Todo ano, a Terra atravessa o rastro invisível deixado pelo Cometa Halley, e fragmentos minúsculos desse viajante antigo se incendeiam ao tocar nossa atmosfera. Na madrugada de 21 de outubro, esse encontro atinge seu momento mais intenso sobre o Brasil, oferecendo a qualquer pessoa disposta a olhar para cima — e a se afastar das luzes da cidade — entre 20 e 25 meteoros por hora. É um lembrete silencioso de que o céu tem sua própria agenda, e que às vezes basta parar e deixar os olhos se adaptarem à escuridão para perceber que fazemos parte de algo muito maior.
Chuva de meteoros Orionids atinge pico na madrugada de quarta no Brasil
Saia das cidades. A poluição luminosa reduz drasticamente a visibilidade.
Por que exatamente os meteoros parecem vir da constelação de Órion?
Não é que eles realmente venham de lá — é uma questão de perspectiva. Quando os detritos do Cometa Halley entram na atmosfera, eles vêm todos de uma mesma direção no espaço, mas de onde estamos na Terra, parece que irradiam de um ponto específico do céu. Esse ponto fica na constelação de Órion, daí o nome.
Mas a visibilidade depende muito das condições locais, certo? Não é garantido que todos vejam 20 a 25 meteoros por hora.
Exato. A Lua estará 23% cheia, o que ajuda, mas se houver nuvens ou muita poluição luminosa, a experiência será bem diferente. Por isso o pesquisador insiste tanto em sair das cidades.
E quanto àquele objeto NEO 2015 TB14 que pode gerar a "chuva de Halloween"?
É um corpo celeste que deixou detritos no espaço. Os cálculos sugerem que a Terra pode atravessar essa nuvem de fragmentos na terça à noite, mas é algo raro e incerto.
Incerto é a palavra-chave. Os cálculos são do Observatório de Paris, mas não há confirmação de que realmente acontecerá. E mesmo que aconteça, a melhor visibilidade seria na África.
Então para o Brasil, a aposta segura é mesmo a Orionids na madrugada de quarta?
Sim. É um fenômeno anual bem documentado, com horário e local de observação claros. A madrugada de quarta é quando o pico acontece.
Com ressalva: entre 20 e 25 meteoros por hora é a expectativa, não a garantia. Em anos excepcionais chegou a 75, mas isso foi entre 2006 e 2009.
Entendi. Então é um evento real, mas com variáveis.
Exatamente. Real e acessível, mas que exige um pouco de planejamento e paciência.
Le Pouls
- Na madrugada de quarta-feira, a partir das 3h30, o pico da chuva de meteoros Orionids transforma o céu brasileiro em um espetáculo acessível a qualquer um com olhos e paciência.
- A Lua estará apenas 23% cheia, reduzindo a interferência luminosa e criando condições excepcionalmente favoráveis para a observação.
- A poluição luminosa das cidades é o principal obstáculo: especialistas alertam que sair para áreas rurais pode ser a diferença entre ver tudo e não ver nada.
- Em anos extraordinários, a Orionids já registrou até 75 meteoros por hora — o que mantém viva a expectativa de surpresas mesmo quando a previsão é modesta.
- Uma possibilidade extra surge ainda na terça-feira: a chamada 'chuva de Halloween', ligada ao objeto NEO 2015 TB14, pode aparecer por volta das 19h para quem olhar na direção leste.
- Para quem não puder sair de casa, a Sociedade Americana de Meteoros transmitirá o fenômeno ao vivo pelo YouTube, garantindo que ninguém fique completamente de fora.
Todo ano, a Terra atravessa o rastro invisível deixado pelo Cometa Halley, e fragmentos minúsculos desse viajante antigo se incendeiam ao tocar nossa atmosfera. Na madrugada de 21 de outubro, esse encontro atinge seu momento mais intenso sobre o Brasil, oferecendo a qualquer pessoa disposta a olhar para cima — e a se afastar das luzes da cidade — entre 20 e 25 meteoros por hora. É um lembrete silencioso de que o céu tem sua própria agenda, e que às vezes basta parar e deixar os olhos se adaptarem à escuridão para perceber que fazemos parte de algo muito maior.
Na madrugada de quarta-feira, 21 de outubro, o Brasil tem um encontro marcado com o cosmos. A partir das 3h30, o pico da chuva de meteoros Orionids promete entre 20 e 25 estrelas cadentes por hora — na verdade, pequenos fragmentos do Cometa Halley que se incendeiam ao entrar na atmosfera terrestre. A Lua estará apenas 23% cheia, o que favorece a visibilidade.
