Como aumentar o movimento no dia a dia sem precisar treinar

Quatro minutos por dia de explosões breves podem compensar o sedentarismo
Estudo de 2024 com mais de 22 mil britânicos sedentários acompanhou os participantes por oito anos.
Mark

Então não é preciso treinar para ter algum benefício?

Mimi

Os pesquisadores dizem que pequenos movimentos ao longo do dia já ajudam. Um estudo de 2024 apontou que quatro minutos diários de explosões curtas de atividade podem compensar parte do risco cardiovascular do sedentarismo.

Luke

Vale notar quem foi analisado: mais de 22 mil britânicos que não faziam exercício regular, acompanhados por oito anos. Isso não prova que vale para todo mundo.

Mark

E balançar a perna? Parece pouco.

Mimi

Um estudo pequeno encontrou gasto cerca de 16% maior do que ficar parado sentado. Narayanan também fala de possíveis ganhos na função dos vasos e no açúcar no sangue.

Luke

Repare em duas coisas: o estudo é descrito como pequeno, e os efeitos nos vasos e na glicose vêm de pesquisas que, nas palavras dele, apenas sugerem. Não é certeza.

Mark

Qual é a ideia por trás do hábito de carona, de Daley?

Mimi

Somar movimento ao que já se faz: panturrilha ao escovar os dentes, caminhar durante uma ligação. Na casa dela, as encomendas vão para um armário próximo.

Luke

Esse armário é um costume pessoal, não um resultado de pesquisa. Já as mesas em pé para médicos foram testadas: cerca de duas horas a menos sentados por dia.

Mark

E sobre morte prematura?

Mimi

Pesquisas posteriores ligaram a atividade incidental a menor risco. Ligaram, não necessariamente causaram.

Luke

Exato. O texto não detalha esses estudos posteriores, então não dá para avaliar a força dessa associação.

  • O sedentarismo se instala sem alarde: manhãs na mesa, deslocamentos sentados e noites no sofá somam horas que o corpo raramente percebe como perda.
  • Estudos com mais de 22 mil britânicos acompanhados por oito anos indicam que apenas quatro minutos diários de explosões curtas de atividade podem compensar parte do risco cardiovascular.
  • Mexer as pernas sentado, que gasta cerca de 16% mais energia do que ficar imóvel, surge como alternativa concreta quando caminhar não é possível, como em voos ou no trabalho.
  • Pesquisadores propõem pegar carona em hábitos existentes, como elevar a panturrilha ao escovar os dentes ou caminhar durante uma chamada, e a adoção de mesas em pé já reduziu em cerca de duas horas o tempo sentado de médicos.
  • A tendência aponta para pequenas trocas repetidas ao longo do dia, que tendem a ser mais fáceis de manter do que treinos intensos e formais.

Há uma forma discreta de cuidar do corpo que não depende de academia, de horário marcado nem de disposição heroica: é a movimentação que se costura ao próprio dia, como mexer as pernas enquanto se trabalha sentado, lavar a louça com atenção ou subir uma escada sem pressa. Em um tempo em que boa parte da vida acontece em cadeiras, pesquisadores de universidades da Nova Zelândia, da Austrália e do Reino Unido vêm mostrando que esses gestos pequenos somam, e que até breves explosões de atividade podem atenuar os riscos do sedentarismo. A notícia, portanto, não é um convite a mais um compromisso na agenda, mas um lembrete de que a saúde se constrói também nos intervalos.

É fácil chegar ao jantar sem ter se movimentado de verdade. A manhã passa diante do computador, o trajeto acontece sentado, e a noite termina no sofá. Estudos em vários países associam esse estilo de vida a riscos maiores de problemas graves de saúde, e qualquer coisa que reduza o tempo sentado ajuda. O desafio, para muita gente, é encontrar tempo para isso.

É aí que entra o exercício incidental, a movimentação feita fora dos treinos planejados. O pesquisador Anantha Narayanan, da Universidade de Tecnologia de Auckland, explica que ele envolve a energia gasta em tarefas do cotidiano, como balançar a perna sentado, lavar a louça, girar os ombros ou flexionar os pés. Um estudo pequeno mostrou que balançar as pernas gasta cerca de 16% mais energia do que ficar parado, e pesquisas anteriores sugerem benefícios para os vasos sanguíneos e para o controle do açúcar no sangue.

Um estudo de 2024, com mais de 22 mil britânicos que não praticavam exercício regular, acompanhados por oito anos, trouxe um dado animador: quatro minutos diários de explosões breves de atividade ajudaram a compensar o risco cardiovascular do sedentarismo. Nicholas Koemel, da Universidade Monash, na Austrália, sugere subir escadas, carregar sacolas, brincar com crianças, andar mais rápido ou estacionar mais longe. Para ele, quanto mais esses gestos se acumulam, mais significativos se tornam.

