Há mais de seis décadas, a Avibras forjou foguetes e sistemas de defesa no coração da indústria brasileira — mas a pandemia, a falência e uma greve histórica de 1.280 dias quase a apagaram. Agora, ressurgida sob novo nome, ela aguarda que o Cade decida se o conglomerado J&F, dos irmãos Batista, poderá ser seu novo dono. A operação, cujo valor permanece em sigilo, representa tanto a redenção de uma empresa quanto a expansão silenciosa de um dos grupos empresariais mais poderosos do país para o setor de defesa nacional.
Compra da Avibras pelos irmãos Batista aguarda aprovação do Cade
Greve de 1.280 dias encerrada com acordo de R$ 230 milhões
Por que a Avibras entrou em recuperação judicial justamente durante a pandemia? Parecia uma empresa sólida, fundada há 60 anos.
A demanda por equipamentos de defesa caiu drasticamente. Não era incompetência — era o mercado fechando. Quando a economia global parou, os orçamentos militares também encolheram.
E a greve de 1.280 dias? Como os trabalhadores aguentaram tanto tempo?
Não aguentaram bem. Perderam salários, acumularam dívidas. O acordo de R$ 230 milhões foi uma vitória, mas parcelado em até 48 meses — significa que alguns ainda estarão recebendo em 2030.
Por que os irmãos Batista querem comprar uma empresa que acabou de sair de uma crise tão profunda?
Porque viram oportunidade. A empresa tem tecnologia, marca, clientes — e estava barata. Além disso, o governo sinalizou apoio à indústria de defesa. Lula visitou a fábrica em julho.
Isso muda algo para os trabalhadores?
Depende. Novos donos podem significar investimento e crescimento, ou cortes de custos. Por enquanto, ninguém sabe. Tudo depende do Cade.
E se o Cade disser não?
A Avibras volta ao limbo. Sem capital, sem dono claro, com dívidas ainda sendo pagas. Seria um retrocesso após meses de estabilidade.
Der Puls
- A Avibras, fabricante de mísseis e foguetes com 60 anos de história, esteve à beira do desaparecimento após três recuperações judiciais e uma greve que durou mais de três anos.
- Cerca de 1.400 trabalhadores sustentaram o impasse por 1.280 dias até arrancar um acordo de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas — uma das paralisações mais longas da indústria brasileira.
- Os irmãos Batista movimentaram-se nos bastidores ainda durante a crise, com Joesley participando de uma captação de R$ 300 milhões para financiar a retomada da empresa.
- A J&F, que já domina proteína animal, celulose, energia nuclear e fintechs, agora mira o setor de defesa com a compra da Avibras — diversificação que redefine o perfil do conglomerado.
- O negócio está suspenso: sem a aprovação do Cade, a transação não se conclui, e a análise dos efeitos concorrenciais no mercado de equipamentos de defesa ainda está em curso.
Há mais de seis décadas, a Avibras forjou foguetes e sistemas de defesa no coração da indústria brasileira — mas a pandemia, a falência e uma greve histórica de 1.280 dias quase a apagaram. Agora, ressurgida sob novo nome, ela aguarda que o Cade decida se o conglomerado J&F, dos irmãos Batista, poderá ser seu novo dono. A operação, cujo valor permanece em sigilo, representa tanto a redenção de uma empresa quanto a expansão silenciosa de um dos grupos empresariais mais poderosos do país para o setor de defesa nacional.
Na sexta-feira, 21 de agosto, a Avibras Aeroco comunicou ao mercado que sua controladora seria vendida integralmente para a Globe Investimentos, empresa do Grupo J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O negócio, porém, depende de aprovação do Cade — sem o aval do regulador, a transação permanece em suspenso. O valor não foi divulgado.
Fundada em 1961 por engenheiros do ITA, a Avibras passou seis décadas projetando foguetes, mísseis e veículos blindados, com o sistema Astros II como carro-chefe. Mas a pandemia devastou a demanda por equipamentos de defesa, e em março de 2022 a empresa entrou em sua terceira recuperação judicial. Quatrocentos e vinte funcionários foram demitidos.
O que se seguiu foi uma das greves mais longas da indústria brasileira: 1.280 dias de paralisação, iniciada em setembro de 2022, com cerca de 1.400 trabalhadores exigindo o pagamento de dívidas trabalhistas acumuladas. O impasse só se encerrou em março de 2026, com um acordo de R$ 230 milhões parcelados em até 48 vezes. Naquele mesmo mês, a empresa retomou as operações sob o novo nome Avibras Aeroco.