O fenômeno já ocorre desde 2 de outubro e se estende até 7 de novembro, mas é nessa madrugada que a atividade atinge seu ápice. O nome vem da constelação de Órion, de onde os meteoros parecem irradiar — e ela é visível de qualquer ponto do Brasil. Roberto Costa, professor de Astronomia da USP, explica que nenhum equipamento especial é necessário: binóculos e telescópios atrapalham mais do que ajudam. O segredo é dedicar cerca de meia hora olhando para o céu, tempo suficiente para os olhos se adaptarem à escuridão.
Marcelo De Cicco, coordenador da rede EXOSS de monitoramento de meteoros, reforça o conselho mais importante: fugir da poluição luminosa das cidades. Quanto mais distante das luzes urbanas, mais rico será o espetáculo. A atividade já começou a crescer na madrugada de terça e deve persistir até quinta-feira, 22.
Há ainda uma surpresa possível para a terça à noite. Cálculos do astrofísico Jeremie Vaubaillon indicam que a Terra pode cruzar detritos do objeto NEO 2015 TB14 — apelidado de 'chuva de Halloween' por seu formato de caveira — por volta das 19h. A visibilidade seria melhor na África, mas De Cicco sugere que os brasileiros olhem para o leste assim mesmo. Como ele diz: não custa nada tentar.
Na madrugada de quarta-feira, 21 de outubro, o Brasil terá a oportunidade de presenciar um espetáculo celeste que se repete todos os anos: o pico da chuva de meteoros Orionids. A partir das 3h30 da manhã, quem olhar para o céu poderá ver entre 20 e 25 meteoros cruzando a atmosfera a cada hora — pequenos fragmentos do Cometa Halley que, ao penetrarem nossa atmosfera, produzem aqueles clarões luminosos conhecidos popularmente como estrelas cadentes.
O fenômeno não é novo. Desde 2 de outubro, esses detritos já vêm entrando na atmosfera terrestre, e continuarão fazendo isso até 7 de novembro. Mas a madrugada de quarta é quando a atividade atinge seu ponto máximo, justamente quando a Lua estará apenas 23% cheia — uma condição favorável para a observação. Roberto Costa, professor do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, explica que o nome da chuva vem de sua origem aparente: os meteoros parecem irradiar da constelação de Órion, uma das mais reconhecíveis do céu noturno e visível de qualquer ponto do Brasil.
O grande atrativo é que não se precisa de equipamento especial. Binóculos e telescópios, na verdade, atrapalham mais do que ajudam. Qualquer pessoa, em qualquer lugar do país, pode observar os meteoros a olho nu — desde que tenha paciência e dedique cerca de meia hora olhando para cima, tempo necessário para os olhos se adaptarem à escuridão. Marcelo De Cicco, doutorando no Observatório Nacional e coordenador da rede EXOSS de monitoramento de meteoros, oferece uma dica crucial: saia das cidades. A poluição luminosa urbana reduz drasticamente a visibilidade. Quanto mais longe das luzes, melhor será o espetáculo.
A atividade já começou a se intensificar na madrugada de terça-feira, 20, e deve persistir mesmo após o pico, permitindo observações ainda na quinta-feira, 22. Em anos excepcionais — como ocorreu entre 2006 e 2009 — a Orionids chegou a registrar entre 50 e 75 meteoros por hora, uma frequência bem superior à esperada para este ano. Para quem não conseguir sair de casa ou enfrentar condições climáticas desfavoráveis, a Sociedade Americana de Meteoros fará uma transmissão ao vivo pelo YouTube.
Há ainda uma possibilidade adicional nesta terça-feira. Cálculos do astrofísico Jeremie Vaubaillon, do Observatório de Paris, indicam que a Terra pode atravessar uma nuvem de detritos deixada pelo objeto NEO 2015 TB14 — um corpo celeste cujas imagens de radar revelaram um formato comparável ao de uma caveira, o que inspirou o apelido de "chuva de Halloween". Esse evento seria raro, ocorrendo por volta das 19h, e teria melhor visibilidade no continente africano. Ainda assim, De Cicco sugere que os brasileiros olhem para o leste nesse horário. Como ele mesmo diz, não custa nada tentar — talvez a sorte esteja do nosso lado.
Citations marquantes
Os meteoros parecem estar vindo da direção da constelação de Órion, uma das mais conhecidas do céu e que é visível do País todo— Roberto Costa, professor do Departamento de Astronomia do IAG/USP
O interessante é estar longe das luzes da cidade, distante da poluição luminosa— Marcelo De Cicco, doutorando no Observatório Nacional