Amanda Daley, da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, propõe pegar carona nos hábitos que já existem: fazer elevação de panturrilha enquanto se escova os dentes ou caminhar durante uma chamada. Em casa, ela adotou uma regra simples, deixar as entregas online em um armário próximo, para que quem quer o pacote precise levantar e buscá-lo. No trabalho, mesas em pé fornecidas a médicos reduziram cerca de duas horas diárias sentados, e os profissionais passaram a conversar mais com pacientes sobre sentar menos. O caminho, segundo os pesquisadores, são pequenas trocas repetidas ao longo do dia.

É fácil chegar ao jantar sem ter se movimentado de verdade. A manhã passa na mesa de trabalho, o deslocamento acontece no carro ou no transporte público, e a noite termina no sofá. Estudos feitos em vários países associam esse estilo de vida sedentário a um risco maior de problemas graves de saúde, e qualquer coisa que reduza o tempo sentado ajuda. O difícil, para muita gente, é achar tempo para isso.

É nesse ponto que entra o chamado exercício incidental, a movimentação que fazemos fora das horas de treino planejado. O conceito tem uma sigla em inglês, NEAT, de non-exercise activity thermogenesis. Segundo Anantha Narayanan, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia, ele se refere à energia gasta em atividades do cotidiano que não envolvem dormir, comer nem se exercitar de propósito. Balançar a perna sentado ou lavar a louça entra na conta. Mudar de postura, girar os ombros e flexionar os pés também, diz Narayanan.

A inquietação das pernas é um bom exemplo. Durante longos períodos sentados, os músculos das pernas ficam relativamente parados, o que reduz as contrações que ajudam a retirar glicose da corrente sanguínea e a manter a circulação saudável. Um estudo recente indicou que mexer-se aumenta a atividade muscular e faz queimar mais calorias do que ficar imóvel. Um estudo pequeno concluiu que balançar as pernas gasta cerca de 16% mais energia do que permanecer sentado parado. Narayanan lembra que pesquisas anteriores sugerem benefícios para a função dos vasos sanguíneos e para o controle do açúcar no sangue, e que fazer o movimento em pé pode ampliar esses efeitos. Caminhar pode ser melhor, mas nem sempre é possível: num voo ou na mesa de trabalho, mexer as pernas é uma alternativa.

O movimento incidental dispensa academia e horário reservado. Cozinhar, cuidar do jardim e passar aspirador de pó contam. Um amplo estudo de 2024 analisou dados de mais de 22 mil participantes do Reino Unido que usavam um aparelho de rastreamento da atividade ao longo do dia. A amostra incluía apenas pessoas que não praticavam exercício regular, e elas foram acompanhadas por oito anos. Os pesquisadores concluíram que apenas quatro minutos por dia de explosões breves de atividade, com menos de um minuto cada, podem ajudar a compensar o risco cardiovascular ligado ao sedentarismo. Níveis mais altos de atividade incidental também compensaram os riscos de ficar sentado mais de 11 horas por dia. Pesquisas posteriores ligaram esse tipo de atividade a menor risco de morte prematura.

Nicholas Koemel, pesquisador sênior da Universidade Monash, na Austrália, que liderou o trabalho, cita como exemplos subir escadas, carregar sacolas pesadas de compras e brincar com crianças. Prestar atenção a essas oportunidades permite aumentar a intensidade: andar mais rápido que o habitual, estacionar mais longe do mercado, usar cesta em vez de carrinho. Para Koemel, quanto mais atividades casuais alguém acumula, mais significativas elas se tornam com o tempo, o que pode motivar.

Outra estratégia é pegar carona em hábitos que já existem, diz Amanda Daley, professora de medicina comportamental da Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Dá para fazer elevação de panturrilha enquanto se escovam os dentes, elevação de perna sob a mesa ou caminhar durante uma chamada em vez de ficar sentado. Na casa de Daley, vale uma regra: compras online são entregues em um armário próximo, não na porta. Quem quer o pacote tem de ir buscá-lo, e isso também ajuda a tirar adolescentes do quarto.

No trabalho, Daley e colegas forneceram mesas em pé a médicos, o que reduziu em cerca de duas horas por dia o tempo sentado. A equipe notou ainda que os médicos passaram a conversar mais com pacientes sobre os benefícios de sentar menos. Segundo Daley, a atividade incidental é eficiente justamente por não exigir muito tempo, e abordagens menos intimidantes são mais fáceis de manter. O caminho apontado pelos pesquisadores é de pequenas trocas, repetidas ao longo do dia.

Movimentos menores, como mudar de postura, girar os ombros ou flexionar os pés, também contam.
— Anantha Narayanan, Universidade de Tecnologia de Auckland
É importante encontrar abordagens que sejam menos intimidantes e mais fáceis de realizar.
— Amanda Daley, Universidade de Loughborough
Contattaci Domande frequenti