Compra da Avibras pelos irmãos Batista aguarda aprovação do Cade

Greve de 1.280 dias encerrada em março de 2026 com acordo de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas para cerca de 1.400 trabalhadores.
Greve de 1.280 dias encerrada com acordo de R$ 230 milhões
Trabalhadores da Avibras conquistaram pagamento de dívidas trabalhistas após mais de três anos de paralisação.
Mark

Por que a Avibras entrou em recuperação judicial justamente durante a pandemia? Parecia uma empresa sólida, fundada há 60 anos.

Mimi

A demanda por equipamentos de defesa caiu drasticamente. Não era incompetência — era o mercado fechando. Quando a economia global parou, os orçamentos militares também encolheram.

Mark

E a greve de 1.280 dias? Como os trabalhadores aguentaram tanto tempo?

Mimi

Não aguentaram bem. Perderam salários, acumularam dívidas. O acordo de R$ 230 milhões foi uma vitória, mas parcelado em até 48 meses — significa que alguns ainda estarão recebendo em 2030.

Mark

Por que os irmãos Batista querem comprar uma empresa que acabou de sair de uma crise tão profunda?

Mimi

Porque viram oportunidade. A empresa tem tecnologia, marca, clientes — e estava barata. Além disso, o governo sinalizou apoio à indústria de defesa. Lula visitou a fábrica em julho.

Mark

Isso muda algo para os trabalhadores?

Mimi

Depende. Novos donos podem significar investimento e crescimento, ou cortes de custos. Por enquanto, ninguém sabe. Tudo depende do Cade.

Mark

E se o Cade disser não?

Mimi

A Avibras volta ao limbo. Sem capital, sem dono claro, com dívidas ainda sendo pagas. Seria um retrocesso após meses de estabilidade.

  • A Avibras, fabricante de mísseis e foguetes com 60 anos de história, esteve à beira do desaparecimento após três recuperações judiciais e uma greve que durou mais de três anos.
  • Cerca de 1.400 trabalhadores sustentaram o impasse por 1.280 dias até arrancar um acordo de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas — uma das paralisações mais longas da indústria brasileira.
  • Os irmãos Batista movimentaram-se nos bastidores ainda durante a crise, com Joesley participando de uma captação de R$ 300 milhões para financiar a retomada da empresa.
  • A J&F, que já domina proteína animal, celulose, energia nuclear e fintechs, agora mira o setor de defesa com a compra da Avibras — diversificação que redefine o perfil do conglomerado.
  • O negócio está suspenso: sem a aprovação do Cade, a transação não se conclui, e a análise dos efeitos concorrenciais no mercado de equipamentos de defesa ainda está em curso.

Há mais de seis décadas, a Avibras forjou foguetes e sistemas de defesa no coração da indústria brasileira — mas a pandemia, a falência e uma greve histórica de 1.280 dias quase a apagaram. Agora, ressurgida sob novo nome, ela aguarda que o Cade decida se o conglomerado J&F, dos irmãos Batista, poderá ser seu novo dono. A operação, cujo valor permanece em sigilo, representa tanto a redenção de uma empresa quanto a expansão silenciosa de um dos grupos empresariais mais poderosos do país para o setor de defesa nacional.

Na sexta-feira, 21 de agosto, a Avibras Aeroco comunicou ao mercado que sua controladora seria vendida integralmente para a Globe Investimentos, empresa do Grupo J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O negócio, porém, depende de aprovação do Cade — sem o aval do regulador, a transação permanece em suspenso. O valor não foi divulgado.

Fundada em 1961 por engenheiros do ITA, a Avibras passou seis décadas projetando foguetes, mísseis e veículos blindados, com o sistema Astros II como carro-chefe. Mas a pandemia devastou a demanda por equipamentos de defesa, e em março de 2022 a empresa entrou em sua terceira recuperação judicial. Quatrocentos e vinte funcionários foram demitidos.

O que se seguiu foi uma das greves mais longas da indústria brasileira: 1.280 dias de paralisação, iniciada em setembro de 2022, com cerca de 1.400 trabalhadores exigindo o pagamento de dívidas trabalhistas acumuladas. O impasse só se encerrou em março de 2026, com um acordo de R$ 230 milhões parcelados em até 48 vezes. Naquele mesmo mês, a empresa retomou as operações sob o novo nome Avibras Aeroco.

