Cleitinho se emociona ao falar do pai e defende fim da escala 6x1

Pai do candidato faleceu em abril de 2024 vítima de câncer na bexiga, após anos de trabalho contínuo sem descanso adequado.
Na hora que eu fui dar descanso ao meu pai, meu pai morreu
Cleitinho Azevedo relembra o momento em que finalmente tinha recursos para oferecer repouso ao pai, pouco antes da morte dele.
Mark

Por que essa questão da escala 6x1 toca tanto em você? Parece ir além do debate político.

Mimi

Porque não é debate para mim. É memória. É ver meu pai recusando descanso porque achava que não tinha direito. É conseguir oferecer isso a ele e não ter tempo.

Luke

Entendo a força emocional. Mas preciso perguntar: quando ele diz que trabalhou 7x7, isso é confirmado por alguém além dele? E a morte do pai em abril de 2024 — isso está documentado?

Mimi

A morte está documentada. Câncer na bexiga. O resto é o que ele viveu, o que ele viu.

Mark

E quanto à posição dele no Senado? Ele realmente tem escala 2x5?

Mimi

Isso é o que ele afirma. É a realidade do trabalho legislativo — sessões, votações, períodos de recesso.

Luke

Mas há uma diferença entre a estrutura de trabalho de um senador e a de um trabalhador que ganha mil e seiscentos reais. Não são comparáveis. Ele está usando a própria experiência privilegiada para falar sobre a experiência de quem não tem privilégio.

Mimi

Talvez. Mas o ponto dele é justamente esse: ele teve privilégio, e mesmo assim viu o pai sofrer. Imagina quem não tem nenhum privilégio.

Mark

Ele está em campanha. Isso muda algo na forma como ouvimos essa história?

Luke

Muda tudo. Não invalida a emoção, mas contextualiza. Ele está liderando nas pesquisas e falando sobre direitos trabalhistas. É estratégia e verdade ao mesmo tempo.

Mimi

Pode ser. Mas a dor de não ter visto o pai descansar — isso não é estratégia.

  • A voz do senador falhou ao lembrar do pai que, mesmo com folga disponível, dizia 'eu tenho que trabalhar' — e nunca parou.
  • A morte chegou em abril de 2024, exatamente quando Cleitinho finalmente tinha condições de oferecer descanso ao pai: o tempo e o dinheiro vieram tarde demais.
  • Com lágrimas visíveis, o candidato questionou a coerência de políticos que ganham quarenta mil reais, têm carro oficial e apartamento funcional, e ainda assim resistem ao fim da escala 6x1.
  • Apesar de ser oposição ao governo Lula, Azevedo declarou apoio à medida sem constrangimento — separando a autoria política da justiça da causa.
  • A sabatina, que deveria ser um exercício de programa e proposta, tornou-se um espaço de luto — e o luto, por sua vez, tornou-se argumento político.

Em uma sabatina televisionada em setembro de 2026, o senador Cleitinho Azevedo — líder nas pesquisas para o governo de Minas Gerais — deixou o campo da política e entrou no da memória: a do pai que nunca descansou, que recusava viagens e feriados, e que morreu de câncer antes de poder usufruir do alívio que o filho finalmente podia oferecer. Nesse gesto de luto público, Azevedo transformou um debate trabalhista em uma pergunta mais antiga sobre o que o trabalho consome de nós — e o que jamais devolve.

Na tarde de 18 de setembro, o senador Cleitinho Azevedo sentou-se para uma sabatina promovida pelo Estado de Minas, Portal Uai e TV Alterosa. Líder nas pesquisas para o governo de Minas, ele começou falando sobre seus anos no varejo — uma rotina de segunda a segunda, sem folgas, sem respiro. Ao lado da família, o trabalho era ininterrupto. E o pai era o símbolo mais doloroso disso: quando havia chance de viajar num feriado, ele ficava. "Vocês podem ir que eu vou ficar. Eu tenho que trabalhar", repetia.

