entre partes independentes. Como isso não é um sinal de alerta para os acionistas minoritários?
É exatamente por isso que o conselho reconheceu a assimetria de informação como fator de risco. Mas argumenta que a oferta não é prejudicial mesmo assim.
E quanto ao preço? R$ 2,52 parece baixo comparado aos R$ 10,91 que o patrimônio líquido sugeriria.
Verdade, mas a avaliação usou critérios diferentes. Pelo fluxo de caixa descontado, seria R$ 3,95. O Bradesco BBI respaldou o preço, então não é um número tirado do ar.
O desconto de 12,8% sobre a média de 12 meses reflete a queda que a ação vinha sofrendo. A empresa está com dificuldades operacionais reais.
Então os minoritários têm até 28 de outubro para decidir. Qual é a chance de rejeitarem?
Precisam de dois terços das ações em circulação. Com o controlador já comprometido a entregar suas ações, a barra é alta para os minoritários bloquearem.
E com os números operacionais caindo 28,7% no ano, fica difícil argumentar que ficar na bolsa é melhor opção.
Der Puls
- Conselho aprova unanimemente oferta de R$ 2,52 por ação da Helbor
- Desconto de 12,8% sobre média de 12 meses anteriores
- Leilão marcado para 28 de outubro; liquidação em 9 de novembro
- Vendas caem 28,7% no acumulado de 2026 em relação a 2025
- Família Borenstein controla 50,1% da Helbor e 52,5% da HBR
Conselho aprova unanimemente oferta de R$ 2,52 por ação da Helbor, com desconto de 12,8% sobre média de 12 meses. Ambas empresas pertencem à família Borenstein; operação busca capturar sinergias e reduzir custos de capital aberto.
Conselho da Helbor recomenda aceitar OPA da HBR Realty para fechar capital e sair da bolsa. Operação envolve troca de ações entre empresas do mesmo grupo familiar.
Na terça-feira, o conselho de administração da Helbor recomendou aos acionistas que aceitem a oferta pública de aquisição lançada pela HBR Realty. A operação fecharia o capital da incorporadora e a retiraria da B3. Os dois conselheiros que integram a família Borenstein — Henrique e Henry — se abstiveram da votação. Os outros cinco conselheiros aprovaram por unanimidade o parecer favorável.
As duas empresas pertencem ao mesmo grupo familiar. A HBR Realty oferece R$ 2,52 por cada ação da Helbor. Quem aderir à oferta receberá 0,8155 ação da HBR em troca — empresa que opera com propriedades para renda, como shoppings, lajes corporativas e imóveis para locação. O preço atribui R$ 3,09 a cada papel da HBR. A consultoria Apsis, responsável pela avaliação, calculou o valor das ações por diferentes critérios: pelo patrimônio líquido contábil, a ação da Helbor valeria R$ 10,91; pelo fluxo de caixa descontado, seria R$ 3,95. A avaliadora escolheu como critério de preço justo a média das cotações na Bolsa nos 90 dias úteis anteriores ao laudo. Como a ação vinha em queda no primeiro semestre, o preço oferecido representa desconto de 12,8% sobre a média dos 12 meses anteriores, de R$ 2,89. O Bradesco BBI emitiu opinião independente respaldando o preço.
O conselho reconhece que os termos da oferta não resultaram de uma negociação prévia entre partes independentes, já que as duas empresas estão sob o mesmo controle. A assimetria de informação entre controlador e minoritários é vista como um fator de risco. Ainda assim, o conselho considera que isso não prejudica a oferta. O grupo controlador, formado pela holding Hélio Borenstein S.A. e por Henrique e Henry Borenstein, detém 50,1% da Helbor e 52,5% da HBR. Esse bloco se comprometeu a entregar todas as suas ações no leilão nas mesmas condições dos demais acionistas.
O resultado depende dos minoritários. A oferta só avança se os titulares de mais de dois terços das ações em circulação habilitadas para o leilão concordarem com o fechamento de capital. O leilão está marcado para 28 de outubro, e a liquidação, para 9 de novembro. Se a oferta for bem-sucedida, a Helbor deixa o Novo Mercado e a B3. Caso todos os acionistas façam a troca, os atuais acionistas da Helbor passarão a deter cerca de 51,2% da HBR. Desse total, aproximadamente 25,3% ficarão com os atuais minoritários.
Segundo a HBR, o objetivo da operação é capturar sinergias e cortar custos de manutenção de capital aberto. As empresas já incorporam empreendimentos em conjunto e dividem a mesma estrutura administrativa. O conselho afirma que a integração societária constitui desdobramento natural dessa relação e tende a simplificar a estrutura do grupo e a reduzir custos. A HBR também afirma não ter plano formalizado para uma fusão ou incorporação da Helbor nos próximos anos, mas deixou o caminho aberto para uma movimentação do tipo no futuro.
No mesmo dia, a Helbor divulgou prévia operacional do terceiro trimestre com números que indicam desaceleração. Os lançamentos somaram R$ 70,8 milhões em valor geral de vendas, uma queda de 87,9% em relação ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre, a empresa não havia lançado empreendimentos, enquanto no terceiro trimestre foram dois — um em São Paulo e outro em Mogi das Cruzes. As vendas brutas caíram 25,6% no trimestre, para R$ 356,5 milhões. No acumulado do ano, a queda foi de 28,7%, para R$ 1,1 bilhão. A velocidade de vendas recuou de 16,9% para 12,1%, e os repasses, que medem os financiamentos transferidos aos bancos após a entrega das chaves e geram caixa para a incorporadora, caíram 71,7%, para R$ 176 milhões. Entre março e junho, a dívida líquida da Helbor subiu de R$ 1,66 bilhão para R$ 1,77 bilhão. A receita líquida trimestral caiu de R$ 346,6 milhões para R$ 212,7 milhões.
Bemerkenswerte Zitate
A integração societária constitui desdobramento natural dessa relação e tende a simplificar a estrutura do grupo e a reduzir custos— Conselho de administração da Helbor