Coming Soon lança campanha contra preconceito LGBTQI+ em tratamento oncológico

Pacientes LGBTQI+ abandonam tratamento oncológico por medo de discriminação médica, comprometendo sua saúde e sobrevivência.
A inclusão salva vidas na luta contra o cancro
Mensagem final da campanha "Ausências" que resume o propósito de combater preconceito médico contra pacientes LGBTQI+.

Em hospitais onde as camas permanecem vazias e os consultórios aguardam em silêncio, a AICSO revela uma ferida invisível no sistema oncológico português: pacientes LGBTQI+ que, por medo de discriminação médica, abandonam o tratamento que poderia salvar-lhes a vida. A campanha 'Ausências', lançada em agosto de 2025, transforma esse vazio em argumento clínico — lembrando-nos de que a inclusão não é apenas um valor moral, mas uma condição de sobrevivência.

  • Pacientes LGBTQI+ com cancro faltam às consultas não por descuido, mas por medo real de serem julgados ou maltratados pela comunidade médica.
  • O abandono terapêutico motivado por preconceito transforma um problema de discriminação num problema de saúde pública com consequências fatais.
  • A campanha 'Ausências' usa imagens de espaços hospitalares desertos para tornar visível aquilo que normalmente permanece oculto: a presença de quem não está.
  • A AICSO uniu-se à agência Coming Soon, à ILGA Portugal, à Rede Ex-Aequo e à MASCC para dar escala internacional a uma resposta que exige coordenação entre saúde, criatividade e direitos humanos.
  • A mensagem final — 'na luta contra o cancro, a inclusão salva vidas' — reposiciona a inclusão como imperativo clínico, não como gesto simbólico.

A Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO) lançou uma campanha digital que começa pelo silêncio: hospitais vazios, camas desocupadas, consultórios à espera de pacientes que nunca chegam. Esse vazio não é acidental — é o retrato de uma realidade que a campanha quer tornar impossível de ignorar.

Os pacientes LGBTQI+ com cancro evitam as suas consultas por medo de discriminação médica. Não é uma perceção abstrata: é o receio concreto de perguntas intrusivas, de olhares de julgamento, de serem tratados de forma diferente no momento em que mais precisam de cuidado. E quando esse medo vence, o doente afasta-se — e muitas vezes abandona o tratamento por completo.

Intitulada 'Ausências' e criada pela agência Coming Soon, a campanha foi produzida pela Show Off Films com sound design da Mute. Marcelo Lourenço, co-diretor criativo da Coming Soon, descreve o abandono terapêutico motivado pelo preconceito como uma tragédia que afeta não apenas o doente, mas todos os que participam no seu cuidado.

A iniciativa conta com o apoio da ILGA Portugal, da Rede Ex-Aequo e da MASCC, sinalizando que o problema é reconhecido internacionalmente e que a resposta exige articulação entre profissionais de saúde, organizações LGBTQI+ e o mundo criativo. A frase que encerra o vídeo resume o argumento central: 'Porque na luta contra o cancro, a inclusão salva vidas.' Não como apelo sentimental, mas como premissa clínica — uma vida salva ou perdida pode depender de um paciente se sentir seguro o suficiente para aparecer à sua consulta.

Uma campanha digital lançada pela Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO) coloca o espectador dentro de hospitais, salas de tratamento e consultórios médicos — todos vazios. As camas estão desocupadas. Os consultórios aguardam pacientes que nunca chegam. A ausência é o ponto.

Esses espaços vazios representam uma realidade que a campanha quer tornar visível: pacientes LGBTQI+ com cancro não comparecem às suas consultas. Não porque não precisem de tratamento. Porque têm medo. Medo de serem tratados com preconceito pela comunidade médica, de enfrentar perguntas intrusivas sobre as suas escolhas pessoais, de serem vistos como diferentes no momento em que mais precisam de cuidado.

A criatividade é da Coming Soon, agência que trabalhou com a AICSO para dar forma a essa ideia. O vídeo termina com uma frase que resume o propósito: "Porque na luta contra o cancro, a inclusão salva vidas". Não é um apelo genérico. É um argumento clínico. Quando um paciente sente que está a ser tratado de forma diferente, quando as perguntas desconfortáveis o fazem sentir-se julgado, ele afasta-se. E muitas vezes desiste do tratamento completamente. Marcelo Lourenço, co-diretor criativo da Coming Soon e um dos autores da campanha, descreve isso como uma tragédia — não apenas para o doente, mas para todos os envolvidos no seu cuidado.

A campanha, intitulada "Ausências", foi produzida pela Show Off Films com sound design da Mute. Mas o seu alcance vai além da agência criativa. Conta com o apoio de organizações que trabalham diretamente com a comunidade LGBTQI+: a ILGA Portugal (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo), a Rede Ex-Aequo (Associação de Jovens LGBTI+ e Aliados) e a MASCC (Multinational Association of Supportive Care in Cancer). Essa rede de apoio sugere que o problema é reconhecido internacionalmente e que a solução exige coordenação entre criadores, profissionais de saúde e defensores dos direitos LGBTQI+.

O que torna esta campanha diferente de muitos apelos à inclusão é que ela não foca no sofrimento ou na injustiça abstrata. Foca no resultado concreto: pacientes que não recebem tratamento oncológico porque têm medo de discriminação. Isso não é um problema de representação ou de sentimentos feridos. É um problema de saúde pública. É sobre vidas que podem ser salvas ou perdidas dependendo de se um paciente se sente seguro o suficiente para aparecer à sua consulta.

Quando um paciente sente que está a ser tratado de forma diferente, com perguntas intrusivas e desconfortáveis sobre as suas escolhas pessoais, isso afasta o doente e, por vezes, faz com que ele desista do tratamento. O que é uma tragédia para todos.
— Marcelo Lourenço, co-diretor criativo da Coming Soon
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que é que os pacientes LGBTQI+ faltam às consultas? É apenas medo, ou há algo mais profundo?

Model

O medo é real, mas não é abstrato. É medo de perguntas intrusivas, de ser tratado como diferente no momento em que se é mais vulnerável. Quando um médico faz perguntas sobre as suas escolhas pessoais de forma desconfortável, o paciente sente-se julgado. E isso afasta-o.

Inventor

E se o paciente simplesmente ignorar o preconceito e continuar o tratamento?

Model

Nem sempre é possível. Quando alguém está a lutar contra o cancro, a energia mental é limitada. Se tem de gastar essa energia a defender-se ou a lidar com discriminação, muitas vezes desiste. É uma tragédia porque o tratamento é interrompido.

Inventor

A campanha mostra hospitais vazios. Isso é literalmente verdade ou é uma metáfora?

Model

É uma representação visual de uma realidade. Os pacientes que deveriam estar lá não estão. Não porque os hospitais estejam fechados, mas porque os doentes faltam às consultas por medo.

Inventor

Quem está a ouvir esta mensagem? Os médicos?

Model

Sim, mas também a sociedade em geral. A campanha é digital, portanto alcança muita gente. O objetivo é criar consciência de que a inclusão não é um extra — é essencial para que o tratamento funcione.

Inventor

E depois da campanha? O que muda?

Model

Isso depende de se a mensagem é ouvida e de se os profissionais de saúde a levam a sério. A campanha abre a porta. O que acontece depois é responsabilidade de quem trabalha nos hospitais.

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