O pai de Cleitinho morreu em abril de 2024, vítima de câncer na bexiga. O que tornou a perda ainda mais pesada foi o momento: o filho havia finalmente conseguido uma vida melhor, dinheiro suficiente para oferecer ao pai o descanso que ele nunca se permitiu. "A hora que eu fui dar o descanso do meu pai, meu pai morreu", disse Azevedo, com as lágrimas escorrendo.

Foi dessa dor que nasceu seu argumento mais contundente da tarde. O senador defendeu o fim da escala 6x1 com uma indignação que não era retórica — era biográfica. Questionou a moral de políticos que recebem quarenta mil reais por mês, têm plano de saúde, apartamento funcional, carro com motorista, e ainda assim se opõem à medida. "Vai falar que não pode votar o fim da escala 6x1 ganhando 40 mil, e o trabalhador ganha 1.600 reais?"

Embora a pauta tenha sido impulsionada pelo governo Lula — do qual Azevedo é oposição —, o senador não viu contradição em apoiá-la. Para ele, a questão transcendia partidos. Era sobre o pai que nunca descansou. Era sobre tudo que o trabalho sem pausa é capaz de consumir — e que nenhum salário, chegando tarde demais, consegue devolver.

O senador Cleitinho Azevedo estava à frente nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas quando se sentou para a sabatina promovida pelo Estado de Minas, Portal Uai e TV Alterosa na sexta-feira 18 de setembro. A conversa o levaria a um lugar que ele não esperava — ou talvez esperasse demais.

Azevedo começou falando sobre seus anos no varejo, quando trabalhava ao lado da família. A rotina era brutal: segunda a segunda, sete dias por semana. Não havia folga, não havia respiro. Quando chegava um fim de semana ou um feriado que permitisse uma viagem, seu pai recusava. "Vocês podem ir que eu vou ficar. Eu não vou, eu tenho que trabalhar", era o que o pai dizia. O senador contou isso com a voz começando a falhar.

O pai de Cleitinho morreu em abril de 2024. Câncer na bexiga. Mas antes disso, quando finalmente o filho conseguiu melhorar de vida, quando finalmente tinha dinheiro para oferecer ao pai um descanso merecido, a morte chegou primeiro. "Tive oportunidade de ter um salário melhor e dar um descanso para o meu pai. E a hora que eu fui dar o descanso do meu pai, meu pai morreu", disse Azevedo, as lágrimas visíveis.

Essa experiência pessoal o levou a defender o fim da escala 6x1 — a jornada de trabalho que permite apenas um dia de descanso a cada sete. "Nenhum político tem moral para falar do fim da escala 6x1", disparou. Ele mesmo trabalha com escala 2x5 no Senado, onde tem direito a dois dias de folga a cada cinco de trabalho. Embora a pauta tenha sido impulsionada pelo governo Lula, do qual Azevedo é oposição, ele não vê constrangimento em apoiar a medida.

O argumento que o senador apresentou foi direto e carregado de indignação. Questionou a coerência de políticos que ganham quarenta mil reais por mês, têm plano de saúde, apartamento funcional, carro oficial e direito a motorista — e ainda assim se opõem ao fim da escala 6x1. "Vai falar que não pode votar o fim da escala 6x1 ganhando 40 mil, e o trabalhador ganha 1.600 reais?", perguntou com lágrimas nos olhos. Para Azevedo, a questão não era apenas política. Era pessoal. Era sobre o pai que nunca descansou.

Pouco depois, quando falava sobre sua rotina atual — como mora na mesma casa e frequenta os mesmos lugares de antes de ser político — Azevedo se emocionou novamente. A sabatina havia tocado em algo que permanecia aberto.

Quando chegava algum final de semana, algum feriado que a gente podia viajar, meu pai falava assim: 'Vocês podem ir que eu vou ficar. Eu não vou, eu tenho que trabalhar'
— Senador Cleitinho Azevedo, descrevendo a recusa do pai em descansar
Nenhum político tem moral para falar do fim da escala 6x1
— Senador Cleitinho Azevedo
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