Na encruzilhada entre soberania e segurança, a Colômbia do presidente De la Espriella aderiu formalmente à Coalizão das Américas contra Cartéis, autorizando operações militares conjuntas com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico. O anúncio, feito pelo secretário de Defesa Pete Hegseth na Cidade do Panamá, marca uma inflexão histórica na política hemisférica americana — uma reinterpretação da Doutrina Monroe para o século XXI, com bilhões em assistência militar e mais de duzentas mortes já registradas em ataques contra embarcações suspeitas. A América Latina, varrida por uma onda conserv
Colômbia autoriza operações militares conjuntas com EUA contra narcotráfico
Nunca haverá paz sustentável se esse inimigo avançar
Por que a Colômbia decidiu autorizar operações militares conjuntas agora, especificamente com esse novo presidente?
De la Espriella chegou ao poder prometendo uma abordagem muito mais dura contra o narcotráfico do que seu antecessor. A administração Trump viu nele um parceiro alinhado e respondeu com um bilhão de dólares em assistência de segurança. É um sinal claro de que cooperação militar significa acesso a recursos.
Mas há críticas sérias sobre crimes de guerra. Como isso é justificado?
Hegseth equipara os traficantes de drogas a terroristas do Estado Islâmico. Se você aceita essa premissa, então operações militares contra eles parecem legítimas. O problema é que mais de 200 pessoas morreram em ataques contra embarcações suspeitas. Suspeita não é condenação.
E quanto à soberania? Operações militares conjuntas significam que americanos estão operando em território colombiano.
Mulino, o presidente do Panamá, argumentou que os verdadeiros inimigos da soberania são os cartéis, não a cooperação militar. Mas é uma questão antiga na América Latina: quando você convida potências estrangeiras para operações militares, onde termina a cooperação e começa a intervenção?
Isso parece fazer parte de algo maior — uma reconfiguração geopolítica da região.
Exatamente. O controle do Canal do Panamá, a guinada à direita em vários países, a influência chinesa sendo contestada. O narcotráfico é real e devastador, mas também é um pretexto conveniente para que os EUA reafirmem sua primazia hemisférica.
A Doutrina Donroe — é apenas um rebrand da Doutrina Monroe?
Essencialmente, sim. A Monroe original dizia que as Américas eram zona de influência americana. Críticos associam isso a décadas de intervenção. Hegseth está dizendo que essa lógica continua válida, apenas com um novo nome e um novo inimigo: o narcotráfico em vez do comunismo.
The Pulse
- Os EUA expandiram sua campanha militar antidrogas para além das fronteiras do Panamá, com ataques a embarcações suspeitas que já custaram mais de 200 vidas desde setembro passado.
- A Colômbia, sob nova liderança de direita, autorizou operações conjuntas que vão além da cooperação simbólica — incluem destruição ativa de redes criminosas em território e águas da região.
- Críticos internacionais denunciam possíveis crimes de guerra e pressionam o Tribunal Penal Internacional, enquanto Hegseth responde instando aliados a abandonarem a organização.
- Washington promete um bilhão de dólares em assistência de segurança a Bogotá e reposiciona o controle dos portos do Canal do Panamá como frente estratégica contra a influência chinesa.
- A guinada à direita em Peru, Argentina, Chile, Equador, Bolívia e Panamá redesenha o mapa político latino-americano, abrindo espaço para uma arquitetura de segurança hemisférica liderada pelos EUA.
Na encruzilhada entre soberania e segurança, a Colômbia do presidente De la Espriella aderiu formalmente à Coalizão das Américas contra Cartéis, autorizando operações militares conjuntas com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico. O anúncio, feito pelo secretário de Defesa Pete Hegseth na Cidade do Panamá, marca uma inflexão histórica na política hemisférica americana — uma reinterpretação da Doutrina Monroe para o século XXI, com bilhões em assistência militar e mais de duzentas mortes já registradas em ataques contra embarcações suspeitas. A América Latina, varrida por uma onda conservadora, reconfigura suas alianças enquanto o mundo observa onde termina a cooperação e onde começa a intervenção.
Na Cidade do Panamá, o secretário de Defesa americano Pete Hegseth anunciou a adesão da Colômbia à Coalizão das Américas contra Cartéis — uma aliança militar hemisférica criada sob a administração Trump para combater o narcotráfico e o terrorismo. O anúncio veio dias após a posse do presidente colombiano Abelardo de la Espriella e incluiu a promessa americana de um bilhão de dólares em assistência de segurança a Bogotá.
A coalizão representa uma expansão profunda da presença militar americana na região. Desde setembro do ano anterior, os EUA atacaram embarcações suspeitas de transportar drogas, operações que resultaram em mais de 200 mortes. Em janeiro, comandos liderados pelos americanos depuseram Nicolás Maduro na Venezuela. Hegseth equiparou os traficantes à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, justificando a intensidade das ações — e respondeu às acusações de crimes de guerra instando aliados a abandonarem o Tribunal Penal Internacional.
