Celina Leão (PP) derrota Leandro Grass (PT) e é reeleita governadora do Distrito Federal

Num domingo de outubro de 2026, o Distrito Federal decidiu manter no Palácio do Buriti a governadora Celina Leão, que assumiu o cargo após a saída de Ibaneis Rocha e agora ganha um mandato próprio. A vitória sobre Leandro Grass, aliado de Lula, ocorre sob a sombra de um episódio que atravessa a política brasiliense: o BRB, banco estatal, foi arrastado para o caso Master e carrega um rombo ainda sem contorno definido. O eleitorado escolheu continuidade, mas a herança financeira que ela recebe ainda não se revelou por inteiro.

A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita no Distrito Federal neste domingo, vencendo o segundo turno ao lado do vice Gustavo Rocha (Republicanos). Do outro lado estava Leandro Grass (PT), aliado do presidente Lula. A vitória já se desenhava no primeiro turno, quando Celina somou 825.530 votos e ficou a apenas 0,07 ponto percentual da maioria que dispensaria nova votação.

A eleição tem o sabor de continuidade e de herança. Celina foi vice de Ibaneis Rocha (MDB) em 2022 e assumiu o governo em março deste ano, quando ele renunciou para disputar o Senado. Ela chegou ao Buriti justamente no momento em que o escândalo do banco Master, de Daniel Vorcaro, batia à porta do governo por meio do BRB, o Banco de Brasília.

A conta é pesada. Na gestão anterior, o banco estatal comprou R$ 33,9 bilhões em ativos fraudulentos do Master e de empresas ligadas a ele, entre eles carteiras de consignado, créditos do Will Bank e empréstimos a empresas. Quando tentou assumir o controle do Master, em setembro do ano passado, o Banco Central barrou a operação, e pouco depois liquidou o banco de Vorcaro.

Agora, a governadora precisa de R$ 8,8 bilhões para socorrer o BRB e busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para aportar no banco. O tamanho real do prejuízo ainda não foi totalmente calculado. Seu plano de governo promete fortalecer o caráter público do banco, reforçar a transparência e aprimorar controles internos, além de focar em segurança pública, proteção às mulheres e saúde.

O desafio imediato da reeleita é fechar essa conta e descobrir, de fato, quanto custa a herança.

A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita no Distrito Federal neste domingo, ao vencer o segundo turno ao lado do vice Gustavo Rocha (Republicanos). O adversário derrotado foi Leandro Grass (PT), aliado do presidente Lula.

A vitória não chegou de surpresa. No primeiro turno, Celina teve 825.530 votos e ficou a apenas 0,07 ponto percentual dos 50% que lhe garantiriam a reeleição sem necessidade de nova votação.

Ela chega ao novo mandato com um problema pesado herdado da gestão anterior. Celina foi eleita vice de Ibaneis Rocha (MDB) em 2022 e assumiu o governo neste ano, depois que ele renunciou, em março, para tentar uma vaga no Senado. Quatro meses depois, Ibaneis desistiu da candidatura. Ela assumiu a capital federal em meio ao escândalo do banco Master, de Daniel Vorcaro, no qual o governo do DF está envolvido por meio do BRB (Banco de Brasília).

Entre 2024 e 2025, na administração de Ibaneis, o banco estatal comprou R$ 33,9 bilhões em ativos fraudulentos do Master e de empresas ligadas a ele. Entre eles estavam carteiras de consignado Credcesta, créditos do Will Bank e empréstimos a empresas. Em setembro do ano passado, o BRB tentou ainda comprar o controle do Master, mas o Banco Central barrou a operação. Pouco mais de dois meses depois, o BC liquidou o banco de Vorcaro.

O BRB vive grave crise de liquidez. Segundo a gestão de Celina, precisa de um socorro de R$ 8,8 bilhões, e o governo busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para aportar no banco e cobrir o rombo. O prejuízo, porém, não foi totalmente calculado até hoje. No plano de governo, ela defende a recuperação do BRB e promete reafirmar o compromisso com o “fortalecimento de seu caráter público, sua solidez financeira e a transparência”, além de aprimorar controles internos e gestão de riscos. As outras propostas se concentram em segurança pública, proteção às mulheres e saúde.

Celina Leão Hizim Ferreira tem 49 anos, nasceu em Goiânia, é casada e mãe de dois filhos. Formada em direito e administração de empresas, começou na política em 2010, eleita deputada distrital pelo PMN, hoje Mobiliza, e foi reeleita em 2014 pelo PDT. No segundo mandato, foi procuradora especial da mulher e presidente da Câmara Legislativa. Em 2018, elegeu-se deputada federal pelo PP, partido ao qual segue filiada, e coordenou a bancada feminina na Secretaria da Mulher da Câmara.

Entre 2020 e 2021, foi secretária de Esporte e Lazer no governo Ibaneis, e em 2022 deixou o Legislativo para compor a chapa dele como vice. Assumiu o governo pela primeira vez, de forma interina, em 2023, quando o STF afastou Ibaneis por entender que houve descaso e conivência de sua gestão nos atos golpistas de 8 de Janeiro. Dois meses depois, o tribunal revogou a decisão e ele voltou ao cargo.

Leandro Grass, de 41 anos, é professor, sociólogo e brasiliense. Foi deputado distrital de 2019 a 2023. Em 2022 disputou o governo pelo Partido Verde, teve 26,25% dos votos e ficou atrás de Ibaneis, eleito com 50,3% no primeiro turno. Depois disso, presidiu o Iphan no governo Lula e deixou o cargo em março deste ano para concorrer novamente. Filiou-se ao PT em julho de 2025, com apoio de Lula e da primeira-dama, Janja, para reforçar a esquerda no DF. Sua chapa, com Dora Gomes (PV) de vice, reunia as federações Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e PSOL-Rede, além do PDT.

O desafio imediato da reeleita é fechar a conta do BRB: conseguir o empréstimo de R$ 6,6 bilhões e dimensionar o tamanho real do prejuízo.

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