Chefe de quadrilha de roubo de celulares no Rio é preso com 29 aparelhos e armas em Duque de Caxias

Uma mulher foi cercada por criminosos armados no Túnel Zuzu Angel, em São Conrado, e teve celular e joias levados.
O celular roubado virava também chave para as contas das vítimas
Segundo a polícia, Diego Perez usava apps bancários dos aparelhos roubados para fazer compras.
Mark

O que chama mais atenção nesse caso, além da prisão?

Mimi

O uso dos aplicativos bancários. O celular roubado virava também uma chave para as contas das vítimas, e as compras no shopping foram filmadas.

Mark

E como funcionava a divisão de papéis?

Mimi

Segundo a polícia, Diego pagava de R$ 800 a R$ 1,2 mil por aparelho. Paulo Eduardo escolhia os assaltantes e fornecia as armas.

Luke

Vale separar o que está confirmado do que é atribuição da polícia. Tudo isso é a versão da investigação. A defesa de Diego vai pedir a revogação da prisão, e a reportagem não traz a versão dele sobre as acusações.

Mark

E o que está de fato documentado?

Mimi

A prisão, a conversão em preventiva, os 29 celulares, o revólver, as munições e as imagens do shopping.

Luke

Mas as imagens, como descritas, mostram compras e encontros. A ligação delas com dois roubos específicos vem da investigação, e a reportagem não detalha como isso foi comprovado.

Mark

E Paulo Eduardo?

Mimi

Continua foragido. A reportagem também não conseguiu localizá-lo.

Luke

Então ele é, por ora, apenas suspeito. Não há resposta dele no texto.

Mark

Qual é o recado final da delegada?

Mimi

Que comprar celular roubado é receptação e sustenta o ciclo do roubo.

  • Uma mulher foi cercada por criminosos armados no Túnel Zuzu Angel e perdeu celular e joias em minutos de pânico.
  • A polícia prendeu Diego Perez em casa, em Duque de Caxias, e encontrou 29 celulares roubados, bebidas alcoólicas e um revólver.
  • Diego teria pago entre R$ 800 e R$ 1,2 mil por aparelho e usado os aplicativos bancários das vítimas para fazer compras em um shopping.
  • Paulo Eduardo, apontado como o comparsa que recrutava assaltantes e fornecia armas, continua foragido enquanto a polícia busca outros integrantes.
  • A prisão foi convertida em preventiva, a defesa promete pedir revogação, e a delegacia alerta que quem compra celular roubado também responde por receptação.

Num fim de outubro, a Polícia Civil do Rio levou à prisão, em Duque de Caxias, um homem apontado como chefe de uma quadrilha que transformava celulares roubados em dinheiro e em compras feitas com os cartões das próprias vítimas. O caso começa com um gesto de violência cotidiana, uma mulher encurralada dentro do próprio carro no Túnel Zuzu Angel, e termina, por enquanto, numa casa cheia de objetos que não lhe pertenciam. Entre um e outro, há uma engrenagem que lembra como o crime urbano se organiza hoje: quem rouba, quem paga, quem compra e quem fornece as armas, cada um ocupando seu lugar numa cadeia que a justiça ainda tenta desmontar.

Foi dentro de um carro, no Túnel Zuzu Angel, em São Conrado, que começou um dos roubos investigados pela Polícia Civil. Uma mulher, que pediu para não ser identificada, contou que criminosos cercaram o veículo dela. Um deles gritava para abrir a porta e só parou quando ela viu a arma e ouviu as batidas no vidro. Levaram o celular e as joias dela.

Segundo a polícia, o aparelho foi parar nas mãos de um grupo chefiado por Diego Perez. Ele foi preso em casa, em Duque de Caxias, numa operação da Delegacia da Gávea. Para os investigadores, a quadrilha atuava sobretudo nas zonas Sul e Norte da capital, pagando comparsas por cada celular roubado, com valores de R$ 800 a R$ 1,2 mil conforme o modelo e o desbloqueio do aparelho.

O esquema não parava na revenda. Diego usava os aplicativos bancários dos celulares das vítimas para comprar produtos. Imagens mostram um shopping em Duque de Caxias, um brinquedo comprado por Paulo Eduardo dos Santos Pinto, apontado como comparsa, e um porta-malas cheio de mercadorias. Paulo Eduardo, que segundo a polícia escolhia os assaltantes e fornecia as armas, não foi localizado.

Na casa de Diego, os agentes recuperaram 29 celulares, caixas de bebidas que seriam revendidas em eventos, um revólver e munições. A prisão foi convertida em preventiva, e a defesa vai pedir a revogação. A Polícia Civil segue atrás dos demais integrantes, e a delegada Daniela Terra lembrou que quem compra aparelho roubado comete receptação e alimenta esse mercado.

Foi dentro de um carro, no Túnel Zuzu Angel, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, que começou um dos roubos investigados pela Polícia Civil. Uma mulher, que pediu para não ser identificada, contou que o veículo dela foi cercado por criminosos. Segundo ela, um deles gritava "abre, abre, abre" e puxava a porta. Ela só cedeu quando o homem mostrou uma arma e passou a bater no vidro. Os assaltantes levaram o celular e as joias dela.

Segundo a polícia, o aparelho acabou nas mãos de um grupo chefiado por Diego Perez. Ele foi preso na quinta-feira, em casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, durante uma operação da Delegacia da Gávea. A polícia o aponta como líder de uma quadrilha especializada em roubo de celulares, que agia sobretudo nas zonas Sul e Norte da capital.

De acordo com as investigações, Diego pagava recompensas a comparsas por cada telefone roubado. Os valores iam de R$ 800 a R$ 1,2 mil e variavam conforme o modelo do aparelho e o fato de ele estar ou não desbloqueado.

O esquema não terminava na revenda. Os investigadores afirmam que Diego usava os aplicativos de cartões bancários instalados nos celulares das vítimas para fazer compras. Imagens obtidas pela polícia o mostram chegando a um shopping em Duque de Caxias. Lá, Paulo Eduardo dos Santos Pinto, apontado como comparsa, aparece comprando um brinquedo. Depois, os dois se encontram no local, e Diego pega o brinquedo e vai embora. Outras imagens mostram o porta-malas do carro dele cheio de produtos, e uma mulher que o acompanhava guarda o brinquedo no veículo. Segundo a investigação, essas compras foram pagas com recursos obtidos em dois roubos de celulares.

Paulo Eduardo, conforme a polícia, escolhia os assaltantes e fornecia as armas usadas nos ataques. Ele não foi localizado e é procurado. A reportagem do G1 também não conseguiu encontrá-lo.

Na casa de Diego, os agentes encontraram vários produtos que, segundo a investigação, foram comprados com os cartões das vítimas, incluindo o brinquedo que aparece nas imagens do shopping. A polícia recuperou 29 celulares roubados, apreendeu caixas de bebidas alcoólicas, que ele revenderia em eventos, e encontrou um revólver e munições.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O advogado de Diego informou que vai pedir à Justiça a revogação da prisão. A Polícia Civil segue atrás de outros integrantes do grupo.

A delegada Daniela Terra aproveitou o caso para mandar um recado a quem compra aparelhos de origem criminosa. Segundo ela, quem adquire celular roubado comete crime de receptação e alimenta a indústria do roubo no estado.

Quem compra celular roubado está cometendo crime de receptação e fomentando toda essa indústria do roubo no nosso estado.
— Daniela Terra, delegada
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