A retomada ganhou peso político quando o presidente Lula visitou a fábrica em julho, sinalizando o valor estratégico da empresa para a soberania nacional. Nos bastidores, Joesley Batista já havia participado de uma captação privada de R$ 300 milhões para financiar a reestruturação — um sinal precoce do interesse do grupo.

A aquisição representa mais um passo na expansão do conglomerado J&F, que já controla a JBS, o PicPay, a Eldorado Brasil, a LHG Mining e, desde outubro de 2025, tem presença na geração nuclear via Eletronuclear. Com a Avibras, o grupo entraria no setor de defesa — se o Cade autorizar. A empresa que sobreviveu à falência e a uma greve histórica agora aguarda a decisão de um regulador para descobrir quem será seu próximo dono.

Na sexta-feira, 21 de agosto, a Avibras Aeroco anunciou ao mercado que sua controladora, a Nova AVB S.A., seria vendida integralmente para a Globe Investimentos S.A., empresa do Grupo J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O negócio, porém, não está fechado. Depende de aprovação do Cade, o órgão regulador que examina fusões e aquisições sob a ótica da concorrência. Sem o aval, a transação não se completa. O valor não foi divulgado.

A Avibras nasceu em 1961, fundada por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Durante seis décadas, a empresa projetou e fabricou sistemas de artilharia, foguetes, mísseis e veículos blindados — o sistema Astros II é seu produto mais conhecido. Mas os últimos anos foram brutais. Em março de 2022, entrou em recuperação judicial, a terceira de sua história. A pandemia de covid-19 havia reduzido a demanda por equipamentos de defesa. A ação da empresa valia R$ 394,8 milhões. Quatrocentos e vinte funcionários foram demitidos.

O que se seguiu foi uma das greves mais longas da indústria brasileira. Começou em 9 de setembro de 2022 e durou 1.280 dias — mais de três anos. Os trabalhadores reivindicavam o pagamento de dívidas trabalhistas acumuladas. O impasse só terminou em março de 2026, quando a empresa e seus credores chegaram a um acordo: R$ 230 milhões seriam pagos aos cerca de 1.400 funcionários afetados, parcelados em 12 a 48 vezes. Naquele mesmo mês, a Avibras retomou as operações sob seu novo nome, Avibras Aeroco, com Sami Hassuani como presidente.

A retomada ganhou visibilidade política. No dia 24 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica. O gesto era simbólico — uma demonstração de apoio à indústria de defesa nacional em um momento em que o governo enfatizava a soberania como tema central. Lula ressaltou a importância estratégica da Avibras para o setor.

Por trás dos bastidores, os irmãos Batista já estavam se movimentando. Segundo reportagem do jornalista Renan Setti, Joesley Batista participou de uma rodada de captação privada de R$ 300 milhões, coordenada pelo Fundo Brasil Crédito, para financiar a volta da empresa. O montante específico investido por Joesley não foi informado. Mas a participação sinalizava interesse. Meses depois, veio o anúncio da compra.

A aquisição marca a expansão do conglomerado J&F para um novo setor. O grupo já controla a JBS, a maior empresa de proteína do mundo, e o banco digital PicPay. Também possui a Eldorado Brasil, produtora de celulose, a mineradora LHG Mining e a Flora, fabricante de higiene e beleza. Recentemente, avançou em petróleo e energia: comprou a A&B Oil and Gas, que detém 49% da Petrolera Roraima na Venezuela, e em outubro de 2025 a Âmbar, controlada pela J&F, adquiriu a participação da Eletrobras na Eletronuclear, marcando a entrada do grupo na geração nuclear.

Agora, com a Avibras, a J&F entra no segmento de defesa. A operação depende inteiramente do Cade. O conselho analisará os efeitos concorrenciais da transação — se a concentração de controle prejudicaria a concorrência no mercado de equipamentos de defesa. Até que isso aconteça, o negócio fica em suspenso. A empresa que quase desapareceu durante a pandemia, que enfrentou uma greve de mais de mil dias, que precisou de um acordo de R$ 230 milhões para sobreviver, agora aguarda a decisão de um órgão regulador para saber quem será seu dono.

A Avibras projeta e fabrica sistemas de artilharia e defesa, foguetes, mísseis e veículos blindados, sendo conhecida pelo sistema Astros II
— Poder360
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