Celina Leão (PP) é reeleita governadora do DF sob pressão da crise do BRB

O tamanho do prejuízo do BRB ainda não foi tornado público
Nenhum balanço de 2025 ou do primeiro semestre foi apresentado desde que o escândalo Master veio à tona.
Mark

Celina venceu com folga. Por que o texto fala tanto em pressão?

Mimi

Porque a vitória não resolve o BRB. O banco transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master, e R$ 12,2 bilhões eram títulos falsos, segundo a PF.

Mark

E o governo do DF é o principal acionista.

Mimi

Exato. Ela busca até R$ 6,6 bilhões do FGC para recompor o caixa, mas grandes bancos, que seriam fiadores, resistem.

Luke

Vale separar: o valor dos repasses vem de investigações da PF, mas o tamanho do prejuízo do BRB ainda não é público. Nenhum balanço de 2025 ou do primeiro semestre foi apresentado.

Mark

E o envolvimento dela no caso?

Mimi

Ela nega e diz que sempre foi contra. Vorcaro, em diálogos revelados pela Folha, disse que ela não ficou de fora.

Luke

São versões em conflito. O texto não traz prova que resolva isso; temos a fala de Vorcaro, citada em reportagem, e a negação dela.

Mark

Houve também a questão Arruda.

Mimi

Ele chegou a empatar tecnicamente em agosto, mas o TSE barrou a candidatura em 24 de setembro.

Luke

E a prorrogação da votação é registrada como inédita, mas o texto não diz que tenha afetado o resultado no DF.

  • Celina Leão venceu no segundo turno com 57,21% dos votos válidos, derrotando Leandro Grass e garantindo mandato até o fim de 2030.
  • O caso Master-BRB paira sobre a vitória: o banco público transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master, e parte desse valor foi em títulos sem valor.
  • O BRB não divulgou demonstrações de 2025 nem do primeiro semestre, e o tamanho do prejuízo segue oculto.
  • Para recompor o caixa, a governadora insiste em empréstimo de até R$ 6,6 bilhões ao FGC, mas grandes bancos resistem a serem fiadores.

No Distrito Federal, a eleição de Celina Leão confirma uma virada de comando que começou às pressas, quando Ibaneis Rocha deixou o Palácio do Buriti e a vice assumiu o risco de herdar uma crise. A vitória sobre Leandro Grass, com 57,21% dos votos válidos, dá a ela um mandato até 2030, mas não apaga a sombra de um banco público cujo tamanho do rombo ainda não se conhece. Entre o veredito das urnas e a conta que virá depois, a cidade observa se o novo governo conseguirá falar com clareza sobre aquilo que mais pesa sobre ela.

Com mais de 90% das urnas apuradas no domingo, a disputa do Distrito Federal já tinha desfecho: Celina Leão (PP), de 49 anos, reuniu 57,21% dos votos válidos contra 42,70% de Leandro Grass (PT). O resultado, confirmado pelo TSE, lhe garante governar a capital federal até o fim de 2030.

Celina chega ao cargo pela trajetória de quem já foi deputada distrital e federal e, desde 2023, era vice de Ibaneis Rocha. Assumiu o Palácio do Buriti em março, quando Ibaneis deixou o governo para disputar o Senado, e viu a candidatura dele naufragar em julho, desgastada pela tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB.

A campanha teve ainda o peso de uma disputa que incluiu a candidatura barrada de José Roberto Arruda, impedido pelo TSE em setembro. O maior nó, porém, é o caso Master-BRB. Reportagens da Folha citaram diálogos de Daniel Vorcaro que sugeriam o envolvimento da governadora na operação. Ela nega, afirma que o material foi tirado de contexto e diz nunca ter tido contato com o banqueiro.

A conta do episódio segue em aberto. A PF apontou que o BRB enviou cerca de R$ 17 bilhões ao Master, boa parte em títulos sem valor, e o banco não publicou seus balanços recentes. Para recompor o caixa, a governadora defende um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC, medida que enfrenta resistência de grandes bancos. Agora, o que o Distrito Federal precisa saber é se o balanço do BRB virá à luz e se o socorro sairá do papel.

Com mais de 90% das urnas apuradas no domingo (25), a conta já estava fechada no Distrito Federal: Celina Leão (PP), 49 anos, tinha 57,21% dos votos válidos, contra 42,70% de Leandro Grass (PT). O resultado, confirmado pelo TSE, tornou matematicamente definida a disputa do segundo turno e garantiu à governadora um mandato que vai até o fim de 2030.

É a primeira vez que Celina disputa o cargo de governadora. Antes, foi deputada distrital e federal e, em 2023, assumiu a vice-governadoria na chapa de Ibaneis Rocha (MDB). Passou a comandar a capital federal em março, quando Ibaneis deixou o governo para tentar uma vaga no Senado. Em julho, ele desistiu da candidatura, em meio ao desgaste provocado pela tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).

Na campanha, Celina se afastou do ex-governador e dividiu palanques com os principais nomes da direita local: Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), ambas eleitas senadoras, e Damares Alves (Republicanos), que já ocupa uma cadeira no Senado. Também recebeu o apoio de Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, ela obteve 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% de Grass, e a definição ficou para a segunda rodada por margem pequena.

O páreo teve ainda outros nomes: Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Capelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Professora Samara Mineiro (UP), Professor Robson, Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB). E teve a candidatura barrada de José Roberto Arruda (PSD), ex-governador de 2007 a 2010, condenado por improbidade no caso da Operação Caixa de Pandora. Em pesquisa Datafolha de 21 de agosto, ele aparecia tecnicamente empatado com Celina. A campanha perdeu fôlego diante dos sinais de que ele teria de sair, o que o TSE confirmou em 24 de setembro, quando Arruda já estava em terceiro lugar nas pesquisas.

O maior peso sobre o novo mandato é o caso Master-BRB. Celina era vice de Ibaneis quando o BRB tentou comprar o banco de Daniel Vorcaro. Durante a campanha, repetiu que não se envolveu na operação e que não tinha contato com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, hoje preso. Em abril de 2025, porém, Vorcaro disse, segundo diálogos extraídos de seu celular e revelados pela Folha de S.Paulo, que ela "não ficou de fora" das discussões e que o discurso dela era "jogo pra se preservar na política". Celina respondeu que a reportagem estava fora de contexto e criava "uma narrativa que não é verdadeira", e afirmou que nunca teve contato com Vorcaro e sempre foi contra a operação.

O Banco Central rejeitou a compra em setembro de 2025. Em novembro, liquidou o Master, depois que a Polícia Federal prendeu Vorcaro quando ele embarcava em um jatinho para o exterior. A compra de carteiras de crédito falsas, seguida da tentativa de adquirir o banco, abriu um rombo bilionário no BRB, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal. Investigações da PF concluíram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master, sendo cerca de R$ 12,2 bilhões em títulos falsos, sem valor.

O tamanho do prejuízo, no entanto, segue sem divulgação: desde que o escândalo veio à tona, o banco não apresentou relatórios como as demonstrações de resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano. Celina insiste em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para recompor o caixa, mas a medida enfrenta resistência de grandes bancos, que participariam como fiadores.

No dia da votação, a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, emitida pouco após as 17h, causou confusão entre mesários e presidentes de seção. Em alguns locais, urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com boletins impressos. A prorrogação é inédita no país. Para o DF, o que fica a observar é se o balanço do BRB será tornado público e se o empréstimo do FGC sai do papel.

Uma narrativa que não é verdadeira — sobre a reportagem com os diálogos de Vorcaro; ela diz nunca ter tido contato com ele.
— Celina Leão, governadora reeleita do DF
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