Colômbia registra 13 mortes em dois massacres no fim de semana

Pelo menos 13 pessoas foram mortas em dois massacres distintos, incluindo cinco cafeicultores e oito trabalhadores, além de cinco feridos em ataques a estabelecimentos civis.
Quem controla Cauca controla uma das principais rotas de cocaína do continente
A região é disputada por múltiplos grupos armados pela sua localização estratégica no Pacífico colombiano.
Mark

Por que esses dois massacres aconteceram exatamente no mesmo fim de semana, em regiões diferentes?

Mimi

Não é coincidência. Antioquia e Cauca são os dois principais campos de batalha entre grupos armados que disputam o narcotráfico e a mineração ilegal. Quando há uma onda de violência, ela tende a explodir em vários lugares ao mesmo tempo porque os grupos estão em conflito permanente.

Mark

Mas qual é a diferença entre o massacre em Betania e o em Argelia? Parecem ter motivações diferentes.

Mimi

Em Betania, parece ter sido um ataque direcionado — procuravam três pessoas específicas. Em Argelia, foi mais aleatório, um homem entrando em estabelecimentos e atirando. Mas ambos estão ligados à mesma guerra pelo controle territorial e pelas rotas de droga.

Mark

O prefeito mencionou "praças de vício". O que isso significa exatamente?

Mimi

São zonas urbanas onde o tráfico de drogas opera abertamente. Quem controla a praça controla a venda de drogas naquela área e fica com a receita. É por isso que grupos armados matam por isso — é dinheiro.

Mark

E por que Cauca é tão importante para o narcotráfico?

Mimi

Porque fica no Pacífico. As drogas saem de lá direto para a América Central e os Estados Unidos. Quem controla Cauca controla uma das principais rotas de exportação de cocaína do continente.

Mark

Desde quando isso está acontecendo?

Mimi

Desde 2016, quando as FARC assinaram o acordo de paz. Mas nem todos aceitaram — os dissidentes continuaram, e outros grupos como o ELN e paramilitares preencheram o vácuo. Este ano é um dos piores desde então.

Mark

Então o acordo de paz não resolveu o problema?

Mimi

Resolveu parte dele. Mas criou um vácuo de poder que outros grupos armados e narcotraficantes correram para preencher. A violência mudou de forma, mas não desapareceu.

  • Homens fortemente armados invadiram uma fazenda em Betania na madrugada e executaram oito trabalhadores dentro de um único quarto, buscando alvos específicos em meio ao sono.
  • Horas depois, em Argelia, um atirador percorreu três estabelecimentos civis — um salão de bilhar, um bar e uma discoteca — deixando cinco mortos e dois feridos em sequência.
  • Por trás dos dois ataques, grupos armados — ELN, dissidentes das FARC, paramilitares e narcotraficantes — disputam o controle do tráfico de drogas, da mineração ilegal e de uma rota estratégica que conecta o Pacífico colombiano à América Central e aos Estados Unidos.
  • A prefeitura de Argelia alertou para a 'possível sistematicidade' dos crimes, reconhecendo um padrão que se repete contra casas noturnas e civis nas ruas da região.
  • O país acumula 76 massacres em 2020, a pior sequência desde o acordo de paz com as FARC, e Antioquia e Cauca sozinhas respondem por quase 40% desses casos — sem sinais de reversão.

Em um único fim de semana, a Colômbia perdeu treze vidas em dois massacres separados — um em Antioquia, outro em Cauca — como se a violência armada precisasse lembrar ao país que o acordo de paz de 2016 não encerrou a guerra, apenas redistribuiu seus atores. Cafeicultores, trabalhadores e frequentadores de bares tornaram-se, mais uma vez, o preço pago por disputas invisíveis entre guerrilheiros, dissidentes, paramilitares e narcotraficantes que travam batalhas silenciosas por rotas, territórios e receitas ilícitas. A Colômbia acumula 76 massacres neste ano, e quase 40% deles se concentram exatamente nessas duas regiões, como se o mapa da dor tivesse endereço fixo.

Na madrugada de 22 de novembro, enquanto trabalhadores dormiam em uma fazenda no município de Betania, em Antioquia, cerca de dez homens armados invadiram o local e abriram fogo dentro de um dos quartos. Oito pessoas morreram — cinco catadores e três outros trabalhadores — e três ficaram feridas. O prefeito Carlos Villada revelou que os atacantes procuravam alvos específicos e sugeriu que o crime pode estar ligado à disputa pelo controle das chamadas 'praças de vício', zonas de tráfico que movem a economia ilícita da região.

