Em novembro de 2020, enquanto a pandemia ainda ditava o ritmo da vida económica europeia, o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, dirigiu-se à Ordem dos Economistas com uma mensagem que olhava além da crise imediata: a verdadeira preparação não é para o presente, mas para o momento em que a tempestade começar a dissipar-se. A sua defesa do Orçamento do Estado de 2021 não era um elogio ao documento em si, mas ao princípio que ele encarnava — o de que a flexibilidade, e não a certeza, é a melhor resposta quando o futuro permanece opaco.
Centeno: País deve estar preparado para recuperação pós-pandemia
O país precisa estar pronto para depois, não para agora
Quando Centeno fala em estar "preparado para a recuperação", o que é que ele quer dizer exatamente? Parece vago.
Não é vago se pensarmos no contexto. Em novembro de 2020, ninguém sabia quando a pandemia terminaria. Centeno estava a dizer: quando terminar — e acreditava que seria em breve — Portugal não pode estar desarmado. Precisa de ter ferramentas que funcionem.
E essas ferramentas são... o quê? Dinheiro?
Dinheiro, sim, mas estruturado de forma inteligente. Medidas temporárias e flexíveis. A ideia é que não se gasta tudo agora em soluções permanentes. Gasta-se de forma que se possa ajustar conforme as coisas evoluem.
Isso soa a dizer "não sabemos o que vai acontecer, por isso vamos manter as opções abertas".
Exatamente. E em 2020, com uma pandemia ainda a desenrolar-se, isso era honesto. Centeno estava a reconhecer a incerteza em vez de fingir que tinha respostas definitivas.
Mas há um risco nisso, não há? Se as medidas são temporárias, podem não durar o tempo suficiente.
Verdade. Por isso é que ele insistiu que podiam ser estendidas, moduladas, adaptadas. Não era um plano de "tudo ou nada". Era um plano que admitia que teria de ser reescrito conforme se aprendia mais.
El Pulso
- Com a segunda vaga pandémica a apertar, Centeno alertou que o país não podia chegar ao momento da recuperação de mãos vazias — a preparação teria de anteceder a retoma, não acompanhá-la.
- O risco de instrumentos orçamentais rígidos era claro: previsões feitas em outubro podiam tornar-se obsoletas em semanas, deixando o Estado sem margem para responder à realidade.
- A proposta do OE2021 foi defendida precisamente por aquilo que não era — não era um plano definitivo, mas um conjunto de medidas temporárias e moduláveis, desenhadas para se adaptarem ao ritmo imprevisível da crise sanitária.
- A trajetória apontada por Centeno era pragmática: construir estruturas orçamentais que funcionem independentemente do cenário que se materialize, em vez de apostar numa única previsão que a pandemia poderia desfazer.
Em novembro de 2020, enquanto a pandemia ainda ditava o ritmo da vida económica europeia, o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, dirigiu-se à Ordem dos Economistas com uma mensagem que olhava além da crise imediata: a verdadeira preparação não é para o presente, mas para o momento em que a tempestade começar a dissipar-se. A sua defesa do Orçamento do Estado de 2021 não era um elogio ao documento em si, mas ao princípio que ele encarnava — o de que a flexibilidade, e não a certeza, é a melhor resposta quando o futuro permanece opaco.
No encerramento da 16.ª conferência anual da Ordem dos Economistas, Mário Centeno subiu ao púlpito não para falar do presente, mas do que viria a seguir. O governador do Banco de Portugal acreditava que a crise pandémica começaria a recuar em breve — e que Portugal precisava de estar pronto quando isso acontecesse.
Estar pronto, sublinhou Centeno, não é algo que se improvisa. Exige instrumentos construídos com antecedência, capazes de funcionar no momento certo. Foi nessa lógica que defendeu o Orçamento do Estado de 2021: não como um documento perfeito, mas como um que apontava na direção correta, ao privilegiar medidas temporárias e flexíveis em vez de compromissos rígidos que a evolução da pandemia poderia rapidamente tornar obsoletos.
A mensagem central era simples e pragmática: a recuperação não seria um interruptor. Seria um processo lento e incerto, e Portugal precisava de orçamentos que respirassem com a realidade em vez de ficarem presos a projeções frágeis. Para Centeno, a resposta à incerteza não estava em adivinhar o futuro — estava em construir estruturas suficientemente adaptáveis para sobreviver a qualquer futuro que chegasse.
Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, apresentou-se perante a Ordem dos Economistas no encerramento da sua 16.ª conferência anual para defender uma ideia simples mas consequente: o país precisa estar pronto. Não para agora. Para depois.
O momento que Centeno tinha em mente era aquele em que a crise pandémica começasse a recuar de verdade — algo que, na sua avaliação, aconteceria em breve. Mas estar pronto não é uma coisa que se improvisa. Exige planeamento, estrutura, instrumentos que funcionem quando chegasse a hora. E foi por isso que o governador do banco central português olhou para o Orçamento do Estado de 2021 como um documento que, apesar de tudo, apontava na direção certa.
A proposta orçamental, explicou Centeno, tinha o mérito de não tentar resolver tudo de uma vez. Em vez disso, centrava-se em medidas que eram propositadamente temporárias e flexíveis — o tipo de coisa que pode ser estendida quando necessário, modulada conforme as circunstâncias mudem, adaptada ao ritmo real da crise sanitária. Não era um plano rígido. Era um plano que respirava.
O que Centeno estava a dizer, em essência, era que a recuperação não seria um interruptor que se liga e pronto. Seria um processo. E Portugal precisava de estar equipado para o navegar — com orçamentos que pudessem acompanhar a realidade em vez de ficar presos a previsões que a pandemia tornaria obsoletas em semanas.
A intervenção do governador do Banco de Portugal refletia uma preocupação que atravessava toda a discussão económica do período: como é que um país se posiciona para o que vem a seguir quando o que vem a seguir ainda é incerto? A resposta de Centeno era pragmática. Não se trata de adivinhar o futuro. Trata-se de construir estruturas que funcionem seja qual for o futuro que chegue.
Citas Notables
O país deve estar preparado para o dia em que se inicie a eliminação da crise pandémica— Mário Centeno, governador do Banco de Portugal