No discurso, Hegseth invocou uma versão atualizada da Doutrina Monroe, rebatizada de 'Doutrina Donroe' em referência ao presidente Trump, reafirmando a primazia americana nas Américas diante de ameaças externas e influência estrangeira — especialmente a chinesa, visível na disputa pelo controle dos portos do Canal do Panamá.
A Colômbia de De la Espriella integra uma tendência regional: Peru, Argentina, Chile, Equador, Bolívia e Panamá vivem uma guinada à direita impulsionada por economias fragilizadas e criminalidade crescente. O presidente panamenho Mulino, anfitrião da reunião, defendeu a coalizão argumentando que os verdadeiros inimigos da soberania não são os aliados militares, mas os grupos criminosos transnacionais que corroem os Estados por dentro.
Na cidade do Panamá, durante uma reunião de uma coalizão militar hemisférica, o secretário de Defesa americano Pete Hegseth anunciou que a Colômbia havia se integrado a uma aliança de nações do Hemisfério Ocidental dedicada ao combate ao narcotráfico. O anúncio ocorreu dias após a posse do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, e antes de um encontro com o ministro da Defesa colombiano Jorge Eduardo Mora, um major-general da reserva. Hegseth deixou claro que a autorização colombiana ia além de simples cooperação: incluía operações militares conjuntas para destruir redes terroristas e seus operadores.
Essa coalizão, batizada de Coalizão das Américas contra Cartéis, representa uma expansão significativa da política americana para a região sob a administração Trump. O que começou como uma estratégia focada no canal do Panamá — um ponto crítico da geopolítica global que movimenta 5% do comércio marítimo mundial — evoluiu para uma campanha militar mais ampla. Desde setembro do ano anterior, os EUA lançaram ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas, uma operação que resultou na morte de mais de 200 pessoas até o momento. Em janeiro, comandos liderados pelos americanos conduziram uma incursão que depôs Nicolás Maduro na Venezuela.
Essas ações não passaram despercebidas pela comunidade internacional. Críticos argumentam que os ataques americanos constituem crimes de guerra passíveis de julgamento pelo Tribunal Penal Internacional. Hegseth respondeu com críticas duras à organização internacional, instando os aliados presentes na reunião do Panamá a se retirarem dela. Ele equiparou os traficantes de drogas aos terroristas da Al-Qaeda e do Estado Islâmico, justificando assim a intensidade das operações militares.
Durante seu discurso, Hegseth invocou uma versão reformulada da Doutrina Monroe, a política do século XIX que afirmava a primazia americana nas Américas — uma doutrina que críticos associam a décadas de intervenção americana na região. Ele a rebatizou como "Doutrina Donroe", um trocadilho com o nome do presidente Trump. A mensagem era clara: os EUA defenderiam o hemisfério de ameaças externas, incluindo narcotraficantes e influência estrangeira.
A Colômbia, sob sua nova liderança, abraçou essa postura com entusiasmo. De la Espriella prometeu em seu discurso de posse "erradicar definitivamente o flagelo das culturas ilícitas" e comprometeu-se a aderir ao programa Escudo das Américas, fundado por Trump. Sua disposição em adotar medidas rigorosas de segurança foi bem recebida pela administração americana, que anunciou planos de fornecer um bilhão de dólares em assistência de segurança ao governo colombiano. De la Espriella culpou seu antecessor, Gustavo Petro, pela expansão de grupos armados no país.
Essa mudança colombiana faz parte de uma tendência mais ampla na América Latina. Peru, Argentina, Chile, Equador, Bolívia e Panamá experimentaram uma guinada à direita, com economias fragilizadas e criminalidade crescente redefinindo as prioridades dos eleitores. Candidatos de extrema-direita, antes marginais no cenário político, ganharam força ao prometer repressão rigorosa, aproveitando uma onda global de nacionalismo de direita.
No Panamá especificamente, a administração Trump obteve uma vitória importante na Suprema Corte em janeiro, após expressar preocupações com a influência chinesa crescente. A empresa CK Hutchison, sediada em Hong Kong, perdeu as concessões portuárias que sua subsidiária local, a Panama Ports Company, mantinha há quase três décadas. O controle dos portos de acesso ao canal permanece um ponto crítico de tensão geopolítica entre Washington e Pequim.
O presidente panamenho José Raúl Mulino, ao discursar na reunião, classificou o tráfico de drogas como a maior ameaça enfrentada pela região e descartou preocupações de que a coalizão liderada pelos EUA pudesse violar a soberania dos países-membros. Ele argumentou que os verdadeiros inimigos da soberania eram os grupos criminosos transnacionais que traficam drogas e pessoas. "Nunca haverá uma paz sustentável se esse inimigo avançar", afirmou. A mensagem subjacente era que a cooperação militar com os EUA não representava uma ameaça à independência nacional, mas sim uma defesa dela.
Notable Quotes
Defenderemos nosso hemisfério de ameaças externas, incluindo aquelas provenientes de narcotraficantes ou de influência estrangeira— Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA
Nunca haverá uma paz sustentável se esse inimigo avançar— José Raúl Mulino, presidente do Panamá