Na mesma noite, a centenas de quilômetros dali, em Argelia, no departamento de Cauca, um homem entrou atirando em três estabelecimentos civis consecutivos — um salão de bilhar, um bar e uma discoteca. Cinco pessoas foram mortas e duas ficaram feridas. A prefeitura local expressou preocupação com a 'possível sistematicidade' dos ataques, comparando-os a episódios recentes contra casas noturnas e transeuntes na região.

Os dois massacres não são eventos isolados. Desde o acordo de paz firmado com as FARC em 2016, guerrilheiros do ELN, dissidentes que rejeitaram o acordo, paramilitares e narcotraficantes travam uma guerra aberta pelo controle do tráfico de drogas, da mineração ilegal e de rotas estratégicas que partem do Pacífico colombiano em direção à América Central e aos Estados Unidos. Cauca é um dos epicentros dessa disputa.

O observatório Indepaz registrou 76 massacres no país até aquele momento em 2020 — a pior sequência desde o fim do conflito com as FARC. Antioquia e Cauca concentram 30 desses casos, quase 40% do total nacional. Os treze mortos daquele fim de semana representam apenas os nomes mais recentes de uma lista que o país ainda não conseguiu fechar.

No fim de semana de 22 de novembro, a Colômbia registrou dois massacres separados que deixaram pelo menos 13 mortos em regiões distintas do país. Os crimes ocorreram quase simultaneamente — um na noite de sábado para domingo em Antioquia, no noroeste, e outro na mesma madrugada em Cauca, no sudoeste — em duas das áreas mais assoladas pela violência armada colombiana neste ano.

Em Betania, município de Antioquia, homens fortemente armados invadiram a fazenda La Gabriela por volta da noite. Segundo o prefeito Carlos Villada, cerca de dez homens entraram em um dos quartos da propriedade e dispararam indiscriminadamente contra quem estava lá dentro. O saldo foi de oito mortos — cinco catadores e três outros trabalhadores — além de três feridos. Os atacantes, conforme relato do prefeito, procuravam especificamente três pessoas que dormiam naquele cômodo desde o dia anterior. Villada sugeriu que o ataque pode estar ligado a disputas pelo controle das chamadas "praças de vício", as zonas de tráfico de drogas que movem a economia ilícita da região cafeteira.

Horas depois, em Argelia, também em Cauca, um homem entrou atirando em três estabelecimentos civis na mesma noite: um salão de bilhar, um bar e uma discoteca. Cinco pessoas foram mortas e duas ficaram feridas nesses ataques. A prefeitura local emitiu uma nota expressando preocupação com a "possível sistematicidade" dos fatos, comparando-os a outros ataques de pistoleiros que vinham ocorrendo recentemente na área contra casas noturnas e pessoas nas ruas.

Esses dois massacres refletem uma realidade mais ampla que assola a Colômbia desde o acordo de paz assinado com as FARC em 2016. Guerrilheiros do ELN, dissidentes das FARC que não aceitaram o acordo, paramilitares e narcotraficantes estão em guerra aberta pelo controle das receitas do narcotráfico e da mineração ilegal. Em Cauca especificamente, esses grupos também disputam uma rota crucial de tráfico que sai do Pacífico colombiano e segue para a América Central e os Estados Unidos — uma das principais artérias do comércio de drogas do continente.

Os números revelam a escala da crise. Este ano, a Colômbia vive uma das piores sequências de massacres desde o fim do conflito com as FARC. O observatório independente Indepaz registrou 76 massacres — definidos como assassinatos de pelo menos três pessoas no mesmo evento — em todo o país até esse momento. Antioquia e Cauca sozinhas concentram 30 desses 76 casos, ou seja, quase 40% de toda a violência desse tipo no país está concentrada nessas duas regiões. Os dois massacres de 22 de novembro representam apenas os episódios mais recentes de uma tendência que não dá sinais de arrefecimento.

Cerca de dez homens fortemente armados entraram em um dos quartos da fazenda e atiraram indiscriminadamente contra as pessoas que ali estavam
— Carlos Villada, prefeito de Betania
A prefeitura expressou preocupação com a possível sistematicidade dos fatos, semelhantes aos ataques de pistoleiros ocorridos recentemente na área
— Prefeitura de Argelia
Quer a matéria completa? Leia o original em O Tempo ↗
Fale Conosco FAQ