A retomada ganhou peso político quando o presidente Lula visitou a fábrica em julho, sinalizando o valor estratégico da empresa para a soberania nacional. Nos bastidores, Joesley Batista já havia participado de uma captação privada de R$ 300 milhões para financiar a reestruturação — um sinal precoce do interesse do grupo.
A aquisição representa mais um passo na expansão do conglomerado J&F, que já controla a JBS, o PicPay, a Eldorado Brasil, a LHG Mining e, desde outubro de 2025, tem presença na geração nuclear via Eletronuclear. Com a Avibras, o grupo entraria no setor de defesa — se o Cade autorizar. A empresa que sobreviveu à falência e a uma greve histórica agora aguarda a decisão de um regulador para descobrir quem será seu próximo dono.
Na sexta-feira, 21 de agosto, a Avibras Aeroco anunciou ao mercado que sua controladora, a Nova AVB S.A., seria vendida integralmente para a Globe Investimentos S.A., empresa do Grupo J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O negócio, porém, não está fechado. Depende de aprovação do Cade, o órgão regulador que examina fusões e aquisições sob a ótica da concorrência. Sem o aval, a transação não se completa. O valor não foi divulgado.
A Avibras nasceu em 1961, fundada por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Durante seis décadas, a empresa projetou e fabricou sistemas de artilharia, foguetes, mísseis e veículos blindados — o sistema Astros II é seu produto mais conhecido. Mas os últimos anos foram brutais. Em março de 2022, entrou em recuperação judicial, a terceira de sua história. A pandemia de covid-19 havia reduzido a demanda por equipamentos de defesa. A ação da empresa valia R$ 394,8 milhões. Quatrocentos e vinte funcionários foram demitidos.
O que se seguiu foi uma das greves mais longas da indústria brasileira. Começou em 9 de setembro de 2022 e durou 1.280 dias — mais de três anos. Os trabalhadores reivindicavam o pagamento de dívidas trabalhistas acumuladas. O impasse só terminou em março de 2026, quando a empresa e seus credores chegaram a um acordo: R$ 230 milhões seriam pagos aos cerca de 1.400 funcionários afetados, parcelados em 12 a 48 vezes. Naquele mesmo mês, a Avibras retomou as operações sob seu novo nome, Avibras Aeroco, com Sami Hassuani como presidente.
A retomada ganhou visibilidade política. No dia 24 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica. O gesto era simbólico — uma demonstração de apoio à indústria de defesa nacional em um momento em que o governo enfatizava a soberania como tema central. Lula ressaltou a importância estratégica da Avibras para o setor.
Por trás dos bastidores, os irmãos Batista já estavam se movimentando. Segundo reportagem do jornalista Renan Setti, Joesley Batista participou de uma rodada de captação privada de R$ 300 milhões, coordenada pelo Fundo Brasil Crédito, para financiar a volta da empresa. O montante específico investido por Joesley não foi informado. Mas a participação sinalizava interesse. Meses depois, veio o anúncio da compra.
A aquisição marca a expansão do conglomerado J&F para um novo setor. O grupo já controla a JBS, a maior empresa de proteína do mundo, e o banco digital PicPay. Também possui a Eldorado Brasil, produtora de celulose, a mineradora LHG Mining e a Flora, fabricante de higiene e beleza. Recentemente, avançou em petróleo e energia: comprou a A&B Oil and Gas, que detém 49% da Petrolera Roraima na Venezuela, e em outubro de 2025 a Âmbar, controlada pela J&F, adquiriu a participação da Eletrobras na Eletronuclear, marcando a entrada do grupo na geração nuclear.
Agora, com a Avibras, a J&F entra no segmento de defesa. A operação depende inteiramente do Cade. O conselho analisará os efeitos concorrenciais da transação — se a concentração de controle prejudicaria a concorrência no mercado de equipamentos de defesa. Até que isso aconteça, o negócio fica em suspenso. A empresa que quase desapareceu durante a pandemia, que enfrentou uma greve de mais de mil dias, que precisou de um acordo de R$ 230 milhões para sobreviver, agora aguarda a decisão de um órgão regulador para saber quem será seu dono.
Bemerkenswerte Zitate
A Avibras projeta e fabrica sistemas de artilharia e defesa, foguetes, mísseis e veículos blindados, sendo conhecida pelo sistema Astros II— Poder360