No Rio de Janeiro, a 26ª Conferência Internacional de Aids reúne o mundo diante de um paradoxo que define nossa época: a ciência nunca esteve tão próxima de transformar a vida de quem vive com HIV, mas o abismo entre o que se inventa e o que se distribui nunca foi tão profundo. O pesquisador Ricardo Diaz, da Unifesp, nomeia esse deslocamento com precisão — a batalha migrou do laboratório para a arena política, econômica e da justiça social. O que está em jogo não é mais apenas a capacidade de curar, mas a vontade coletiva de garantir que a cura chegue a todos.