Em Xangai, entre 17 e 20 de julho de 2026, representantes de mais de cem países testemunharam o nascimento de uma nova instituição: a WAICO, primeira organização internacional dedicada exclusivamente à governança global da inteligência artificial. Vinte e nove nações, entre elas China e Brasil, assinaram o acordo fundador — um gesto que reflete a inquietação crescente do Sul Global diante de um futuro tecnológico moldado sem a sua voz. Como em outros momentos da história em que novas tecnologias redefiniram o poder, a questão central não é apenas quem desenvolve a IA, mas quem decide as regras
China e Brasil fundam primeira organização internacional de IA
A IA é fruto da sabedoria coletiva da humanidade
Por que agora? Por que essa organização surge em 2026 e não antes?
Porque a IA finalmente se tornou inescapável. Não é mais um campo de pesquisa — é infraestrutura. Países em desenvolvimento perceberam que estavam sendo deixados para trás, que as regras estavam sendo escritas sem eles.
E a China liderando isso — não parece contraditório? O país é conhecido por controle estatal rigoroso.
Não é contraditório se você entender que a China vê a IA como um jogo onde as regras ainda estão sendo definidas. Melhor estar na mesa escrevendo as regras do que aceitá-las depois. E há algo genuíno no argumento sobre acesso: modelos abertos chineses realmente reduziram custos para países pobres.
Mas qual é o risco real aqui? O que pode dar errado?
Que a WAICO vire um palco para retórica sem dentes. Ou que se torne um espaço onde potências tecnológicas negociam entre si enquanto países pequenos aplaudem. A verdadeira questão é se essa organização consegue fazer países ricos abrirem mão de vantagens tecnológicas.
E o Brasil nessa história — é protagonista ou está sendo usado?
Provavelmente os dois. O Brasil tem peso real como maior economia do Hemisfério Ocidental. Mas também está em uma posição onde precisa dessa aliança. Sozinho, não teria voz nenhuma nessas negociações.
Então a WAICO é sobre justiça ou sobre reequilibrar poder?
Sempre é os dois. Justiça é o nome que damos quando queremos reequilibrar poder de forma que pareça legítima.
El Pulso
- A governança global da IA estava concentrada nas mãos de poucos países ricos, deixando nações em desenvolvimento sem voz nas decisões que moldam seu próprio futuro tecnológico.
- A China denunciou a criação de 'pequenos quintais com muros altos' — bloqueios em algoritmos, capacidade computacional e dados estratégicos que aprofundam as desigualdades entre nações.
- Vinte e nove países fundaram a WAICO em Xangai, criando pela primeira vez um fórum multilateral dedicado exclusivamente à governança da inteligência artificial com protagonismo do Sul Global.
- A China comprometeu-se com cinco mil bolsas de capacitação, centros de cooperação em IA com blocos regionais como BRICS e União Africana, e acesso gratuito a um sistema de alerta meteorológico por IA para trinta países.
- A WAICO busca ancorar a governança da IA na ONU e evitar que a tecnologia reproduza — ou aprofunde — as injustiças históricas que marcaram outras revoluções tecnológicas.
Em Xangai, entre 17 e 20 de julho de 2026, representantes de mais de cem países testemunharam o nascimento de uma nova instituição: a WAICO, primeira organização internacional dedicada exclusivamente à governança global da inteligência artificial. Vinte e nove nações, entre elas China e Brasil, assinaram o acordo fundador — um gesto que reflete a inquietação crescente do Sul Global diante de um futuro tecnológico moldado sem a sua voz. Como em outros momentos da história em que novas tecnologias redefiniram o poder, a questão central não é apenas quem desenvolve a IA, mas quem decide as regras pelas quais ela avança.
Entre 17 e 20 de julho de 2026, Xangai sediou a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, reunindo representantes de mais de cem países. O encontro produziu um resultado histórico: a fundação da WAICO, a Organização Mundial para a Cooperação em Inteligência Artificial — a primeira instituição internacional dedicada exclusivamente à governança global da IA. Vinte e nove nações, incluindo China e Brasil, tornaram-se seus membros fundadores.
A criação da WAICO responde a uma pressão crescente do Sul Global por autonomia tecnológica e representatividade nas decisões que definem padrões, regulações e acesso à IA. Até então, esse espaço era dominado por potências do Hemisfério Norte. Com a nova organização, países como Brasil e China passam a participar como protagonistas — não como observadores.
A China apresentou uma visão que equilibra inovação e segurança, criticando as barreiras erguidas por certas nações em áreas críticas como algoritmos avançados e dados estratégicos. Em contrapartida, o país destacou seu compromisso com a abertura: modelos como DeepSeek e Qwen reduziram custos de acesso à IA globalmente, e o volume de downloads de modelos abertos chineses lidera o ranking mundial.
Nos próximos cinco anos, a China oferecerá cinco mil oportunidades de capacitação em IA para países em desenvolvimento e criará centros de cooperação com blocos como BRICS, União Africana e CELAC. Trinta países também receberão acesso ao Mazu, sistema de alerta meteorológico movido por IA.
A WAICO propõe um 'multilateralismo genuíno', com a ONU no centro da coordenação de regras e padrões técnicos, buscando evitar que a inteligência artificial reproduza as desigualdades históricas em vez de reduzi-las. Para o Brasil, o assento de membro fundador representa uma posição inédita: estar à mesa onde as regras do futuro tecnológico estão sendo escritas.
Entre 17 e 20 de julho, representantes de mais de cem países e organizações internacionais se reuniram em Xangai para a Conferência Mundial de Inteligência Artificial 2026. O encontro produziu um resultado concreto: a fundação da primeira organização internacional dedicada exclusivamente à governança global de IA. Vinte e nove nações, entre elas China e Brasil, assinaram o acordo que criou a Organização Mundial para a Cooperação em Inteligência Artificial, a WAICO, tornando-se seus membros fundadores.
A criação dessa instituição responde a uma pressão crescente do Sul Global — os países em desenvolvimento — por maior autonomia tecnológica e voz nas decisões que moldam o futuro da inteligência artificial. Até agora, a governança da IA tem sido dominada por potências tecnológicas do Hemisfério Norte, deixando nações em desenvolvimento à margem das discussões que definem padrões, regulações e acesso à tecnologia. A WAICO muda esse cenário ao criar um espaço onde países como Brasil e China, maiores economias em desenvolvimento de seus respectivos hemisférios, podem participar como membros fundadores e não apenas observadores.
A China apresentou durante a conferência uma visão que equilibra desenvolvimento e segurança. O país argumenta que determinadas nações ergueram barreiras em áreas críticas da IA — algoritmos centrais, capacidade computacional avançada e dados estratégicos — criando o que descreveu como "pequenos quintais com muros altos". Essas práticas, segundo Pequim, consolidam disparidades tecnológicas e privam países em desenvolvimento do direito ao progresso científico. Em resposta, a China propõe uma abordagem que acelera a inovação enquanto fortalece regulações, leis e padrões éticos para garantir que a IA permaneça sob controle humano e segura.
O compromisso chinês com a inovação aberta é substancial. O valor do setor central da economia inteligente do país já ultrapassou um trilhão de yuans. Modelos de código aberto como DeepSeek e Qwen reduziram drasticamente as barreiras de entrada e os custos de uso da IA, permitindo que países em desenvolvimento se beneficiem da transformação digital. O volume acumulado de downloads desses modelos abertos chineses ocupa o primeiro lugar no ranking mundial, consolidando a China como grande colaboradora de softwares e modelos abertos.
Nos próximos cinco anos, a China se comprometeu a oferecer cinco mil oportunidades em programas de capacitação e seminários sobre IA para países em desenvolvimento. O país também criará Centros Internacionais de Cooperação para Aplicações de IA em parceria com a ASEAN, a Liga dos Estados Árabes, a União Africana, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a Organização de Cooperação de Shanghai e o BRICS. Além disso, facilitará a trinta países o acesso ao Mazu, um sistema de alerta meteorológico movido por inteligência artificial.
A fundação da WAICO representa uma tentativa de praticar o que Pequim chama de "multilateralismo genuíno", fortalecendo o papel central da ONU na coordenação de estratégias de desenvolvimento, regras de governança e padrões técnicos. A organização busca evitar o que seus proponentes descrevem como "novas injustiças históricas na era da IA" — cenários onde a tecnologia aprofunda desigualdades existentes em vez de reduzi-las. A inteligência artificial, argumentam os fundadores, é fruto da sabedoria coletiva da humanidade e seu avanço não deve corroer a diversidade civilizacional ou as identidades culturais das nações.
Para o Brasil, a participação como membro fundador da WAICO posiciona o país como ator central nas discussões sobre o futuro da tecnologia global. Como um dos maiores países em desenvolvimento do Hemisfério Ocidental e membro destacado do Sul Global, o Brasil agora tem assento à mesa onde as regras da IA estão sendo escritas. A conferência em Xangai sinalizou que a governança da inteligência artificial não será mais decidida apenas por Washington, São Francisco ou Pequim, mas em fóruns que incluem vozes do mundo em desenvolvimento.
Citas Notables
A IA deve ser uma ferramenta confiável para a humanidade, com atenção rigorosa aos riscos e garantia de que permaneça sob controle humano— Posição apresentada pela China durante a conferência
A criação da WAICO responde aos anseios do Sul Global por autonomia tecnológica e desenvolvimento inclusivo— Documento da conferência